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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Os Inimigos da Cruz: Um Alerta para Hoje

Os Inimigos da Cruz: Um Alerta para Hoje

Inimigos da Cruz
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Pr. Cleber Montes Moreira

Texto-base: Filipenses 3:1–21 (vv. 17-21)

Introdução

O apóstolo Paulo redige a carta aos Filipenses em meio a uma profunda tensão pastoral. Ao mesmo tempo em que exorta os crentes a se alegrarem no Senhor, ele profere um grave alerta logo nos primeiros versículos do capítulo três. Essa combinação entre regozijo e vigilância revela que a alegria bíblica nunca é ingênua nem complacente; ela se sustenta na verdade da redenção e permanece atenta diante dos perigos doutrinários e morais que ameaçam desviar a igreja da pureza da fé.

Ao avançar em sua argumentação, Paulo chega a um dos momentos mais relevantes de toda a epístola ao declarar, tomado por lágrimas, que muitos andavam como inimigos da cruz de Cristo. Para a igreja contemporânea, essa advertência é urgente. Compreender a natureza dessa oposição, reconhecer seus disfarces, erguer as defesas espirituais adequadas e cultivar o modo de vida próprio dos cidadãos da pátria celestial são imperativos inadiáveis para todo cristão que busca perseverar na fidelidade ao Evangelho.

A Igreja possui uma mensagem singular a proclamar e a defender: o Evangelho. Trata-se da única mensagem com poder para regenerar o pecador (1Pe 1:23; Rm 1:16), a única chave para abrir ou fechar as portas dos céus (Mt 16:19). É a palavra mediante a qual quem crê é salvo, e quem não crê já está condenado (Mc 16:16; Jo 3:18); a verdade que edifica os fiéis e os capacita para toda boa obra (At 20:32; 2Tm 3:16-17); contudo, é também a mensagem que desperta o ódio e a rejeição do mundo (Jo 15:18-19; 1Co 1:18).

Por essa razão, além de permanecer vigilante contra os inimigos externos (1Pe 5:8), a Igreja precisa identificar e confrontar com firmeza aqueles que, surgindo em seu próprio meio, distorcem, minimizam ou ressignificam a mensagem da cruz (At 20:29-30; Gl 1:6-7) — homens aos quais o apóstolo Paulo chamou de “inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3:18).

1. A Anatomia e a Mensagem dos Inimigos da Cruz

Nos versículos 18 e 19, o apóstolo desmascara a conduta daqueles cujo ensino e prática se chocam frontalmente com o propósito do Calvário. No contexto imediato da epístola, Paulo se reporta aos legalistas — aqueles da circuncisão, que exigiam ritos judaicos e méritos humanos para a salvação (Fl 3:2-3). Contudo, ao caracterizar o modo de vida desses opositores, o apóstolo expande o alerta para além do legalismo formal, alcançando também aqueles que descambavam para a libertinagem e a indulgência carnal. A expressão “inimigos da cruz” não se refere necessariamente àqueles que rejeitam abertamente o nome de Jesus, mas aos que anulam o significado, a suficiência e as exigências da cruz por meio de sua teologia e de seu estilo de vida. Como destaca o Comentário Bíblico Moody, “eles estavam em inimizade com tudo o que a cruz representa”.

A mensagem e a conduta desses opositores são caracterizadas por três traços definidores: o deus deles é o próprio ventre, a glória deles repousa naquilo que deveria ser motivo de vergonha e a mente deles está fixada exclusivamente nas coisas terrenas.

O ventre como ídolo descreve a supremacia dos apetites carnais, do conforto imediato, da autopreservação e da autoindulgência. Seja na busca legalista de ostentação na carne (a glória na marca da circuncisão), seja na licenciosidade que confunde graça com libertinagem, o centro do coração permanece o mesmo: a glorificação do “eu”. Quando o bem-estar físico, os ritos de exaltação pessoal e a busca de satisfação terrena se tornam o eixo da espiritualidade, a cruz — que exige abnegação, santidade e morte para a carne — passa a ser um incômodo indesejado. Além disso, a inversão de valores faz com que se orgulhem de posturas e ensinos que desonram a Deus, relativizando o pecado e celebrando a vaidade humana.

Os inimigos da cruz podem ser percebidos ao longo de toda a história do cristianismo. Eles mudam de roupagem, mas mantêm a mesma essência, estando presentes e atuantes hoje. Em meados do século XX, o pastor e escritor A. W. Tozer escreveu um artigo intitulado “A Velha e a Nova Cruz”, alertando a igreja sobre o surgimento de um “novo evangelho”. Ele afirmou que a “velha cruz” matava o ego e destruía a confiança na carne, exigindo arrependimento radical e renúncia. Em contraste, a “nova cruz” não desafiava o pecado; ela apenas entretinha as pessoas e incentivava a vaidade humana. Dizia Tozer: “A carne sorri, prega e canta sobre a cruz, mas recusa-se terminantemente a morrer nela.”

Ainda, em seu livro intitulado A Guerra do Espírito, A. W. Tozer expõe:

“Hoje o cristianismo evangélico, pelo menos nos Estados Unidos, encontra-se tragicamente abaixo do padrão do Novo Testamento. O mundanismo é uma parte aceita de nosso modo de vida. Nossa inclinação religiosa é social, não espiritual. Perdemos a arte da adoração. Não estamos produzindo pessoas consagradas. Nossos modelos são empresários de sucesso, atletas e artistas famosos. Realizamos nossas atividades religiosas de acordo com os métodos do anunciante moderno. Nossos lares transformaram-se em teatros. Nossa literatura é superficial, e nossos hinos chegam à beira do sacrilégio. E quase ninguém parece se importar. Precisamos ter cristãos melhores em breve, senão na outra metade do século o cristianismo verdadeiro não mais existirá. Números maiores de semicristãos não são suficientes. Necessitamos de uma reforma.”¹

A denúncia de Tozer confronta com precisão um cenário presente em muitas igrejas da atualidade: congregações de doutrinas adulteradas, moldadas pelo secularismo, nas quais muitos fiéis repelem o chamado à santidade. Ao fixarem seus pensamentos nas realidades temporais, pregam um evangelho utilitário, horizontalizado e desprovido de transcendência, cujo fim é a perdição. Trata-se de uma mensagem atraente aos olhos humanos, mas espiritualmente nefasta, pois oferece promessas de bênçãos sem exigir arrependimento sincero nem submissão ao senhorio de Cristo.

A cruz, outrora símbolo de morte para o ego e de ruptura com o mundo, foi reduzida a um adereço inofensivo — uma fachada piedosa que oculta o verdadeiro desprezo pela verdade do Evangelho. Despreza-se, assim, a própria essência do discipulado, registrada nos Evangelhos: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8:34; Mt 16:24; Lc 9:23). Não há Evangelho sem renúncia, nem cristianismo sem cruz.

2. Critérios Bíblicos de Identificação

O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer cunhou o termo “graça barata”. Ele a definiu como “a pregação do perdão sem arrependimento, o batismo sem disciplina, a comunhão sem confissão [...] a graça sem discipulado, a graça sem a cruz”. Os inimigos da cruz muitas vezes não usam palavras de ódio contra Jesus; eles simplesmente trocam a cruz da renúncia por uma cruz de conveniência, transformando o Evangelho em mero produto de consumo. Paulo chorava pelos inimigos da cruz porque eles vendiam uma ilusão espiritual: prometiam as bênçãos do céu enquanto alimentavam os apetites da terra. A graça que não crucifica o pecado não salva o pecador.

Para proteger o rebanho, o apóstolo emprega uma linguagem deliberadamente incisiva no versículo 2, orientando os crentes a se acautelarem dos falsos mestres, classificados sob três figuras:

  • Os cães — os que contaminam e desonram (no contexto judaico, termo de desprezo para os impuros).
  • Os maus obreiros — os que trabalham, mas com motivação e doutrina erradas; aparência de zelo sem verdade.
  • A falsa circuncisão (mutilação) — os que acrescentam obras humanas à graça, confiando na carne (vv. 3– 4).

Assim, no contexto bíblico, essas expressões apontam tanto para os agentes de imoralidade e paganismo quanto para os legalistas rígidos que tentavam adicionar preceitos cerimoniais e méritos humanos à suficiência da graça redentora.

Em contraste direto com tais desvios, o apóstolo estabelece a tríplice marca distintiva dos verdadeiros discípulos no versículo 3: “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.” De forma destacada, estas são as três marcas:

  • Servir a Deus em espírito.
  • Gloriar-se em Jesus Cristo.
  • Não confiar na carne.

O discernimento cristão, portanto, opera examinando se o ensino e o fruto de determinada liderança promovem a exaltação exclusiva do Redentor ou se transferem o foco para o esforço humano, para símbolos de status religioso ou para práticas religiosas sem verdadeira devoção.

No cenário atual, esses inimigos manifestam-se tanto no secularismo que invade os púlpitos — prometendo prosperidade sem sacrifício e autoajuda sem confissão de pecados — quanto nas formas refinadas de moralismo que tentam barganhar com a justiça divina. Sempre que a justificação pela fé for suplantada pelo ativismo humano, ou a graça for reduzida a um verniz para encobrir a carnalidade, a igreja estará diante de uma deturpação da mensagem da cruz.

3. O Combate Espiritual e a Busca pela Excelência de Cristo

A resposta bíblica contra os ardis dos falsos ensinamentos não reside em debates puramente retóricos ou na utilização de armas carnais, mas na assimilação profunda do valor supremo de Cristo, demonstrada por Paulo nos versículos 7 a 14. O combate se inicia com um reposicionamento radical: tudo aquilo que anteriormente parecia constituir ganho, mérito, reputação religiosa ou vantagem pessoal passa a ser considerado refugo diante da sublimidade do conhecimento do Filho de Deus.

A verdadeira vitória sobre o engano doutrinário sustenta-se na certeza de que a justiça aceitável diante de Deus provém unicamente da fé em Jesus, e não do cumprimento legalista de obras. Essa fé opera no coração do crente o anseio ardente de conhecer a Cristo de forma íntima, pela experiência do poder regenerador de sua ressurreição e pela participação ativa em seus sofrimentos ao morrer diariamente para o pecado e para o mundo, como nos diz Paulo: “Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro” (Rm 8:36).

