A Palavra: Perseverança
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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Buscando os Desviados: Salvando Almas da Morte

“Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que converter um pecador do erro do seu caminho, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.” (Tiago 5:19,20)

evangelização
Imagem gerada por AI

Pr. Cleber Montes Moreira

Após abordar temas como a paciência nas provações, a importância da oração e o cuidado com os enfermos, Tiago conclui sua epístola voltando-se à responsabilidade mútua dentro da igreja, com foco especial na restauração daqueles que se desviam da verdade.

Jesus é a verdade (João 14:6). Portanto, desviar-se da verdade é afastar-se dEle. Tal desvio pode ocorrer tanto no abandono da sã doutrina quanto na queda moral. Quem se afasta da Palavra de Deus inevitavelmente também se distancia do padrão de santidade exigido pelo evangelho. O próprio Senhor afirmou: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Conhecer a Deus não é apenas ter informações corretas sobre Ele ou dominar as Escrituras, mas viver em comunhão com Ele por meio de uma fé viva — frutífera e operante.

Infelizmente, não é raro que alguns, dentre nós, se afastem de Deus e da comunhão com a igreja. Uns vacilam na fé e caem em armadilhas; outros são seduzidos pelos encantos deste mundo ou pelos enganos de falsos evangelhos. Há ainda aqueles que caminham conosco, mas nunca nasceram de novo.

Se alguém entre nós se tem desviado da verdade, nossa responsabilidade é conduzi-lo de volta — não com julgamento implacável, mas com amor, firmeza e compaixão. Tiago declara que aquele que fizer “converter um pecador do erro do seu caminho, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados” (v. 20). A restauração dos desviados não é missão exclusiva do pastor ou dos diáconos, mas responsabilidade de todo o corpo de Cristo. E a pergunta que nos confronta é: como temos reagido diante dos que se afastam? Com amor sacrificial ou com indiferença? Com oração e ação ou com descaso? Ou estamos simplesmente ocupados demais?

Uma das coisas que mais me entristecem no contexto da igreja é a facilidade com que desistimos das pessoas. Enquanto nós desistimos, o diabo trabalha; enquanto somos indiferentes, o mundo acolhe; enquanto não buscamos a ovelha desgarrada, o inimigo lhe apresenta convites sedutores; enquanto não nos compadecemos, o lobo voraz está à espreita.

Tenho vivido situações em que peço ajuda a irmãos para trazer de volta alguns que se afastaram. Uma das desculpas mais comuns é: “não tenho tempo”. Mas não ter tempo para “salvar da morte uma alma” é um sintoma trágico da frieza espiritual que tem contaminado a igreja. A falta de empatia revela a ausência de amor genuíno e uma conformidade com a indiferença praticada por um mundo sem Deus.

É claro que não somos nós quem convertemos os pecadores — isso é obra do Espírito Santo. Mas Deus nos chama para sermos instrumentos em Suas mãos. E, se nos recusamos a participar de algo tão importante e urgente, não seríamos nós mesmos os que precisam de conversão? Não seria essa indisposição um sinal de que também estamos desviados da verdade?

Quantos desviados da fé você conhece? Quantos você tem buscado? E se você escolhesse um deles para orar e agir com perseverança, será que Deus não poderia usá-lo como canal de restauração?

Aplicação:

Não ignore aqueles que se afastaram da fé. Em vez de criticá-los ou esquecê-los, seja um instrumento de reconciliação. Ore por eles, vá ao encontro, insista em amor. Você pode ser a pessoa que Deus usará para salvar uma alma da morte espiritual. Faça disso um compromisso: escolha um nome, dobre os joelhos, estenda a mão e persevere em amor.

Oração:

Senhor, dá-me um coração compassivo e sensível aos que se desviaram dos Teus caminhos. Usa-me como instrumento de restauração, com amor, sabedoria e perseverança. Que eu nunca me conforme com a perda de uma alma. Em nome de Jesus, amém.


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sábado, 5 de abril de 2025

A Volta de Cristo: Nossa Viva Esperança!

