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sábado, 20 de fevereiro de 2021

Perfil Pastoral

Há processos de sucessão pastoral que nada mais são que processos humanos, porque se baseiam em critérios humanos, e estabelecem para a escolha um perfil de candidato segundo estes critérios e não segundo a Bíblia

Pastor
Imagem: unsplash

“…amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências…” (2 Timóteo 4:3 — ACF)
“…reunirão mestres para si mesmos, de acordo com suas próprias vontades…” (2 Timóteo 4:3 — BKJA)

Pr. Cleber Montes Moreira

Uma igreja em processo de sucessão pastoral decidiu, em assembleia, por sugestão da comissão eleita para tratar do assunto, priorizar a construção do salão de cultos já em andamento para só depois prosseguir na escolha de seu novo obreiro. No entender daqueles irmãos a igreja ficaria muito apertada tendo que “gastar com pastor” e, ao mesmo tempo, tocar a obra. Ocorre que os irmãos ficaram adorando em local improvisado por vários anos, porém, quando resolveram empossar um ministro a obra andou e hoje o templo está pronto.

 A comissão de sucessão pastoral de outra igreja elaborou o perfil ideal para os candidatos. Dentre várias exigências, para concorrer, o interessado deveria ter menos de 40 anos, pelo menos dois cursos de nível superior, uma fonte de renda alternativa e bom relacionamento com a juventude. A partir de então a igreja começou a orar pedindo um pastor que preenchesse tais quesitos.

Outra igreja, ao escolher um dos três candidatos que concorriam ao pastorado, após ouvir a palavra de um membro fundador, votou convidar aquele que residia na cidade, tinha casa própria e emprego. Alegaram que o escolhido ficaria “mais barato” para a igreja.

Dentre tantos outros relatos não posso omitir o caso de uma igreja que estabeleceu como regra só convidar pastor com no mínimo cinco anos de ministério pastoral. Por esta lógica, se todas as igrejas adotassem o mesmo critério, o ministério pastoral seria extinto.

Se por um lado está cada vez mais difícil para as igrejas bíblicas encontrarem pastores comprometidos com a Sã Doutrina, por outro os ministros que ainda levam o pastoreio a sério têm dificuldades para encontrar igrejas que queiram obreiros segundo o perfil estabelecido nas Escrituras.

Há processos de sucessão pastoral que nada mais são que processos humanos, porque se baseiam em critérios humanos, e estabelecem para a escolha um perfil de candidato segundo estes critérios e não segundo a Bíblia. Há igrejas que oram por “um pastor segundo a vontade de Deus” do mesmo modo que um jovem ora por uma namorada, também segundo a vontade de Deus, desde que ela seja bonita, culta, prendada, rica etc., ou desde que seja a “fulana”. Isso me faz lembrar uma piada antiga sobre um jovem que vivia pedindo pra que Deus lhe enviasse uma “varoa”, segundo a Sua vontade, é claro. Conta-se que certo dia aquele rapaz chegou ao templo bem antes do início do culto, e começou a orar dizendo: “Senhor, envie uma varoa para teu servo […]. Mostra-me, eu te peço, qual é a moça que o Senhor tem preparado para ser minha esposa”. Antes de terminar aquela oração ele pediu pra Deus um sinal: “A primeira jovem solteira que entrar aqui hoje, eu saberei que ela é aquela que o Senhor me dará por esposa”. Passados alguns minutos eis que entra uma moça muito feia, e, então, o rapaz olha para o alto e diz: “Senhor, eu não estou brincando!” O problema é que assim como a formosura engana o coração — nem sempre uma mulher bela será uma boa esposa — um pastor escolhido segundo critérios humanos jamais atenderá à igreja em suas reais necessidades; ele talvez exerça seu ministério segundo estes mesmos critérios (pelos quais fora escolhido), e não segundo o Senhor.

Infelizmente as recomendações de Paulo em 1 Timóteo 3:1-7 ou foram esquecidas, ou são consideradas obsoletas para este tempo de “novas” exigências em que os pastores são avaliados por critérios humanos e não bíblicos. Já não importa se são irrepreensíveis, maridos de uma só mulher, vigilantes, sóbrios, honestos, hospitaleiros, aptos para ensinar, não ébrios, não espancadores, não gananciosos, moderados, não contenciosos, não avarentos, se governam bem suas casas, se são bons esposos, bons pais, exemplares no lar e fora dele, não neófitos, não soberbos, nem se “manejam bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15), a lista é outra, e ela contempla outras necessidades e interesses. Não é sem motivo que o evangelicalismo atual segue em franco declínio.

Embora o texto de Jeremias 3:15 trate sobre reis e governantes, e não sacerdotes (mas alguns eram também líderes espirituais), esta é uma paráfrase ideal para descrever a realidade de algumas igrejas atuais: “E escolheremos para nós pastores segundo o nosso coração, segundo nossos critérios, os quais nos apascentarão conforme nossas vontades e interesses” (Jeremias 3:15 — Bíblia da Igreja Herege).

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