Longe de cair na apatia espiritual ou presumir perfeição antecipada, a igreja é convocada a manter uma atitude de perseverança incansável. Esquecendo o que ficou para trás — tanto as falhas passadas quanto as supostas conquistas que poderiam alimentar o orgulho —, o cristão projeta seus passos com determinação rumo ao alvo, impulsionado pela soberana vocação celeste que o aguarda na eternidade.

4. O Andar Conforme a Cruz: Maturidade, Exemplo e Cidadania Celestial

Em oposição frontal ao caminho dos que trilham a rota da destruição, Paulo delineia a postura daqueles que acolhem de coração a mensagem da cruz, fundamentando seu viver em três pilares essenciais: a maturidade espiritual, o testemunho prático e a consciência da cidadania celestial. Conforme os versículos 15 e 16, os maduros na fé são reconhecidos pela humildade de manter esse mesmo sentimento de total dependência da graça e disposição contínua para o aprendizado e a correção dada por Deus.

O testemunho visível ganha destaque quando o apóstolo convida os irmãos a imitarem seu modelo e a observarem com atenção aqueles que andam em conformidade com o padrão apostólico. A doutrina bíblica atinge sua plena eficácia quando é encarnada em vidas íntegras, em lares piedosos e em condutas irrepreensíveis que servem de farol em meio a uma sociedade corrompida, tornando o Evangelho crível e desejável aos que contemplam a igreja.

É aqui que a ilustração de Filipos ganha todo o seu sentido. Filipos não era uma cidade qualquer; era uma colônia militar romana. Seus moradores tinham um privilégio cobiçado: mesmo vivendo na Grécia, desfrutavam dos mesmos direitos, leis e isenções tributárias de quem vivia na própria cidade de Roma. Eles se vestiam, falavam e agiam como romanos, obedecendo ao imperador César, mesmo estando longe da capital. Quando Paulo declarou “a nossa cidadania está nos céus” (v. 20), os filipenses entenderam imediatamente a metáfora. O crente vive no mundo, mas não pertence ao mundo; ele representa as leis, os valores e a cultura do Reino de Deus aqui na terra, aguardando o verdadeiro Rei.

Enquanto os inimigos da cruz gastam suas forças buscando satisfação efêmera nesta era passageira, a igreja vive com a esperança ancorada na gloriosa manifestação do Salvador, o Senhor Jesus Cristo. É Ele quem transformará o nosso corpo abatido e sujeito à corrupção para ser semelhante ao seu próprio corpo glorificado, consolidando a vitória final sobre a morte e o pecado mediante o poder soberano com o qual sujeita a Si todas as coisas.

Conclusão

A mensagem da cruz não admite neutralidade. Ela continua sendo, por sua própria essência, um divisor definitivo de caminhos: ou nos submetemos ao seu poder santificador, renunciando à idolatria do “eu” e abraçando a total suficiência de Cristo, ou nos tornamos, consciente ou inconscientemente, opositores do seu propósito eterno.

A exortação apostólica convoca a igreja a examinar com zelo as bases de sua confiança, a rejeitar as propostas de uma espiritualidade legalista ou complacente com a carne, e a firmar os passos na esperança da bendita pátria celestial.

Que cada crente prossiga resoluto, vivendo como verdadeiro cidadão do céu, até o dia em que o Senhor glorificará o seu povo e consumará a nossa salvação na eternidade.


Pr. Cleber Montes Moreira
Pastor da Igreja Batista de Vila Antunes, Cajati (SP)
OPBB 4914


__________________________

¹ TOZER, A. W. A Guerra do Espírito: rito religioso versus presença permanente de Cristo. Tradução de Maria Emília de Oliveira e Thais Gomes. São Paulo: Editora Vida, 2022. p. 118. Edição Kindle.

sábado, 18 de abril de 2026

A Igreja Escondida

Uma crítica à fé nominal e ao silêncio dos cristãos. Descubra por que a "igreja escondida" é uma afronta àqueles que morrem por amor a Cristo.

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 Por: Cleber Montes Moreira

“E ninguém, acendendo uma candeia, a põe em oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz.” (Lucas 11:33)

Esta é a história de uma igreja que decidiu não ser vista...

Não havia leis proibindo a pregação do Evangelho. Não havia decretos confiscando Bíblias, nem guardas vigiando as esquinas. Nenhum cristão era arrastado para prisões por causa de sua fé. O silêncio não era fruto do medo do carrasco, mas do zelo pelo conforto e do desejo de aceitação do mundo.

Havia uma igreja escondida. Os crentes mantinham uma agenda rigorosa de encontros, geralmente uma ou duas vezes por semana em um local que chamavam de “templo”. Ali, entre paredes espessas e portas fechadas, eles expressavam sua fé com fervor. Cantavam, oravam e pregavam para si mesmos, onde ninguém de fora pudesse ser incomodado pela luz do Evangelho.

Ao saírem dali, o disfarce era absoluto. O nome de Cristo era o segredo mais bem guardado da cidade. Não era pronunciado nas ruas, nem nas praças, nem nas escolas, nem nas repartições públicas, nem nos corredores das empresas ou nas filas dos mercados. Em casa, o silêncio era ainda mais rigoroso. Os pais evitavam orações audíveis ou leituras das Escrituras para que os filhos, na ingenuidade da infância, não repetissem o nome do Salvador em público — o que causaria um desconforto social irreparável.

As celebrações eram cuidadosamente esvaziadas de sua essência. Na Páscoa, falava-se apenas de coelhos e chocolates; no Natal, a árvore enfeitada, a menção ao “bom velhinho” e a troca de presentes serviam como uma cortina de fumaça para ocultar o Verbo que se fez carne.

Para se reconhecerem na multidão, criaram códigos. Usavam adesivos nos carros, placas nas portas ou camisetas com dizeres que apenas os “iniciados” entendiam, a fim de se identificarem entre si, mas sem correrem o risco de revelarem sua identidade ao mundo. Desenvolveram um dialeto próprio, o “evangeliquês”, um linguajar cifrado que lhes permitia falar de espiritualidade sem que qualquer estranho compreendesse a sua mensagem.

Nas questões morais e nos negócios, o esforço para não serem identificados com Jesus era hercúleo. Comportavam-se exatamente como o mundo, moldando-se aos seus valores: a mesma ganância, as mesmas conversas fúteis, a mesma flexibilidade ética. Às vezes, chegavam a pecar ostensivamente, apenas para afastar qualquer suspeita de que pertenciam a um “povo santo”. Aliás, parecer santo seria um prejuízo social e profissional incalculável; poderia significar a marginalização.

Nas redes sociais, o perfil era neutro: apenas temas corriqueiros como moda, política, economia e futilidades. Mantinham uma exposição de imagem intencionalmente desconectada dos valores cristãos e perfeitamente ajustada aos costumes do século. Todo cuidado era pouco, pois não queriam tornar-se vítimas da “cultura do cancelamento” nem perder a relevância digital por causa de uma fé considerada arcaica.

Receber reuniões de irmãos em casa para cultuar? Jamais! Isso seria um risco terrível. Além do “mau exemplo” de fanatismo perante os filhos, algum vizinho curioso poderia desconfiar, bater à porta e, por um descuido do destino, acabar ouvindo a verdade e se convertendo. Por isso, preferiam o templo — aquele lugar seguro onde, e somente ali, podiam desfrutar de sua religião sem as consequências do testemunho.

A “igreja escondida” desejava o amor de Cristo e suas promessas de prosperidade, desde que isso não custasse sua reputação perante a sociedade. Os crentes, entre si, diziam amar o Salvador, mas cuidavam para que sua imagem jamais fosse associada ao Nome dele.

Essa igreja é a maior bofetada na face da Igreja Perseguida ao redor do mundo. Enquanto em algum lugar da terra um cristão morre por se recusar a negar o nome de Jesus, a igreja escondida vive confortavelmente, negando-O todos os dias através do silêncio, da omissão e da deserção de sua missão.

Afinal, qual é a diferença entre uma igreja e uma sociedade secreta, se o seu tesouro é guardado a sete chaves para que ninguém o encontre? Se a mensagem que deveria libertar cativos é sussurrada apenas entre “membros eleitos”, a comunidade cristã deixou de ser o Corpo de Cristo para se tornar um clube de conveniência. Você faz parte de um organismo vivo ou de uma seita de anônimos que teme refletir a luz de Jesus?

Há uma frase, frequentemente atribuída a David Otis Fuller, que questiona: “Se você fosse preso por ser cristão, haveria provas suficientes para condená-lo?” Se você, no caminho para casa, fosse abordado e indagado sobre a sua fé, Jesus seria anunciado ou continuaria sendo um segredo bem guardado?

Lembre-se do que disse o Senhor: “Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:33).

Oração:

Pai Celeste, perdoa-nos pelas vezes em que nos escondemos atrás de templos e conveniências, negando com o nosso silêncio o sacrifício de Teu Filho. Retira de nós todo o temor dos homens e o desejo de aprovação deste mundo. Faça arder nossos corações para que anunciemos com ousadia a Palavra da Salvação, e dá-nos coragem para sermos testemunhas vivas, em palavras e obras, onde quer que estivermos. Que a nossa vida seja uma carta aberta e que o nome de Jesus seja exaltado através de nós, até que Ele venha. Fazemos esta oração em nome de Jesus. Amém.

terça-feira, 7 de abril de 2026

O Êxodo Silencioso: Por que Nossos Adolescentes Estão Deixando a Fé?

O Êxodo Silencioso: Por que Nossos Adolescentes Estão Deixando a Fé?