“E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” (Atos 1:10,11)

Céu
Imagem criada por AI
Pr. Cleber Montes Moreira

A doutrina da volta de Cristo tem sido relegada ao esquecimento em muitos púlpitos contemporâneos. Trocaram a viva esperança por palavras de autoajuda, promessas de prosperidade e mensagens centradas no homem. O resultado? Crentes fracos na fé, igrejas frágeis diante das tentações do mundo, envolvidas com uma agenda secular, e uma geração que se esqueceu de olhar para o alto, aguardando o retorno glorioso do Senhor Jesus.

Infelizmente, até mesmo a arquitetura dos templos — com paredes pretas, ambientes escuros e introspectivos — parece refletir esse distanciamento da luz da verdade. Sermões emocionalistas, com fundo musical cuidadosamente escolhido, apelam mais para sentimentos passageiros do que para o arrependimento e a vida de santidade. Pregadores que já não olham nos olhos de seus ouvintes tornaram-se meros motivadores (coaches), profetas da autoajuda. E o que deveria ser uma mensagem urgente — “Jesus voltará!” — é tratada com suavidade e superficialidade.

A Palavra nos adverte sobre esse tempo: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Timóteo 4:3-4).

Essa é a realidade que temos visto. A verdade é trocada por fábulas convenientes. A cruz é substituída pelo conforto. A eternidade é abafada por promessas terrenas. E a esperança em Cristo acaba restrita apenas a esta vida. Mas, “se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:19).

No entanto, a volta do Salvador deve ser a âncora da nossa esperança. Ela nos impulsiona à santidade, nos sustenta em meio à dor, nos fortalece diante da perseguição e nos enche de alegria ao servir ao Senhor.

É o futuro glorioso que define nosso presente propósito.

A igreja precisa voltar a falar sobre isso! A bendita esperança não pode ser um assunto eventual, mas uma constante proclamação, uma conversa cotidiana, a motivação diária dos redimidos. Nada deve nos alegrar mais do que saber que veremos face a face Aquele que nos amou e se entregou por nós.

Portanto, vivamos “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13 ).

Aplicação:

Pergunte-se:

    • O quanto você tem vivido com os olhos na eternidade?

    • Suas prioridades revelam alguém que espera ansiosamente pela volta do Senhor?

    • Você tem falado sobre esse dia glorioso com sua família, com seus irmãos em Cristo, com os perdidos?

Lembre-se: não existe evangelho sem a proclamação da volta do Senhor.

E não existe vida cristã sadia sem a expectativa viva de reencontrar o Salvador.


Oração:

Querido Pai, desperta o meu coração para a volta do Senhor Jesus.

Que essa gloriosa esperança governe minhas escolhas, me motive à santidade, me firme na fé e me leve a proclamar com ousadia a Tua Palavra.

Livra-me das distrações deste mundo e das mensagens suaves que me afastam da cruz.

Ensina-me a viver todos os dias como alguém que aguarda o Rei.

Em nome de Jesus, amém.



sábado, 14 de dezembro de 2024

Nossa fervorosa constância

Fé Persistente: Um Chamado à Perseverança

Orando
Imagem: Freepik

Pr. Cleber Montes Moreira

“E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer.”
(Lucas 18:1 — Leia os versos de 1 a 8)

Jônatas era ainda bem pequeno quando me perguntou: “Pai, a gente deve tentar sempre e nunca desistir, não é?” Indaguei: “Onde você aprendeu isso?” Ele disse ter escutado num desenho animado da TV.

As crianças conseguem aprender lições tão valiosas que, muitas vezes, nós, adultos, negligenciamos. Há muitos conselhos sábios sobre a vida. Nós os encontramos principalmente na Palavra de Deus, mas também os ouvimos de pessoas experientes, dos pais, de amigos, etc. Contudo, acolhemos muito pouco daquilo que merece nossa atenção.

Michael Jeffrey Jordan, ex-jogador profissional de basquetebol norte-americano, disse: “Eu perdi mais de 9 mil arremessos livres em minha carreira. Eu perdi quase 300 jogos. Em 26 vezes eu tive a bola do jogo e perdi. Eu falhei uma e outra vez em minha vida. E é por isso que eu consegui.” Ele conseguiu porque não desistiu. Chamamos isso de perseverança!

