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sábado, 28 de junho de 2025

Pais Distraídos, Filhos Perdidos, Lares em Colapso

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24:12)

lápides
Imagem gerada por AI

Pr. Cleber Montes Moreira

Em 21 de junho de 2025, a pequena comunidade de Comendador Venâncio, distrito de Itaperuna (RJ), no Noroeste Fluminense, foi abalada por uma tragédia chocante. Um adolescente de 14 anos confessou ter assassinado seus pais — Antônio Carlos Teixeira, de 45 anos, enfermeiro, e Inaila Teixeira, de 37 anos, cabeleireira — além de seu irmão caçula, Antônio, de apenas 3 anos, enquanto dormiam. O motivo do crime teria sido a proibição dos pais para que o jovem viajasse ao Mato Grosso, onde pretendia encontrar uma adolescente de 15 anos, com quem mantinha um relacionamento virtual iniciado em jogos online há seis anos, quando ele tinha apenas 8 anos e ela, 9. Movido por esse desejo, o jovem pesquisou como sacar o FGTS do pai, que continha R$ 33 mil, possivelmente planejando financiar sua fuga.

Na noite do crime, o adolescente esperou a família dormir, consumiu um energético para se manter acordado e disparou contra a cabeça dos pais e o pescoço do irmão. Após os assassinatos, arrastou os corpos para a cisterna da casa, usou produtos químicos para remover vestígios de sangue e tentou queimar as roupas manchadas. Uma mochila com os celulares dos pais foi encontrada, sugerindo que ele planejava fugir. Nos dias seguintes, mentiu para familiares, alegando que os pais haviam levado o irmão ao hospital por engasgo com um caco de vidro. No dia 24 de junho, acompanhado da avó paterna, registrou o suposto desaparecimento na 143ª DP. Contudo, após buscas em hospitais sem registros, a polícia realizou uma perícia na casa no dia 25 de junho, encontrando manchas de sangue, roupas queimadas e um forte odor na cisterna, onde os corpos foram localizados. Confrontado, o adolescente confessou o triplo homicídio e a ocultação de cadáveres, demonstrando frieza e declarando que “faria tudo de novo”.

A namorada virtual, ouvida em Água Boa (MT) no dia 26 de junho, confirmou o contato com o jovem durante o fim de semana do crime e tratou os assassinatos com frieza, como se fossem parte de um “jogo de videogame”. A polícia investiga se ela teve alguma influência no ato. No dia 27 de junho, a Justiça determinou a internação provisória do adolescente por 45 dias no Degase, em São Fidélis (RJ), enquanto o caso segue em segredo de Justiça. A arma do crime foi encontrada na casa da avó, que pode tê-la retirado para proteger o neto ou por outro motivo.

Esse episódio trágico revela uma realidade alarmante, que remete às advertências das Escrituras sobre os últimos dias. Em 2 Timóteo 3:1-5, Paulo descreve tempos difíceis, em que as pessoas seriam “desobedientes aos pais”, “sem afeto natural” e “irreconciliáveis”. A frieza do adolescente e de sua namorada virtual, bem como sua declaração de que “faria tudo de novo”, refletem a deterioração moral prevista pela Bíblia, quando o amor de muitos se esfria por causa da multiplicação da iniquidade (Mateus 24:12).

Lições Espirituais:

1. O Inimigo Dentro de Casa

A Bíblia nos alerta que o pecado pode se manifestar até mesmo nos lares, como vemos desde o relato de Caim e Abel (Gênesis 4:8). Muitos casos de violência, inclusive contra crianças, ocorrem dentro do ambiente familiar. Isso nos lembra da necessidade de vigilância espiritual, da prática da oração, estudo e ensino da Palavra de Deus em nossos lares.

2. A Responsabilidade dos Pais na Educação

A Bíblia é clara ao afirmar que a educação dos filhos é responsabilidade dos pais (Deuteronômio 6:6-7). Contudo, muitos têm delegado essa tarefa à igreja, à escola ou até mesmo às redes sociais. A ausência de laços afetivos fortes, construídos por meio de tempo de qualidade em família, pode deixar os filhos vulneráveis a influências externas perigosas, como vimos nesse caso.