Adolescente
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Pr. Cleber Montes Moreira

“E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel.” (Juízes 2:10)

Um estudo conduzido pela Unifesp em parceria com a USP, divulgado no começo de abril de 2026, aponta um crescimento significativo no número de adolescentes brasileiros que afirmam não ter religião. Em pouco mais de dez anos, esse grupo aumentou 41,9%. Entre jovens de 14 a 17 anos, a proporção passou de 14,3% em 2012 para 20,3% em 2023.1

Esse avanço supera o observado na população em geral. Além disso, entre os adolescentes, houve uma redução na relevância atribuída à fé: o percentual dos que consideram a religião “muito importante” caiu de 66,2% para 58,4%. Segundo a psiquiatra Clarice Madruga, responsável pela coordenação da pesquisa, as gerações mais jovens demonstram um distanciamento maior das instituições, enquanto adultos e idosos ainda mantêm níveis elevados de identificação com a fé.

Estes dados refletem o que observamos na prática: o diminuto número de adolescentes nas igrejas e o envelhecimento da membresia. A exceção são as igrejas ditas contemporâneas, onde, infelizmente, o culto muitas vezes tornou-se antropocêntrico — um espaço de entretenimento que atrai pelo brilho, mas não pela exposição fiel das Escrituras.

Embora não tenhamos todas as respostas, podemos tentar apontar algumas possíveis razões para esse afastamento:

1. Omissão dos Pais: O Sacerdócio Negligenciado

Embora a fé não seja hereditária, biblicamente os pais são os canais da transmissão do conhecimento que gera a fé salvadora. Foi justamente porque os pais em Israel falharam nisso que lemos sobre o que aconteceu após a morte de Josué: “e outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao Senhor”.

Certa vez, preguei em uma igreja onde praticamente não havia crianças, adolescentes e jovens. Era uma comunidade envelhecida. Alguns irmãos me indagaram: “Pastor, o que fazer para atrair os mais novos?”. Eu respondi com uma pergunta: “Onde estão seus filhos e netos?”. Muitos cristãos estão abrindo mão do privilégio da paternidade, e outros do compromisso que ela exige.

Em minha experiência pastoral, observo pais que deixam os filhos em casa quando vêm aos cultos, especialmente para a Escola Bíblica Dominical (EBD). As justificativas são sempre triviais: estão cansados da “noite do pijama”, de uma festa, ou simplesmente não quiseram levantar. Com isso os pais que assim agem, ainda que inconscientemente, acabam ensinando que a frequência aos cultos e estudos são opcionais, ou algo que possa ser relegado a segundo plano. Eu questiono: esses pais estão realmente interessados na salvação de seus filhos? Eles não se preocupam que eles estejam caminhando para o inferno? Não choram por eles diante de Deus?

Nós, evangélicos, temos o hábito de “apresentar” ou “consagrar” bebês. Como não batizamos crianças por crermos na decisão individual e consciente por Cristo, os pais os trazem à frente. Eu aproveito esse momento para dizer: vocês precisam mais do que apresentar os filhos a Deus; precisam apresentar Deus aos filhos. Esse ato não é místico; é um compromisso de vida. Infelizmente, muitos nunca mais voltam, ou falham miseravelmente em ser o “espelho de Cristo” dentro de casa.

2. Influência Cultural e a “Educação” Secularizada

Vivemos em uma sociedade onde a fé é tratada como algo opcional e antiquado, quando não é ridicularizada. Escolas e universidades tornaram-se centros de formação ideológica, promovendo uma “Nova Ordem Moral” que se opõe diretamente aos valores cristãos.

Na medida em que Deus é expulso da sociedade, ela se deteriora. Já vemos escolas proibindo a celebração do Dia das Mães ou dos Pais para não “ofender” novas ideologias. Conceitos são ressignificados: termos como “pai”, “mãe”, “homem” e “mulher” ganham novos sentidos por pressão e até força de legislação. Mudando os termos, mudam a mente; mudando a mente, mudam o comportamento. Se o lar não for um forte anteparo bíblico, o sistema engolirá a identidade dos nossos jovens.

3. O Impacto das Redes Sociais

As redes sociais expõem os adolescentes a uma avalanche de ideias contrárias à Escritura. Conteúdos que ridicularizam o Evangelho e promovem um estilo de vida autônomo ganham alcance meteórico. Sem a supervisão e o diálogo dos pais, eles consomem pornografia, violência e um relativismo que corrói suas convicções antes mesmo de elas criarem raízes.

4. A Crise de Identidade e a Busca por Respostas

A adolescência é, por natureza, uma fase de questionamentos. Dúvidas existenciais sobre “quem eu sou”, “de onde vim”, “por que estou aqui” e “para onde vou” são legítimas. O problema ocorre quando essas respostas não são buscadas na Palavra de Deus. Quando a igreja ou a família oferecem respostas rasas para perguntas profundas, o jovem busca acolhimento em ideologias que prometem “pertencimento”, mas entregam confusão espiritual.

5. O Engano da Autonomia e do Relativismo

Nossa cultura idolatra a autonomia. O adolescente é ensinado que ser “livre” é não depender de ninguém, nem de Deus. O relativismo prega que “cada um tem sua verdade”, entrando em choque direto com a fé bíblica, que afirma uma Verdade objetiva e revelada. O adolescente, iludido, se afasta por achar que o Evangelho aprisiona, quando, na realidade, ele é o único caminho que verdadeiramente liberta (João 8:36).

6. Confusão entre Religiosidade e Novo Nascimento

Muitos abandonam a “religião” porque nunca tiveram um encontro real com Cristo; tiveram apenas contato com práticas externas. Nasceram em “berço evangélico”, vão à igreja por cobrança dos pais, por influência de amigos ou interesse em namoro. Alguns simplesmente se “acostumaram” ao ambiente. Sem a experiência do novo nascimento, a religião torna-se um fardo que o adolescente descartará na primeira oportunidade, seja na faculdade ou na “liberdade” da vida adulta.

7. A Ausência de Discipulado Intencional

Frequentar cultos não é o mesmo que ser discipulado. O discipulado envolve ensino bíblico consistente, acompanhamento pessoal, correção, encorajamento e formação espiritual. Sem isso, o adolescente não cria raízes. Como ensinado na Parábola do Semeador (Mateus 13:1-23), a semente pode cair à beira do caminho, em solo pedregoso ou entre espinhos. Uma fé superficial não sobrevive a um mundo hostil. Embora cada terreno tenha suas peculiaridades, até um solo difícil pode produzir se for devidamente preparado, irrigado e adubado — este é o trabalho exaustivo do discipulador.

8. Falhas das Igrejas

Embora o ensino bíblico seja tarefa dos pais e jamais deva ser terceirizada, a igreja é a parceira indispensável nesta missão. Além de um ambiente acolhedor, ela deve prover ensino adequado, visando à transmissão de valores, à formação do caráter e à evangelização. O problema é que muitas comunidades priorizam a “adesão” e a “fidelização” em vez da conversão real. Para isso, oferecem entretenimento e atrativos variados, mas negligenciam o discipulado intencional. Isso preenche o tempo, mas não o coração; provê alívio emocional passageiro, mas não livra a alma do fardo do pecado. Oferece incentivos, mas não expõe a Palavra que confronta o erro e convida ao arrependimento. Cria-se um ambiente de aceitação, mas sem as condições bíblicas para que o Espírito Santo transforme o indivíduo.

Conclusão

Estes fatores nos ajudam a entender o fenômeno, mas, acima de tudo, convocam-nos à ação: o resgate do culto doméstico, o ensino e a fé vivida no lar; o discipulado intencional; o testemunho fiel de pais e irmãos; e a parceria da igreja na exposição fiel da Palavra, no companheirismo cristão fora do templo e no esforço estratégico para a comunicação clara do Evangelho.

O diabo trabalha diuturnamente; ele não entra em recesso. Nós precisamos trabalhar ainda mais, com direção de Deus e dedicação. A fé é mais do que adesão cultural — ela é fruto do ouvir a Palavra de Deus, do ensino fiel das Escrituras, produz novo nascimento e leva ao testemunho coerente.


1 Folha de S.Paulo - Adolescentes sem religião crescem 41,9% no Brasil em uma década (Acessado em 07 de abril de 2026).

sábado, 28 de junho de 2025

Pais Distraídos, Filhos Perdidos, Lares em Colapso

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24:12)

lápides
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Pr. Cleber Montes Moreira

Em 21 de junho de 2025, a pequena comunidade de Comendador Venâncio, distrito de Itaperuna (RJ), no Noroeste Fluminense, foi abalada por uma tragédia chocante. Um adolescente de 14 anos confessou ter assassinado seus pais — Antônio Carlos Teixeira, de 45 anos, enfermeiro, e Inaila Teixeira, de 37 anos, cabeleireira — além de seu irmão caçula, Antônio, de apenas 3 anos, enquanto dormiam. O motivo do crime teria sido a proibição dos pais para que o jovem viajasse ao Mato Grosso, onde pretendia encontrar uma adolescente de 15 anos, com quem mantinha um relacionamento virtual iniciado em jogos online há seis anos, quando ele tinha apenas 8 anos e ela, 9. Movido por esse desejo, o jovem pesquisou como sacar o FGTS do pai, que continha R$ 33 mil, possivelmente planejando financiar sua fuga.

Na noite do crime, o adolescente esperou a família dormir, consumiu um energético para se manter acordado e disparou contra a cabeça dos pais e o pescoço do irmão. Após os assassinatos, arrastou os corpos para a cisterna da casa, usou produtos químicos para remover vestígios de sangue e tentou queimar as roupas manchadas. Uma mochila com os celulares dos pais foi encontrada, sugerindo que ele planejava fugir. Nos dias seguintes, mentiu para familiares, alegando que os pais haviam levado o irmão ao hospital por engasgo com um caco de vidro. No dia 24 de junho, acompanhado da avó paterna, registrou o suposto desaparecimento na 143ª DP. Contudo, após buscas em hospitais sem registros, a polícia realizou uma perícia na casa no dia 25 de junho, encontrando manchas de sangue, roupas queimadas e um forte odor na cisterna, onde os corpos foram localizados. Confrontado, o adolescente confessou o triplo homicídio e a ocultação de cadáveres, demonstrando frieza e declarando que “faria tudo de novo”.