Luiz Mattar, empresário e ex-tenista profissional brasileiro, nos ensina: “Muitas vezes a vida não é justa, e a gente aprende muito isso no esporte. Na empresa, eu falo sempre: ‘Ok, não fomos bem, mas temos a semana que vem.’ A semana que vem te coloca de volta no jogo. Como esportista e como empreendedor, não podemos só lamentar o passado. Temos que aprender com os tropeços e olhar para frente.”

Em muitos casos, fracassamos devido ao desânimo e pessimismo. Quem perde o ânimo, perde a chance de mudar e avançar. É por isso que devemos cultivar a perseverança. Ela é necessária em todas as áreas de nossa vida: nos estudos, na carreira profissional, nos negócios, na busca de soluções, nas relações interpessoais, nas questões familiares e também nas questões espirituais. Jesus mesmo nos ensinou “uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer” (Lucas 18:1). Paulo afirmou que a perseverança produz em nós um caráter aprovado (Romanos 5:3-5); a Timóteo, disse que deveria perseverar na sã doutrina (1 Timóteo 4:16); e aos Coríntios, exortou a que fossem “firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor” (1 Coríntios 15:58).

Se a viúva perseverante conseguiu que a justiça fosse feita, a despeito do caráter do juiz, quanto mais o Pai eterno, que é perfeito, recompensará nossa fervorosa constância na busca por aquilo que é justo e segundo a Sua vontade. Se você entende que seu objetivo está em sintonia com o coração de Deus, não desista: persevere! Considere “o dever de orar sempre, e nunca desfalecer.”


Data da postagem original: 13 de dezembro de 2016

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Paz em meio a tormenta

Em meio ao mundo agitado, podemos ter paz

Paz
Imagem gerada por AI
Pr. Cleber Montes Moreira

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16:33)

A vida cristã não nos isenta de tribulações — pelo contrário, o próprio Jesus nos advertiu claramente que enfrentaríamos aflições. Saber isso nos ajuda a manifestar uma fé autêntica livre de falsas expectativas. Como discípulos de Cristo, nossa identidade desperta a hostilidade do mundo, conforme Ele mesmo explicou: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia” (João 15:19).

O apóstolo Paulo reforça esta realidade ao afirmar: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3:12). No entanto, a mensagem central do evangelho não é o sofrimento, mas a vitória através de Cristo. Em meio às tempestades mais intensas, desfrutamos de uma paz que transcende todo entendimento, como nos assegura Paulo ao escrever aos Filipenses 4:7: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.”

Esta paz não é meramente a ausência de conflitos, mas uma profunda confiança no controle soberano de Cristo. Como Ele mesmo prometeu: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).

O profeta Isaías já havia anunciado: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Isaías 26:3). Nossa paz não depende das circunstâncias externas, mas de nossa comunhão com Cristo. O sistema secular que se opõe a nós, Ele já venceu e nEle nós também venceremos.

Por isso, quando enfrentamos perseguições ou provações, encontramos em Cristo não apenas consolo momentâneo, mas uma paz duradoura e sobrenatural. Como diz aquela canção: “Você pode ter paz na tormenta. Você pode ter paz na tormenta.”

Como nos lembra o salmista: “O SENHOR dará força ao seu povo; o SENHOR abençoará o seu povo com paz” (Salmos 29:11). Que possamos, portanto, descansar nesta verdade: em Cristo temos uma paz que o mundo não pode dar nem tirar, pois Ele é o Senhor sobre toda tempestade.

domingo, 20 de agosto de 2023

O segredo para uma vida inabalável em um mundo conturbado

Enfrentando adversidades: a perspectiva cristã para uma vida estável e vitoriosa

Vendo o céu
Imagem: Freepik
Pr. Cleber Montes Moreira

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” (1 Pedro 1:3)

Ao escrever aos cristãos que enfrentavam terríveis adversidades, Pedro lembra-lhes que foram regenerados para uma viva esperança. Eles têm uma nova identidade, novos valores e uma esperança que transcende a esperança do mundo. Esta não é “a última que morre”, mas a que, tendo sua base na ressurreição de Cristo, está ancorada naquele que é para sempre e, portanto, não pode morrer.