A namorada virtual, ouvida em Água Boa (MT) no dia 26 de junho, confirmou o contato com o jovem durante o fim de semana do crime e tratou os assassinatos com frieza, como se fossem parte de um “jogo de videogame”. A polícia investiga se ela teve alguma influência no ato. No dia 27 de junho, a Justiça determinou a internação provisória do adolescente por 45 dias no Degase, em São Fidélis (RJ), enquanto o caso segue em segredo de Justiça. A arma do crime foi encontrada na casa da avó, que pode tê-la retirado para proteger o neto ou por outro motivo.

Esse episódio trágico revela uma realidade alarmante, que remete às advertências das Escrituras sobre os últimos dias. Em 2 Timóteo 3:1-5, Paulo descreve tempos difíceis, em que as pessoas seriam “desobedientes aos pais”, “sem afeto natural” e “irreconciliáveis”. A frieza do adolescente e de sua namorada virtual, bem como sua declaração de que “faria tudo de novo”, refletem a deterioração moral prevista pela Bíblia, quando o amor de muitos se esfria por causa da multiplicação da iniquidade (Mateus 24:12).

Lições Espirituais:

1. O Inimigo Dentro de Casa

A Bíblia nos alerta que o pecado pode se manifestar até mesmo nos lares, como vemos desde o relato de Caim e Abel (Gênesis 4:8). Muitos casos de violência, inclusive contra crianças, ocorrem dentro do ambiente familiar. Isso nos lembra da necessidade de vigilância espiritual, da prática da oração, estudo e ensino da Palavra de Deus em nossos lares.

2. A Responsabilidade dos Pais na Educação

A Bíblia é clara ao afirmar que a educação dos filhos é responsabilidade dos pais (Deuteronômio 6:6-7). Contudo, muitos têm delegado essa tarefa à igreja, à escola ou até mesmo às redes sociais. A ausência de laços afetivos fortes, construídos por meio de tempo de qualidade em família, pode deixar os filhos vulneráveis a influências externas perigosas, como vimos nesse caso.

3. Os Perigos das Redes Sociais

O relacionamento virtual iniciado em jogos online expôs esse jovem a influências que culminaram em tragédia. As redes sociais, quando mal utilizadas, podem expor crianças a conteúdos impróprios, manipulação por predadores e ideologias destrutivas. A Bíblia nos exorta a sermos “simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes” (Mateus 10:16), especialmente ao lidar com o mundo digital.

4. Os “Filhos do Quarto”

Muitos filhos passam mais tempo com telas do que com seus pais. Vivem isolados, imersos em jogos e redes, desconectados do mundo real e da vida familiar — sem disciplina, sem limites, sem diálogo. Isso forma uma geração com dificuldades emocionais, espirituais e relacionais.

Diante disso, devemos fazer uma pergunta urgente: até quando permaneceremos frios, omissos, negligentes e indiferentes à decadência que avança sobre nossos lares?

Aplicação

Não ignore os sinais. Observe seus filhos, esteja presente, ore com eles, ensine-lhes a Palavra, discipline com amor e viva como exemplo. Supervisione o uso de suas redes sociais: o que postam, os perfis que seguem, com quem conversam etc. Isso é proteção! O ideal é que crianças nem tenham celulares.

Não permita que a tecnologia, a cultura ou o inimigo eduquem em seu lugar. Que o seu lar seja um oásis do céu em um mundo cada vez mais sombrio.

Oração

Querido Deus e Pai, que o Teu favor esteja sobre nossos lares. Ajuda-nos a educar nossos filhos no Teu temor, protegendo-os das influências malignas deste mundo. Que nossos corações sejam aquecidos pelo Teu amor, para que possamos valorizar nossos relacionamentos e viver em paz e unidade. Em nome de Jesus, amém.

sábado, 7 de junho de 2025

Mundo Sedutor, Pais Omissos

Quando o mundo discipula e os pais se calam: o perigo da omissão na criação dos filhos na era digital

Pai e filho
Imagem gerada por AI

Pr. Cleber Montes Moreira

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22:6)

Ao observar alguns perfis de crianças e adolescentes nas redes sociais — inclusive filhos de crentes —, é alarmante perceber o apego crescente a músicas de MCs, recheadas de linguagem obscena. Letras que promovem desobediência, promiscuidade e incentivo ao sexo precoce são cada vez mais comuns. Em uma postagem feita por um filho de crente, uma frase me chamou a atenção: “E se papai te perguntar se não tava comigo”. Além dos erros gramaticais presentes em toda a letra, essa frase carrega uma mensagem perversa: normaliza a mentira e o engano, promove a manipulação e mina a confiança entre pais e filhos.

Letras como essa não apenas ensinam a mentir e enganar, mas também exaltam uma visão hipersexualizada e objetificada das mulheres, incentivam a sensualidade precoce e romantizam figuras associadas ao crime. Na mesma música, a expressão “no Insta provoca” estimula adolescentes a buscarem validação social por meio de postagens sensuais, sedutoras e impulsivas nas redes sociais, levando a comportamentos provocantes e exposição indevida.

Tais conteúdos estão moldando a mente de nossas crianças e adolescentes, despertando neles desejos e comportamentos que contradizem completamente os valores cristãos. Satanás está prosperando em seu projeto de desconstrução da família e da sociedade, estabelecendo uma nova ordem moral e anticristã. E tudo isso com o consentimento silencioso — ou até omisso, para não dizer cumplicioso — de muitos pais cristãos. Podemos aplicar também, neste contexto, o ensino que diz: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17). E o Eterno cobrará muito caro dos pais que negligenciam seu dever!

A Palavra de Deus declara que os filhos são herança do Senhor (Salmos 127:3). Eles não pertencem ao Estado, nem à internet, nem ao sistema deste mundo. São nossa responsabilidade. O Senhor nos confiou a missão de ensiná-los, discipliná-los, corrigi-los, protegê-los e prepará-los, não apenas para a vida terrena, mas, sobretudo, para a eternidade.

Não sejamos pais ausentes ou omissos. Não deixemos que o diabo discipule nossos filhos enquanto nos distraímos com as ocupações da vida. O mundo está pronto para aliciá-los. E, se nós não os conduzirmos à verdade, alguém os conduzirá ao caminho da perdição.

Aplicação:

Pais, estejam atentos! Dediquem tempo para conhecer o que seus filhos consomem nas redes sociais e nas músicas que ouvem. Estabeleçam limites claros e conversem abertamente sobre os perigos de conteúdos que promovem imoralidade e desobediência. Ensinem seus filhos a buscar validação em Deus, e não na aprovação do mundo. Monitorem o uso de dispositivos eletrônicos com sabedoria, estabelecendo regras firmes e coerentes. E, acima de tudo, sejam exemplos vivos de santidade, pureza e temor ao Senhor. Seu testemunho falará mais alto do que qualquer correção verbal.

Oração:

Pai eterno, dá-nos sabedoria e coragem para educarmos nossos filhos segundo os Teus caminhos. Livra-os das armadilhas do mundo e guarda suas mentes e corações no Teu amor. Ajuda-nos a sermos pais vigilantes, firmes e cheios de graça, cumprindo com fidelidade o chamado que nos confiaste. Em nome de Jesus, amém.


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sábado, 17 de maio de 2025

Bonecos no Berço, Crianças no Lixo: Uma Exortação aos Pais Cristãos

“Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão.” (Salmos 127:3)

Bebê reborn
Imagem gerada por AI
Pr. Cleber Montes Moreira

Vivemos dias sombrios, em que a infância vem sendo alvo de ataques sistemáticos. A desconstrução da inocência infantil não compromete apenas o desenvolvimento de uma geração, mas ameaça os alicerces de toda a sociedade. Negligenciar essa realidade é plantar a semente de uma colheita amarga para o futuro.

A Palavra de Deus declara que “os filhos são herança do Senhor”. Isso significa que não nos pertencem, mas nos são confiados por Deus como um presente sagrado — um tesouro precioso que devemos amar, cuidar, proteger e educar no temor do Senhor. O salmista também os chama de galardão, ou seja, uma recompensa concedida por Deus. Contudo, em nossa geração, o que temos feito com esse presente?

Em vez de valorizá-los, muitos pais enxergam os filhos como um fardo. Eles interrompem planos, custam caro, exigem tempo e “atrapalham” a busca desenfreada por prazer, sucesso profissional e liberdade individual. O egoísmo cresceu — e com ele veio a terceirização dos cuidados e, tragicamente, do próprio amor. Avós, creches, escolas, igrejas e até dispositivos eletrônicos assumem o papel que deveria ser dos pais.

Entregar um celular a uma criança para que se acalme pode parecer prático, mas é uma das formas mais cruéis de negligência. O que parece inofensivo pode se tornar a porta de entrada para vícios digitais, sexualização precoce, distorção de valores morais e até exposição à exploração sexual. Observe: basta entregar um celular à criança e, logo, seu comportamento muda — e não para melhor. É um perigo real, que não pode ser ignorado.

Além disso, muitas escolas deixaram de ser espaços de ensino para se tornarem arenas de doutrinação ideológica. Valores absolutos são relativizados, o conceito de certo e errado é desconstruído, e os fundamentos da fé cristã são sistematicamente atacados. Promove-se uma “nova ordem moral”, que exalta a permissividade e a falsa liberdade, ao mesmo tempo em que zomba dos princípios bíblicos e tenta descredibilizá-los. Em algumas dessas instituições, datas como o Dia das Mães e o Dia dos Pais foram abolidas em nome de uma ressignificação imposta do conceito de família.

A decadência é visível. Conversas obscenas entre crianças, “namoros” infantis muitas vezes acalorados, redes sociais que facilitam encontros entre menores — ou entre menores e adultos — são apenas sintomas de uma sociedade que abandonou o temor de Deus. Já testemunhei crianças com pouco mais de dez anos trocando carícias à porta da escola, sem qualquer pudor, diante de adultos indiferentes. Há adolescentes dormindo na casa do(a) namorado(a), com o aval dos pais. O amor sacrificial, a autoridade e o zelo paterno desapareceram de muitos lares.

Enquanto isso, os lares se esvaziam de filhos e se enchem de animais e bonecos. A inversão é tamanha que, em muitos países, já há mais pets do que crianças. Os “pais de pet” celebram sua escolha com orgulho, enquanto a moda dos “bebês reborn” revela o nível de disfunção emocional da sociedade: bonecas de silicone com nomes, certidões de nascimento, exigência de lugares preferenciais em filas e ônibus, atendimento em hospitais, maternidades cenográficas e até creches destinadas a esses objetos. Esse é o retrato de uma geração adoecida, sem empatia, que foge de compromissos e relacionamentos reais e se afasta de Deus.

Enquanto os reborns recebem cuidados e carinho, crianças reais são abortadas, abusadas, negligenciadas, descartadas como lixo, lançadas aos lobos da internet, à pornografia e envenenadas pelo ensino da ideologia de gênero — um instrumento de desconstrução moral disfarçado de progresso — sendo entregues à indiferença e ao egoísmo de uma geração que perdeu o temor de Deus. Tudo isso revela que o culto a Moloque — o deus pagão a quem os filhos eram sacrificados — ainda é praticado, agora com novas roupagens e altares modernos.

A pergunta que se impõe é: como pais cristãos têm reagido a essa realidade? Temos seguido o fluxo cultural ou resistido à maré, firmados na Palavra de Deus? Temos tratado nossos filhos como a herança divina que são — ou como incômodos a serem administrados?

A Bíblia é clara quanto ao papel dos pais: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:6); “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4).

Cuidar de nossos filhos é uma missão intransferível. A igreja pode ajudar, mas a responsabilidade primária é dos pais. Filhos precisam de presença, ensino bíblico, correção amorosa, exemplos vivos de fé e ambientes saudáveis. Negligenciar essa missão é abrir mão do que Deus nos confiou — nossas joias mais preciosas.

Aplicação:

    • Pais, reflitam honestamente: que tempo, atenção, ensino e amor têm dedicado aos seus filhos?

    • Eles estão sendo criados no conhecimento e no temor do Senhor, ou estão sendo moldados pelo mundo e seus valores?

    • Lidam mais com a Palavra de Deus ou com os smartphones?

    • A cultura do Reino ou a cultura do descarte governa o seu lar?

A desconstrução da infância é uma realidade alarmante — mas pais tementes a Deus podem fazer a diferença, construindo lares edificados na Rocha e criando filhos para a glória de Deus.

Oração:

Pai eterno, agradecemos pelos filhos que nos deste como herança. Perdoa-nos pelas vezes em que os tratamos com indiferença ou egoísmo. Dá-nos sabedoria, coragem e amor para criá-los segundo a Tua vontade. Ajuda-nos a protegê-los do mal, a instruí-los com fidelidade e a não nos conformarmos com este mundo. Que nossos lares sejam refúgio seguro e escolas da fé. Em nome de Jesus, amém.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Demas e o Perigo de um Coração Dividido

“Porque Demas me abandonou, amando o presente século, e foi para Tessalônica…” (2 Timóteo 4:140)

Coração dividido
Imagem gerada por AI

Pr. Cleber Montes Moreira

A história de Demas é um alerta solene para todos nós. Por um tempo, ele caminhou ao lado de Paulo, sendo mencionado pelo apóstolo como cooperador em Colossenses 4:14 e Filemom 1:24, integrando seu círculo de amizade e confiança. Podemos dizer que Demas foi uma bênção, um precioso colaborador no avanço do evangelho, compartilhando os desafios e as vitórias do ministério. No entanto, algo mudou. Em 2 Timóteo 4:10, Paulo escreve com tristeza que Demas o abandonou, seduzido pelo “presente século”. O que aconteceu com aquele que antes parecia tão fiel?

A expressão “presente século”, na Bíblia, refere-se ao sistema mundano — uma sociedade corrompida, cujos valores e práticas se opõem ao evangelho e afrontam a Deus. Assim, Demas amou aquilo que todo cristão deveria rejeitar. Como nos adverte João, tudo o que há no mundo — “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” — não procede do Pai, mas do mundo (1 João 2:15-16). Demas fez sua escolha: preferiu o mundo à cruz. E quando alguém ama o “presente século”, sua mente, seus valores e seu comportamento são moldados por ele (Romanos 12:2).

Há muitas formas de amar o mundo. Hoje, vemos incontáveis pessoas que afirmam seguir a Cristo, mas vivem como incrédulos: envolvem-se em conversas fúteis, compartilham conteúdos imorais nas redes sociais, apreciam músicas de letras obscenas, consomem pornografia, frequentam lugares inadequados para um filho de Deus e mantêm amizades que os afastam da fé. O apóstolo Tiago nos adverte: “A amizade do mundo é inimizade contra Deus” (Tiago 4:4).

Esse amor pelo mundo também compromete os relacionamentos. Demas, que fora amigo e colaborador de Paulo, o abandonou justamente quando o apóstolo mais precisava. Quem ama o mundo acaba se afastando daqueles que verdadeiramente o amam, trocando a comunhão dos santos por companhias que o arrastam ao caminho da perdição. Como diz Provérbios 13:20: “O companheiro dos tolos será destruído.”

Além disso, quem se encanta pelo mundo geralmente fecha os ouvidos aos bons conselhos. Quantos rejeitam advertências amorosas por estarem presos aos prazeres terrenos? Sabem que estão errados, mas recusam-se a admitir. Demas não quis ouvir Paulo, e seu coração endurecido o afastou da fé.

Esse afastamento de Deus tornou o serviço cristão, que deveria ser um privilégio, um fardo. Até que, por fim, ele abandonou tudo. Amar o “presente século” revela a verdadeira condição espiritual de uma pessoa, pois a carne sempre se inclina para o pecado, como Paulo nos ensina em Gálatas 5:17. No final, quem se entrega ao mundo torna-se prisioneiro do diabo e praticante da sua vontade (2 Timóteo 2:26).

A história de Demas nos desafia: o que estamos amando? O efêmero ou o eterno? Que possamos ser como Paulo, que declarou: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor…” (Filipenses 3:8), lembrando que “passará o mundo e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2:17).

Oração:

Senhor, guarda-nos de amar o “presente século”. Que nossa alegria esteja em Te servir e viver em santidade. Dá-nos forças para rejeitar tudo o que não Te agrada e para permanecermos firmes na fé até o fim. Que jamais troquemos Tua presença pelos prazeres passageiros deste mundo, nem a comunhão com os salvos pelo caminho dos pecadores. Em nome de Jesus, amém.

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quarta-feira, 16 de outubro de 2024

A vitória que vence o mundo, a nossa fé

Fé e conflito: a batalha espiritual dos cristãos

Tentação
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Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1 João 5:4,5)

A fé é um dos conceitos mais importantes no cristianismo, descrita em Hebreus 11:1 como “o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem”. Entretanto, sua definição vai além dessa passagem, implicando uma confiança plena em Deus e nas Escrituras, resultando na entrega completa da vida a Cristo como Senhor e Salvador. Através dessa confiança, a fé guia o crente no mundo, transformando seus valores e sustentando sua esperança na eternidade.

Por outro lado, o “mundo” mencionado no texto bíblico refere-se ao sistema corrompido que se opõe a Deus, governado por Satanás, que trabalha contra Cristo e seus discípulos. Como alerta Jesus em João 15:18-19, o mundo odeia os salvos assim como odiou a Ele. Satanás, o “deus deste século”, cegou a mente dos incrédulos para que não enxerguem a luz do Evangelho (2 Coríntios 4:4), mantendo o mundo em trevas espirituais.

Esse embate entre o cristão e o mundo é descrito como uma guerra espiritual. Paulo, em Efésios 6:12, nos ensina que nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra forças espirituais da maldade que operam por trás das estruturas de poder deste mundo. Embora a batalha seja espiritual, suas manifestações ocorrem no plano físico, através de ideologias, sistemas políticos, econômicos, educacionais e culturais que moldam a mente humana. O diabo, por meio desses instrumentos, busca implantar valores contrários ao evangelho e subjugar as pessoas ao seu domínio.

Um dos exemplos dessa influência é a tentativa de reescrever valores morais fundamentais e desconstruir a ordem social, uma estratégia de Satanás para controlar o pensamento humano e criar uma Nova Ordem Moral que contradiz a Palavra de Deus. A mídia e os sistemas de ensino, especialmente as universidades, desempenham um papel importante nessa batalha, difundindo ideologias que corrompem a verdade. Nesse contexto, o cristão é chamado a lutar com as armas da verdade, sem se deixar influenciar pelas mentiras de Satanás.

Além disso, o voto do crente é uma ferramenta crucial nessa guerra. Quando alguém vota em um candidato ou partido cujas pautas se opõem aos princípios cristãos, ele está, ainda que inconscientemente, colaborando com o inimigo. A escolha política deve refletir os valores de Cristo, e um voto que não honra a Ele pode indicar ignorância ou mesmo falta de conversão genuína.

Somente o salvo pode vencer a guerra contra o mundo. 1 João 5:4 nos diz que “todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo”. O novo nascimento, descrito por Jesus em João 3:6, é um renascimento espiritual, e o regenerado tem uma nova mentalidade, orientada pelas Escrituras. Aqueles que nascem do Espírito não mais seguem os padrões desta sociedade corrompida, mas vivem segundo os valores do Reino de Deus.

O novo nascimento leva o crente a buscar as coisas do alto, como ensina Colossenses 3:1-3, e a ter a mente de Cristo, como Paulo descreve em 1 Coríntios 2:16. A vitória do crente sobre o mundo é tanto espiritual quanto moral. Ele é liberto da condenação do pecado e dos padrões corruptos do mundo, vivendo já aqui na Terra uma nova vida em Cristo, movida por uma nova consciência. Essa nova natureza é o que capacita o salvo a resistir às investidas do inimigo.

A arma que nos garante essa vitória é a fé. 1 João 5:4 afirma que “esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”. E essa fé está ancorada na consciência de quem é Jesus Cristo. Não se trata apenas de uma crença intelectual, mas de uma convicção profunda que transforma toda a vida do crente. A fé que vence o mundo é aquela que leva a pessoa a entregar-se totalmente ao senhorio de Cristo e a viver de acordo com Seus ensinamentos. O salvo não é moldado pelo mundo, mas pela Palavra de Deus, e, na dependência do Espírito Santo, permanece firme, mesmo diante das pressões e perseguições.