Na Bíblia de Estudos Genebra, lemos: “Na Bíblia, esperança não é incerteza ou expressão de desejo, mas uma expectativa confiante de futura bênção, baseada em fatos e promessas. ‘Viva’ indica o caráter imortal e permanente dessa esperança.” Embora estejamos sujeitos às aflições do tempo presente, nosso futuro na eternidade e tudo o que o acompanha está garantido por aquele que não falha. Com base nessa certeza, Paulo declarou: “Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia” (2 Timóteo 1:12 — grifo do autor).

O apóstolo também escreveu: “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte”, e arrematou: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1:20,21 — grifo do autor). Assim também nós podemos ter certeza de que, mesmo que ridicularizem nossa fé, nos persigam e tentem nos destruir, não seremos confundidos ou envergonhados naquele dia. Pelo contrário, envergonhados serão todos os inimigos de Cristo e de seu povo. Para nós, salvação; para eles, a desonra. Eles creem nos ídolos, procuram estar bem com o “sistema”, servem aos próprios interesses, são escravos da carne, mas nós sabemos quem somos, em quem temos crido e o que nos aguarda.

A esperança do salvo não é apenas um sentimento, uma expectativa falsa, uma ilusão… É a certeza de um futuro que nos impulsiona a viver de maneira santa e diligente, de modo que Deus seja honrado e glorificado em nós. Por isso, renunciamos à impiedade e às paixões mundanas, buscando viver neste mundo de maneira sensata, justa e piedosa, “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:12,13), como João nos exortou: “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 João 3:3) — em outras palavras, a ética cristã está fundamentada nessa esperança.

A esperança nos fortalece para enfrentarmos os desafios da jornada cristã, sejam adversidades, sejam os opositores da fé ou qualquer outra coisa. Quem confia em Cristo sabe para onde está indo, sabe o que o aguarda e não teme os percalços da caminhada — ele encontra conforto e se alegra na “viva esperança” (Romanos 12:12).

A esperança cristã é o segredo para uma vida inabalável em um mundo conturbado. Pense nisso!

terça-feira, 11 de abril de 2023

Não pare de olhar para Ele

Ao olhar para o alvo o salvo recobrará o ânimo para uma vida alegre, santa, operosa e frutífera, triunfante sobre todas as lutas e provações da caminhada cristã

Coroa de espinhos
Foto de Ismael Paramo na Unsplash
Pr. Cleber Montes Moreira

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.”
(Hebreus 12:2,3)

Muitos crentes perdem a motivação e o vigor do início de jornada e se tornam inoperantes na obra de Deus. Isso pode acontecer quando eles se distraem com os interesses mundanos, são pressionados pelas lutas da vida, se sentem esgotados ou ainda porque não experimentaram uma conversão genuína. Infelizmente, atualmente há uma nuvem perturbadora de desânimo sobre muitas igrejas, e alguns crentes podem estar buscando motivação em fontes secas ou contaminadas, envenenando-se espiritualmente.

Eles se esquecem de olhar para Cristo, o autor e consumador da fé, e de contemplar Sua obra na cruz, a afronta recebida e tudo o que sofreu por amor a nós. Esquecer-se dessas coisas leva à fraqueza e ao desânimo, mas meditar nelas revigora a alma (Hebreus 12:2, 3). Deixar de olhar para Jesus e considerar tudo o que Ele fez leva à sequidão espiritual.

Para quem ou para quê você está olhando? Não somos chamados a olhar para pecadores como nós, para os que falham, se afastam da fé, ou nos tratam com indiferença e/ou desprezo. Também não devemos olhar para as circunstâncias adversas nem para nada que possa nos assombrar. Não devemos olhar para nada deste mundo, pois tudo aqui é passageiro — “E o mundo passa, e a sua concupiscência” (1 João 2:17). Não somos chamados a olhar nem mesmo para a “tão grande nuvem de testemunhas”, os servos fiéis do passado, os heróis da fé mencionados em Hebreus 11, cujo exemplo deve nos estimular. Nosso olhar deve se elevar para além, para o alvo perfeito.