Portanto, aquele cuja fé está no Salvador não se conforma com os padrões do mundo, mas busca viver em santidade, resistindo à corrupção moral e espiritual que domina o sistema secular. Ele entende que sua luta não é fácil e que há um custo a ser pago. Seguir a Cristo significa carregar a cruz, estar disposto a enfrentar rejeições e até mesmo perdas. Contudo, Paulo nos lembra em Romanos 8:18 que as aflições deste tempo presente não se comparam com a glória que será revelada.

Estamos, de fato, em uma guerra contra um sistema que nos odeia e tenta destruir tudo o que Deus criou. Mas, como nos ensina 1 João 5:5, quem vence o mundo é aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus. Nossa vitória não vem de nossa própria força, mas da fé naquele que já venceu o mundo. Permanecemos no campo de batalha, armados com a verdade, lutando com os olhos fixos em Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé. E, ao perseverarmos nessa guerra espiritual, aguardamos confiantemente o dia em que estaremos com Ele, na plena vitória sobre o mundo e suas forças malignas. Pense nisso!

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Pecado é pecado

A verdade imutável em face da relativização moral: o pecado permanece, mesmo quando a sociedade o renomeia

Maçã bichada
Imagem gerada por AI

Pr. Cleber Montes Moreira

“Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes…”
(1 Coríntios 5:2)

É atribuída a um missionário na Índia a seguinte frase: “A tolerância tornou-se tão tolerante que o mal está incluído nessa tolerância. Corremos o risco de nos tornarmos ‘prostitutos morais’ para nosso conforto conveniente.”

A igreja em Corinto passou a tratar o pecado com naturalidade. Não havia lamento, não havia disciplina, não havia vergonha do erro, não havia arrependimento. Ensoberbecidos por uma falsa espiritualidade, a realidade daqueles irmãos é tratada como “uma familiaridade direta com o pecado em sua forma mais crua” (Beacon). Na Bíblia de Estudos de Genebra lemos que “é possível que os coríntios tivessem desenvolvido uma teologia que podia acomodar tal imoralidade” (o pecado mencionado por Paulo). A frase “pecado é não amar”, doutrina da Teologia Inclusiva, nos dá a dimensão do tempo em que vivemos.

Ainda que tentem ressignificar o termo para aplacar consciências, pensando biblicamente…

Pecado é pecado, mesmo que seja praticado quando “ninguém está vendo”.

Pecado é pecado, mesmo quando aqueles que veem fingem não ver.

Pecado é pecado, mesmo quando duas pessoas concordam em praticá-lo.

Pecado é pecado porque a Bíblia diz que o é, mesmo que seja uma prática considerada normal pela sociedade.

Pecado é pecado, mesmo que aquele que o pratica possa dormir sossegado.

Pecado é pecado, mesmo que não haja leis humanas que o proíbam.

Pecado é pecado, mesmo quando consiste em uma prática hedionda descriminalizada pelos homens.

Pecado é pecado, mesmo diante de uma “releitura” bíblica para validar sua prática.

Pecado é pecado, mesmo quando tolerado por certas “igrejas”.

Pecado é pecado, mesmo quando cometido “apenas” no coração.

Pecado é pecado, mesmo que feito com ou por “amor”.

Pecado é pecado, sempre foi e sempre o será.

Pecado é pecado, não importa o quanto prazer alguém tenha em praticá-lo.

O pecado continua sendo o muro que separa Deus dos não arrependidos (Isaías 59:2).

“Porque o salário do pecado é a morte…” (Romanos 6:23).

Pense nisso!

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Resistindo à religião moderna: equilíbrio e firmeza em meio ao relativismo moral

Ancorados na Verdade: a ética cristã diante do “amor” enganoso

Marca da besta
Imagem gerada por IA
Pr. Cleber Montes Moreira

“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!”
(Isaías 5:20)

Em uma decisão histórica, o Vaticano autorizou a bênção para “casais” homoafetivos. Embora a orientação contida em um documento autorizado pelo Papa Francisco, divulgado em 18 de dezembro (2023), esclareça que isso não altera a doutrina sobre o matrimônio e que os padres podem optar por não realizar o ritual, este é apenas um passo em direção à possível e talvez breve mudança dessa doutrina.

Também recentemente, uma família que se identifica como evangélica, em apoio a um membro que se vê como sendo do sexo oposto, participou de um evento esportivo em prol da “diversidade”, engajando-se em esforços pela aceitação daquilo que é condenado por Deus.

Em um vídeo postado em uma rede social, um rapaz celebra o que seria seu último Natal como menino, pois ele se prepara para realizar a sonhada cirurgia de mudança de sexo com o apoio de seus pais.

A Bíblia não nos ensina a rejeitar aqueles que praticam o pecado, mas sim a amá-los. No entanto, nunca devemos apoiá-los, nos alegrarmos ou nos conformarmos com suas práticas, pois elas conduzem à perdição. Tal atitude seria tão irracional quanto colaborar ou celebrar a morte de uma pessoa querida, pois é exatamente nisso que o pecado resulta: “Porque o salário do pecado é a morte…” (Romanos 6:23). Cooperar com as práticas daqueles que estão em pecado é comparável a ajudar alguém em sua intenção suicida. Um pai, uma mãe, um irmão, um amigo que se envolve nisso pode ser chamado por outro nome: homicida!

Pelas palavras do profeta Isaías, Deus é claro e firme em sua exortação: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20). No entanto, este é precisamente o comportamento crescente neste tempo de relativismo moral e inversão de valores, em que a criatura desafia o Criador.

Não aceitar como fomos criados é rebeldia; é afirmar que o Eterno errou. Buscar mudar isso é fazer a vontade daquele que se opõe à obra divina, é render-se ao plano de Satanás, contrariando a Palavra que diz que fomos feitos à imagem, conforme a semelhança do Criador (Gênesis 1:26).

A marca da besta — o “novo pensamento” moldado pela Nova Ordem Mundial — tem sido implantada com sucesso com a ajuda da grande mídia e dos sistemas políticos em geral. Quem ousa discordar corre o risco do “cancelamento”.

Em tempos de confusão e relativismo moral, devemos estar ancorados na imutável e inabalável Palavra de Deus. O que a Bíblia chama de pecado, é pecado, ponto final, independentemente do que a sociedade chame. O discurso moderno sobre amor e tolerância é, na realidade, a nova religião mundial que dá ao pecador a falsa sensação de estar bem com Deus, quando, na verdade, está caminhando para a eternidade sem Ele.

O sábio afirma que “melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto” (Provérbios 27:5). Alguns diriam que é mais fácil amar do que repreender, ou “não julgueis”; mas que amor é esse que não aponta o erro, que não adverte do perigo, que não busca desviar alguém do caminho da morte? Eis aqui a estratégia bem-sucedida de Satanás: nada é pior do que o “amor” da religião moderna, pois é permissivo, complacente e enganoso ao ocultar a verdade e ao mesmo tempo aplacar consciências. Pense nisso!


sábado, 8 de julho de 2023

O normal do mundo versus o normal de Deus

A nova moralidade e o desafio de vivermos segundo o padrão divino

peixes mortos peixe vivo
Imagem: Peixes mortos versus peixe vivo
Pr. Cleber Montes Moreira

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)

Na frase “não vos conformeis com este mundo”, Paulo emprega o verbo grego syschêmatizomai, que significa “conformar-se”, o qual vem do substantivo schêma, que significa “forma”. Assim, ele está essencialmente advertindo os crentes a não se moldarem à maneira de ser deste mundo, a não se adaptarem ao padrão secular. Na Bíblia Versão Almeida Século 21, lemos assim: “E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Estamos cada vez mais expostos a influências negativas e propagandas que nos incentivam a adotar um novo padrão contrário aos princípios divinos. Especialmente nossas crianças têm sido alvo de ativistas ideológicos que buscam influenciar suas mentes de acordo com uma nova moralidade. Os “poderes” deste mundo trabalham para que você se ajuste ao “padrão” desse novo estado de normalidade. Eles esperam que você aceite como algo comum toda forma de perversão sexual, o aborto, os esquemas de corrupção na política, uma religiosidade focada no homem e todas as formas de inversão de valores.

Há diante de nós duas disposições possíveis: entrarmos no “esquema do mundo” ou sermos transformados pela renovação do conhecimento da Palavra de Deus; a vivermos o “normal do mundo”, ou o normal de Deus.

Tenhamos em mente que “tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência” (1 João 2:16,17). O mundo está em derrocada; “todo o mundo está no maligno” (1 João 5:19). Apegar-se ao mundo é apegar-se ao caos.

Como salvos, somos chamados a viver em oposição ao “normal do mundo” e a oferecer nossas vidas como um sacrifício vivo, santo e agradável a Ele. Isso tem um preço elevado (Apocalipse 13:11-18), mas também uma recompensa de valor imensurável. Pense nisso!

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Festas juninas e a identidade cristã

Celebrações juninas: Tradição versus convicção

Arraiá missionário
Imagem: Freepik
Pr. Cleber Montes Moreira

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.”
(1 Coríntios 10:23)

Certa ocasião, enquanto conversava com um engenheiro responsável por um projeto na igreja, ele relatou sua experiência em um sítio de uma igreja evangélica. Tratava-se de uma área ampla, com uma estrutura muito boa, onde a igreja se reunia para cultos, esportes e outras atividades. Houve uma festa realizada lá, na qual os fiéis, vestidos com roupas xadrez, chapéus de palha e rostos pintados, participaram de várias brincadeiras e dançaram quadrilha. O engenheiro esteve presente e comentou: “Nunca vi uma festa junina tão boa!”.

Apesar de o homem ter gostado da festa, o que destaco aqui é que ele a comparou com outras festas juninas, que são festas religiosas, colocando os evangélicos no mesmo patamar dos católicos. Não é surpreendente que ele tenha rebaixado tanto os crentes (mesmo sem saber), pois, infelizmente, há evangélicos que tratam os católicos como irmãos em Cristo, corroborando a ideia de que “são todos iguais”.