Somos exortados a olhar para Cristo, a considerar Seu amor sacrificial, Seu sofrimento e Sua morte vicária. Devemos lembrar de Suas promessas e de tudo o que Ele preparou para nós no fim da jornada aqui. Você acredita que isso seja suficiente? Se não, talvez não tenha compreendido a grandeza do amor de Deus, e nada mais poderá reanimá-lo. Mas se você é um cristão genuíno, certamente se lembrará de quem o salvou e de tudo o que Ele fez; e ao olhar para Ele recobrará o ânimo para uma vida alegre, santa, operosa e frutífera, triunfante sobre todas as lutas e provações da caminhada cristã. Ele é tudo o que precisamos; Ele nos basta. Pense nisso!

quinta-feira, 30 de março de 2023

A fonte de nossa motivação

Assim como uma planta precisa de água, sol e nutrientes para crescer e florescer, como cristãos também precisamos de motivação para perseverar com alegria em nossa jornada e frutificarmos

videira
Imagem: Pixabay
Pr. Cleber Montes Moreira

“Eu sou a videira verdadeira… Estai em mim, e eu em vós… Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:1,4,5)

Uma pessoa desmotivada é como uma árvore que está secando: ela perde sua alegria, seu vigor e ritmo, morrendo aos poucos. Assim como uma planta precisa de água, sol e nutrientes para crescer e florescer, como cristãos, precisamos de motivação para perseverar com alegria em nossa jornada e frutificar. Sem isso, nossa fé pode “murchar” e nos tornarmos inoperantes.

Uma coisa é certa: o desânimo não combina com a vida cristã. Sabe por que? Porque o salvo tem uma razão especial para viver alegre e intensamente. É verdade que todos podemos ter momentos de fraquezas, sentir cansaço e esgotamento, mas temos uma fonte revigorante de vida; portanto, bebamos dela!

Muitos cristãos estão buscando ânimo em cisternas contaminadas. Eles desejam ser motivados por sermões de autoajuda, por promessas que Deus jamais proferiu, por recompensas por seu trabalho, elogios. Eles têm preferência pelos cultos motivacionais, preparados caprichosamente para agradar o homem, cujas músicas e sermões alegram e afloram as emoções. O problema é que o efeito passa, e logo eles precisam de mais doses, e de uma quantidade cada vez maior do entorpecente motivacional, o que desencadeia um vício insaciável. Isso não gera motivação, mas dependentes espirituais. Este é um dos motivos pelos quais há pessoas que andam de igreja em igreja, de evento em evento, sempre em busca de novidades e experiências cada vez mais “extravagantes”; e eles nunca estão satisfeitos.

O problema dos crentes desmotivados é que ignoram que Cristo deve ser sua motivação. Se Ele não for suficiente, se Ele não for a razão, nada mais será! É quando desfrutamos da comunhão íntima com o Senhor, quando nosso prazer passa a ser Ele, e nosso viver para Ele, que descobrimos o sentido da vida. “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas…” “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos…” e nossa “vida está escondida” nele (Romanos 11:36; Atos 17:28; Colossenses 3:3). Aprendamos, pois, a lição da videira: “Estai em mim, e eu em vós” (João 15:4) — este é o segredo!

Se em algum momento formos tentados a desanimar, lembremo-nos de que Ele “dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor”. E os que nele confiam “renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão” (Isaías 40:29,31).

Nossa motivação é Cristo! Que ele nos ajude a sermos sempre operosos e frutíferos em sua obra!

quinta-feira, 25 de março de 2021

Quando as aflições são bênçãos

Tenhamos sempre em mente que as aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração


Pr. Cleber Montes Moreira


“Eu disse: Guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a boca com um freio, enquanto o ímpio estiver diante de mim… Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lágrimas.”
(Salmos 39:1,12 – Leia todo o salmo)


O salmista está abatido. Seus pensamentos estão carregados, talvez de questionamentos e dúvidas acerca de Deus e outras coisas que, se exteriorizadas, podem escandalizar.