As chamadas festas juninas, que também ocorrem em julho e agosto, incluem várias tradições culturais, como vestimentas típicas, danças, comidas características, fogueiras e diversas brincadeiras. Essas festas surgiram para celebrar os santos, especialmente São João. A pergunta que muitos insistem em fazer é: os crentes podem participar das festas juninas?

A festa junina não glorifica a Deus, pois seu objetivo principal é celebrar os santos católicos.

A festa junina não faz bem aos salvos, pois rebaixa sua imagem àqueles cujo culto é idolátrico.

A festa junina é um péssimo testemunho, pois escandaliza.

Os salvos são um povo alegre e devem celebrar, mas não há razão para comemorar festas juninas, já que podem realizar festas diferentes que não os associem a outras práticas religiosas.

O pastor e escritor Renato Vargens escreveu um artigo muito interessante, intitulado “4 razões porque festas juninas evangélicas são sincréticas e afrontam a Deus” 1, que resumo a seguir:

(1) O background histórico das festas juninas são idólatras, no qual o objetivo final é venerar os chamados “santos católicos”.

(2) Ao criarmos uma festa junina evangélica, sem que percebamos, estamos contribuindo com a sincretização do evangelho.

(3) A participação, bem como organização de festas juninas por parte dos cristãos aponta efetivamente para a “mundanização” da Igreja.

(4) Festa Junina não é evangelismo. Festa junina é paganismo. No afã de evangelizar, parte dos evangélicos têm se aproximado de conceitos anticristãos, negociando assim, valores que jamais deveriam ser negociados.

Termino dizendo que o cristianismo não é uma religião de proibições, mas de convicções. Embora não sejamos proibidos de nada, nossa mente deve ser guiada pelo Espírito Santo, que nos conduz segundo as Santas Escrituras. Por isso, temos a convicção de que “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (1 Coríntios 10:23). Pense nisso!

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quinta-feira, 22 de junho de 2023

Pecado é pecado

O significado bíblico do pecado em contraste com a busca pelo “conforto conveniente”

Maçã podre
Imagem gerada por IA
Pr. Cleber Montes Moreira

“Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes…”
(1 Coríntios 5:2)

É atribuída a um missionário na Índia a seguinte frase: “A tolerância tornou-se tão tolerante que o mal está incluído nessa tolerância. Corremos o risco de nos tornarmos ‘prostitutos morais’ para nosso conforto conveniente.”

A igreja em Corinto passou a tratar o pecado com naturalidade. Não havia lamento, não havia disciplina, não havia vergonha do erro, não havia arrependimento. Ensoberbecidos por uma falsa espiritualidade, a realidade daqueles irmãos é tratada como “uma familiaridade direta com o pecado em sua forma mais crua” (Beacon). Na Bíblia de Estudos de Genebra lemos que “é possível que os coríntios tivessem desenvolvido uma teologia que podia acomodar tal imoralidade” (o pecado mencionado por Paulo). A frase “pecado é não amar”, doutrina da Teologia Inclusiva, nos dá a dimensão do tempo em que vivemos.

Ainda que tentem ressignificar o termo para aplacar consciências, pensando biblicamente…

Pecado é pecado, mesmo que seja praticado quando “ninguém está vendo”.

Pecado é pecado, mesmo quando aqueles que veem fingem não ver.

Pecado é pecado, mesmo quando duas pessoas concordam em praticá-lo.

Pecado é pecado porque a Bíblia diz que o é, mesmo que seja uma prática considerada normal pela sociedade.

Pecado é pecado, mesmo que aquele que o pratica possa dormir sossegado.

Pecado é pecado, mesmo que não haja leis humanas que o proíbam.

Pecado é pecado, mesmo quando consiste em uma prática hedionda descriminalizada pelos homens.

Pecado é pecado, mesmo diante de uma “releitura” bíblica para validar sua prática.

Pecado é pecado, mesmo quando tolerado por certas “igrejas”.

Pecado é pecado, mesmo quando cometido “apenas” no coração.

Pecado é pecado, mesmo que feito com ou por “amor”.

Pecado é pecado, sempre foi e sempre o será.

Pecado é pecado, não importa o quanto prazer alguém tenha em praticá-lo.

O pecado continua sendo o muro que separa Deus dos não arrependidos (Isaías 59:2).

“Porque o salário do pecado é a morte…” (Romanos 6:23).

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

O vínculo entre o membro e a igreja

Se você decidiu ser membro de alguma igreja por entender que a mensagem por ela transmitida é fiel à Palavra de Deus, parabéns, mas se o motivo foi outro, precisa repensar as bases deste vínculo e a sua própria fé

Bíblia
Imagem: Pixabay
Pr. Cleber Montes Moreira

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns…”
(Hebreus 10:25)

Tenho refletido bastante sobre o que determina o vínculo entre o membro e a igreja à que pertence, e percebo que a resposta não se baseia mais na convicção bíblica nem na fidelidade doutrinária. Pessoas há que já não escolhem pertencer a uma igreja pela confiança de que sua mensagem seja fiel à Bíblia. A coerência entre a pregação e as Escrituras já não é determinante na hora de se filiar a uma igreja ou denominação. Infelizmente este vínculo se estabelece por outros motivos e/ou interesses como, por exemplo, sensação de bem-estar, falso avivamento, louvor extravagante, entretenimento, púlpito “politicamente correto”, promessa de prosperidade, emocionismo, experiencialismo etc. Além disso há os que se tornam membros de igrejas por causa de vínculos pessoais de parentesco ou de amizade. É comum um rapaz ou moça se casar com alguém de outra fé e trocar de denominação. Há os que mudam de endereço e tornam-se membros de alguma igreja de outra fé tão somente pela localização próxima de suas residências. A razão já não é a Bíblia, mas outros fatores que são colocados acima da fidelidade aos ensinos e valores do evangelho.

Por falta de conteúdo e base bíblica, muitos cultivam o pensamento de que as denominações evangélicas são todas iguais. “O importante é servir a Deus, não importa em que igreja”; “Deus está em todo lugar” — dizem. Tal pensamento nos revela que há crentes que vivem uma crise de identidade, moldados em um ambiente em que impera o chamado “evangelho antropocêntrico”, ditando a conduta e as escolhas de membros itinerantes num universo sem fronteiras éticas e doutrinárias, em que princípios são relativizados.

Em função da decadência espiritual, de princípio e de valores das igrejas secularizadas, as que se orientam pelo ensino bíblico estão sofrendo uma onda de evasão. As congregações que não contemplam os interesses pessoais dos (in)fiéis, que não cativam a ‘clientela’ com eventos e espetáculos, que não adotam a falsa contextualização, nem ressignificam as Escrituras para suavizar a mensagem da cruz tendem a perder membros para as que assim fazem. O próprio Jesus, cuja mensagem não era “politicamente correta”, que denunciava o pecado e a necessidade de arrependimento, ao se declarar como o Pão da vida em vez de ofertar o pão material, ou seja, atender às demandas da plateia, foi abandonado por muitos ouvintes ainda inconversos: “Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?”, e “Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele” (João 6:60,66).

Você já se perguntou sobre a razão pela qual é membro de sua igreja? Ou, em que se baseia seu vínculo com sua igreja? Ou ainda, "por que sou batista"?

É urgente resgatarmos o espírito dos crentes bereanos que se guiavam pela Palavra de Deus "examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" (Atos 17.11).

Se você decidiu ser membro de alguma igreja por entender que a mensagem por ela transmitida é fiel à Palavra de Deus, parabéns, mas se o motivo foi outro, precisa repensar as bases deste vínculo e a sua própria fé.


Em 13 de agosto de 2010.
Atualizado em 27 de dezembro de 2022

sábado, 25 de junho de 2022

A Caixinha

Para ser aceito na sociedade da Nova Ordem Mundial, você precisa pensar fora da “caixinha” e se livrar das amarras do moralismo arcaico que impede o progresso

Caixinha
Imagem: Unsplash
Pr. Cleber Montes Moreira

Texto Atualizado

“E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas…” (Leia Apocalipse 13:16-18)

Nestes dias tão conturbados querem nos proibir de pensar: autoridades constituídas, líderes religiosos, influenciadores e especialistas midiáticos, dentre outras forças, algumas “ocultas”, querem proibir qualquer pensamento e/ou expressão antagônica ao “novo moralismo” que tentam nos impor. Não é sem motivo que alguns se apresentam como “editores da sociedade”. Quem ousa desafiar tal proibição é “intolerante”, “hipócrita”, “fariseu”, “preconceituoso”, “racista”, “fascista”, “misógino”, “xenofóbico”, “negacionista” etc. Palavras de ordem em defesa da desordem que querem instaurar.

Para ser aceito na sociedade da Nova Ordem Mundial, você precisa pensar fora da “caixinha”. Esta “caixinha” pode ser a Bíblia, uma tradição familiar, os “bons costumes”, ou qualquer sistema considerado conservador. Você precisa se livrar das amarras do moralismo arcaico que impede o progresso. Mas cuidado, não saia por aí pensando por conta própria, isso é perigoso. Junte-se àqueles que te ajudarão neste novo processo de aprendizagem do ‘pensamento’. Por isso, ao sair da velha “caixa” você deverá entrar naquela que comporta outros valores — isso porque ninguém pensa fora da caixa, apenas escolhe a sua. Para ser livre e sentir-se acolhido você deverá vestir a camisa da ideologia e se juntar aos novos companheiros de militância. Nesta nova “caixinha” vigora uma cartilha na qual você aprende que todos que ousam pensar diferente são inimigos, e você deve enfrentá-los com suas novas armas. Se, por exemplo, aqueles que permanecem na velha “caixa”, sob os mesmos velhos e falsos argumentos, se manifestarem contra o aborto, acuse-os de “radicais” e “violentos”. E se a mulher a abortar — ainda que sob o grito de terceiros: “meu corpo minhas regras” — for uma menina de apenas 11 anos, engravidada por um namoradinho de 13 anos, e o bebê já for de 27 semanas, diga que é para proteger a vida dela. E mesmo que o procedimento seja um risco para a gestante e uma sentença de morte contra um inocente e indefeso, descarte a razão: você não tem autoridade, nem foi programado para raciocinar. Aos questionadores moralistas explique que você não está defendendo o aborto, mas que neste caso ele é necessário, que não se trata de feticídio, pois o feto, mesmo em condições de sobreviver fora do útero, ainda não tem consciência — ele não é como um ovo de tartaruga; é apenas um ‘parasita’. Denuncie os médicos que se recusarem a aplicar a solução letal no pequeno ‘amontoado de células’; diga que deveriam ser enquadrados por uma nova lei, a do “não exercício legal da profissão”, e exalte aqueles que cumprirem o seu dever em “defesa da vida” — mesmo que nenhuma vida precisasse ser sacrificada. Se disserem que “Deus é contra a matança de inocentes”, fundamente sua contra-argumentação no novo evangelho, fale sobre a “lei do amor”, cite os teólogos progressistas e discorra sobre os sagrados “direitos reprodutivos das mulheres”. Se insistirem, diga que servem a um deus intransigente, impiedoso, assassino… Se defenderem a família, acuse-os de “defensores da moral e dos bons costumes” — uma outra expressão para “caretas”, “antiquados”, “falsos moralistas” etc. Afinal, o culto a moloque não pode ser interrompido por um bando de histéricos. E se você odiá-los, não se preocupe, esse é o “ódio do bem”.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

O perigo do cristianismo progressista e seu falso evangelho

Franklin Graham: Por décadas, uma guerra tem sido travada contra o cristianismo bíblico que está sob o nome aparentemente inocente de “cristianismo progressista”

cristianismo progressista
Imagem: Sharon McCutcheon no Unsplash

Pr. Cleber Montes Moreira

“Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos […]. Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador…” (Leia Romanos 1:21-25)

 

Em artigo publicado no site da Revista “Decision Magazine”1, o pastor Franklin Graham fez uma dura denúncia contra o movimento evangélico progressista que, segundo ele, por décadas tem travado uma guerra contra o cristianismo bíblico. Ele ainda afirmou que este movimento “surgiu nos salões dos seminários, se infiltrou nos púlpitos de milhares de igrejas e foi propagado por uma mídia liberal ímpia”, e que “está empenhado em lançar dúvidas e minar os princípios fundamentais da Palavra de Deus”.

De fato, este alerta nos faz lembrar dos escritos de Judas e Pedro, bem como confirma que a Palavra de Deus se cumpre com exatidão: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” (Judas 1:4); “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pedro 2:1,2). Como bem disse o pastor e jornalista Eguinaldo Hélio Souza ao denunciar o modus operandi do cristianismo progressista, “a melhor maneira de destruir o evangelho é produzir um evangelho que não é o evangelho. O nome permanece, mas toda a essência é retirada”.

Com uma postura crítica e revisionista da teologia tradicional e da fé cristã, os progressistas apresentam um “evangelho” destoante da revelação de Deus nas Escrituras, palatável para aqueles que não suportam a sã doutrina (2 Timóteo 4:3) e que buscam conciliar vida carnal e religiosidade a fim de aplacarem suas consciências em relação ao pecado e ao juízo divino. Aliás, pecado e juízo são palavras ‘politicamente incorretas’, ofensivas e fora de moda, assim como inferno, doutrina, santidade e outras. Alguns termos, quando usados, podem apresentar conceitos e definições distintos de seus significados originais. Os proclamadores deste “evangelho” empacotado preferem adotar em seus discursos palavras como “amor”, “justiça social”, “tolerância”, “igualdade”, “diversidade” e “coletividade” dentre outras. Com discursos polidos e atrativos, trabalham para fundamentar ou reafirmar seus pressupostos antibíblicos por meio do que podemos chamar malabarismo ou contorcionismo teológico. Aqueles textos das Escrituras que não conseguem reinterpretar ou ressignificar, logo classificam como interditivos e/ou como parte de uma cultura patriarcal, machista, preconceituosa etc. Assim é que, embora utilizem a Bíblia, na prática, por relativizarem seus ensinos, negam sua inspiração, infabibilidade e suficiência.

No documento “Guia de Estudo: 8 pontos do Cristianismo Progressivo”, que pode ser baixado no Portal Progressive Chistianity, lemos que “os ensinamentos de Jesus fornecem apenas uma das muitas maneiras de experimentar a sacralidade e a unidade da vida, e que podemos extrair de diversas fontes sabedoria para nossa jornada espiritual”2 (tradução livre). Em outras palavras, a Bíblia é rejeitada como a “única regra de fé e prática” e colocada em igualdade com qualquer outra fonte de conhecimento. Neste guia os leitores ainda são encorajados a procurarem uma comunidade que inclua todas as pessoas: cristãos convencionais, céticos questionadores, agnósticos, pessoas de todas as classes e habilidades, pessoas de todas as orientações sexuais e identidades de gênero.

Por se tratar de um evangelho liberal, negar o pecado em termos bíblicos e difundir o universalismo, os cristãos progressistas acabam por repudiar a obra expiatória de Cristo na cruz — afinal, se não há pecado, e se Deus salvará a todos, a cruz já não tem sentido.

A afirmação da Reverenda progressista Irene Monroe, no Portal Progressive Chistianity, demonstra qual a crença progressista sobre a ressurreição do Senhor: “A ressurreição física de Jesus de sua crucificação é uma narrativa enquadrada na literatura apocalíptica judaica e cristã como metafórica e mística. Eu prego sobre a ressurreição de Jesus como uma forma de examinar as injustiças sociais que confrontam pessoas marginalizadas e desprivilegiadas. Para mim, as injustiças sociais são um pecado.” Mais adiante ela declara: “Muitos cristãos não percebem que com a visão clássica da cruz defendida por muitos conservadores como a exaltação de Jesus como homem, Jesus como branco e Jesus como heterossexual, essa visão desencoraja a solidariedade entre diversos grupos de pessoas que sofrem.”3 Deste entendimento decorrem as várias manifestações do Cristo como preto, mulher, transexual, índio etc. Lembro que em 2020 a Escola de Samba Mangueira, sob aplausos e participação de cristãos progressistas, levou à Sapucaí várias versões de Jesus Cristo: Negro, índio, mulher e LGBT4. Em 2015, durante a 19ª edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de São Paulo, uma transexual representou Jesus na cruz5. Assim, não apenas a Bíblia é ressignificada, seus valores relativizados, mas a própria pessoa do Senhor ganha várias versões num esforço claro para a desconstrução não apenas de valores, mas da própria imagem de Deus: “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível…” (Romanos 1:23).

Em geral, ainda que alguns neguem, explicitamente ou não, na prática os cristãos progressistas defendem, dentre outras coisas:

  • outras fontes orientadoras e basilares para a fé e prática além da Bíblia;
  • a contextualização (revisionismo) das Escrituras;
  • a “descolonização” da teologia;
  • o ecumenismo;
  • a descriminalização do aborto;
  • a descriminalização das drogas;
  • a redefinição do conceito de família;
  • a ideologia de gênero;
  • o ingresso de LGBTQIA+ na membresia das igrejas;
  • uniões homoafetivas (alguns defendem até mesmo as uniões poliafetivas);
  • o uso da “linguagem neutra”;
  • a defesa das “minorias”;
  • pautas feministas;
  • o combate ao que chamam “masculinidade tóxica”;
  • o combate ao que chamam “racismo estrutural” na igreja;
  • um cristianismo sem regras em que o “amor” seja a única doutrina;
  • o universalismo: doutrina da reconciliação universal — a crença de que todos serão salvos;
  • o alinhamento político com a esquerda.

Os críticos dos cristãos progressistas são geralmente chamados por eles, dentre outras coisas, de “intolerantes” e “fundamentalistas”, entretanto, eles mesmos se fazem intolerantes e radicalizam seus discursos contra aqueles que conservam os valores da Palavra de Deus. Não é incomum a manifestação do “ódio do bem” contra conservadores por causa de suas posições bíblicas.

Em seu artigo, Franklin Graham nos lembra da exortação paulina: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gálatas 1:8). Entre os crentes da Galácia alguns queriam “transtornar o evangelho de Cristo” (v.7), provocando inquietação por meio de um “ensino poluído”. Embora o contexto nos revele que tal exortação tinha como alvo combater aqueles que queriam levar os salvos de volta ao legalismo judaico, o princípio aqui estabelecido serve para desautorizar e repelir qualquer falso ensino, inclusive o chamado “cristianismo progressivo”, que de cristianismo não tem nada. Por proclamar um falso evangelho, como bem afirmou Graham, o cristianismo progressista pode conduzir pessoas para o inferno.

Os cristãos progressistas, por causa de seus discursos politicamente correto e alinhamento político, têm cada vez mais ocupado espaço na mídia secular onde difundem sua “teologia”, bem como atacam a fé tradicional. Além disso estão infiltrados nas denominações históricas, seja ensinando em seminários, no pastoreio de igrejas, especialmente no pastoreio de jovens, em cargos e comissões nas estruturas denominacionais, e em outras posições estratégicas, o que compromete o futuro das próximas gerações. Diante desta realidade é urgente que os filhos de Deus, em especial os líderes, ajam com zelo e rigor contra aqueles que promovem divisões e desvios entre o povo de Deus, primeiramente por meio do ensino bíblico saudável, depois resistindo e afastando do rebanho os lobos travestidos de ovelhas: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” (Romanos 16:17,18); “Destes afasta-te” (2 Timóteo 3:5); “Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (2 João 1:10,11).


1 https://decisionmagazine.com/franklin-graham-the-eternal-peril-of-progressive-christianity/
2 https://progressivechristianity.org/resources/study-guide-for-the-8-points-of-progressive-christianity-2012-pdf-download/
3 https://progressivechristianity.org/resources/do-you-believe-in-the-resurrection/
4 https://oglobo.globo.com/cultura/representacoes-de-jesus-trans-negro-mulher-geram-embate-entre-fe-liberdade-de-expressao-1-24210576
5 http://www.marechalnoticias.com.br/noticias/geral/transexual-seminu-imitando-jesus-cristo-cruscificado-em-parada-gay-provoca-revolta/

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