Na estrada da vida há declives. Ninguém está imune às tristezas, e nem à depressão. Diante de situações adversas, de sofrimentos extremos, de dolorosas provações, não é incomum que pessoas questionem o silêncio, a ação, ou a permissão de Deus quando suas expectativas são frustradas. Pode parecer que Ele tarda em socorrer, que não ouve as súplicas, que está ausente quando o pior acontece. “Onde Deus estava?”, “Por que Ele permitiu que isso acontecesse?”, “Por que não mandou o livramento?”, perguntam. Isso é de nossa humanidade, é fraqueza nossa.

Davi propôs em seu coração colocar um freio em sua boca, de não dizer nada diante dos ímpios. Mattew Henri diz que “devemos nos lembrar que eles vigiam as nossas palavras e as modificam, se puderem, para nossa desvantagem.” De fato, toda palavra impensada, precipitada e inconsequente que dissermos, e até nossos lamentos poderão ser usados contra nós. Por isso, em certos momentos, o silêncio é preciosíssimo, ainda que agrave a nossa dor (v. 2).

Há hora de calar, e hora de falar. O salmista, quando falou, falou com Deus. Enquanto orava percebeu sua fragilidade, também viu que a força e a glória humana não passa de vaidade. Ele entendeu as consequências de suas iniquidades, suplicou por alívio, e colocou sua esperança no Senhor. Percebeu que não é Deus quem nos lança em sofrimento, que se ausenta e nos abandona, mas que é o pecado que como a traça nos corrói e faz de nossa vida um sopro (v. 11). As aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração. Pense nisso!

Em abril de 2019

segunda-feira, 8 de março de 2021

Confia e espera

Ainda que não compreendamos, o tempo de Deus é o tempo certo, e Seu agir é perfeito; tudo o que precisamos é confiar e esperar

 

“Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.” (Eclesiastes 3:11)

Pr. Cleber Montes Moreira

Embora a Bíblia nos ensine que há tempo para tudo, e que Deus é soberano em suas ações, muitas vezes murmuramos enquanto aguardamos por alguma resposta às nossas orações. Vivemos sob a influência de uma sociedade imediatista, que quer tudo para ontem. A facilidade do controle remoto para trocar o canal da TV, abrir o portão, acender uma lâmpada e realizar outras tarefas, bem como toda comodidade que temos neste tempo de avanços tecnológicos, nos fez mal-acostumados. Esses dias meu filho estava “judiando” (como ele mesmo disse) do controle remoto: é que as pilhas estavam fracas e ele já demorava para obedecer aos comandos. Em relação a Deus muitos querem a mesma prontidão, como se fosse possível apertar uma tecla e o Poderoso responder prontamente.

Jairo era um homem importante. Ele era o líder da sinagora. Quando sua filha única, de doze anos, estava muito doente, ele foi buscar socorro em Jesus. Não sabemos o quanto ele conhecia sobre o Senhor, mas certamente o bastante para confiar que Ele seria capaz de curá-la. O relato bíblico diz que “prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa” (Lucas 8:41).

Enquanto iam, rodeados por uma multidão, Jairo teve de esperar, pois “uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada, chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue. E disse Jesus: Quem é que me tocou?” (Lucas 8:43-45). Enquanto isso acontecia, “chegou um dos príncipes da sinagoga, dizendo: A tua filha já está morta, não incomodes o Mestre” (Lucas 8:49). Aquele ‘atraso’ poderia ter deixado Jairo angustiado, decepcionado, com raiva… mas, ele confiou. Jesus lhe disse: “Não temas; crê somente, e será salva” (Lucas 8:50), e assim aconteceu: apesar da desconfiança dos que estavam na casa, e das risadas dos incrédulos, Jesus “pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: Levanta-te, menina. E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou” (Lucas 8:54,55).

O pedido de Jairo foi atendido, não no tempo que ele imaginava, mas no tempo de Deus, para a honra e glória de Deus e alegria de todos. Ainda que não compreendamos, o tempo de Deus é o tempo certo, e Seu agir é perfeito. Quem não tem fé se desespera, mas quem nele confia espera, mesmo quando aos olhos naturais tudo parece perdido.

Confia e espera, pois “bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lamentações 3:25,26).

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