3. Os Perigos das Redes Sociais

O relacionamento virtual iniciado em jogos online expôs esse jovem a influências que culminaram em tragédia. As redes sociais, quando mal utilizadas, podem expor crianças a conteúdos impróprios, manipulação por predadores e ideologias destrutivas. A Bíblia nos exorta a sermos “simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes” (Mateus 10:16), especialmente ao lidar com o mundo digital.

4. Os “Filhos do Quarto”

Muitos filhos passam mais tempo com telas do que com seus pais. Vivem isolados, imersos em jogos e redes, desconectados do mundo real e da vida familiar — sem disciplina, sem limites, sem diálogo. Isso forma uma geração com dificuldades emocionais, espirituais e relacionais.

Diante disso, devemos fazer uma pergunta urgente: até quando permaneceremos frios, omissos, negligentes e indiferentes à decadência que avança sobre nossos lares?

Aplicação

Não ignore os sinais. Observe seus filhos, esteja presente, ore com eles, ensine-lhes a Palavra, discipline com amor e viva como exemplo. Supervisione o uso de suas redes sociais: o que postam, os perfis que seguem, com quem conversam etc. Isso é proteção! O ideal é que crianças nem tenham celulares.

Não permita que a tecnologia, a cultura ou o inimigo eduquem em seu lugar. Que o seu lar seja um oásis do céu em um mundo cada vez mais sombrio.

Oração

Querido Deus e Pai, que o Teu favor esteja sobre nossos lares. Ajuda-nos a educar nossos filhos no Teu temor, protegendo-os das influências malignas deste mundo. Que nossos corações sejam aquecidos pelo Teu amor, para que possamos valorizar nossos relacionamentos e viver em paz e unidade. Em nome de Jesus, amém.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Resistindo à religião moderna: equilíbrio e firmeza em meio ao relativismo moral

Ancorados na Verdade: a ética cristã diante do “amor” enganoso

Marca da besta
Imagem gerada por IA
Pr. Cleber Montes Moreira

“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!”
(Isaías 5:20)

Em uma decisão histórica, o Vaticano autorizou a bênção para “casais” homoafetivos. Embora a orientação contida em um documento autorizado pelo Papa Francisco, divulgado em 18 de dezembro (2023), esclareça que isso não altera a doutrina sobre o matrimônio e que os padres podem optar por não realizar o ritual, este é apenas um passo em direção à possível e talvez breve mudança dessa doutrina.

Também recentemente, uma família que se identifica como evangélica, em apoio a um membro que se vê como sendo do sexo oposto, participou de um evento esportivo em prol da “diversidade”, engajando-se em esforços pela aceitação daquilo que é condenado por Deus.

Em um vídeo postado em uma rede social, um rapaz celebra o que seria seu último Natal como menino, pois ele se prepara para realizar a sonhada cirurgia de mudança de sexo com o apoio de seus pais.

A Bíblia não nos ensina a rejeitar aqueles que praticam o pecado, mas sim a amá-los. No entanto, nunca devemos apoiá-los, nos alegrarmos ou nos conformarmos com suas práticas, pois elas conduzem à perdição. Tal atitude seria tão irracional quanto colaborar ou celebrar a morte de uma pessoa querida, pois é exatamente nisso que o pecado resulta: “Porque o salário do pecado é a morte…” (Romanos 6:23). Cooperar com as práticas daqueles que estão em pecado é comparável a ajudar alguém em sua intenção suicida. Um pai, uma mãe, um irmão, um amigo que se envolve nisso pode ser chamado por outro nome: homicida!

Pelas palavras do profeta Isaías, Deus é claro e firme em sua exortação: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20). No entanto, este é precisamente o comportamento crescente neste tempo de relativismo moral e inversão de valores, em que a criatura desafia o Criador.

Não aceitar como fomos criados é rebeldia; é afirmar que o Eterno errou. Buscar mudar isso é fazer a vontade daquele que se opõe à obra divina, é render-se ao plano de Satanás, contrariando a Palavra que diz que fomos feitos à imagem, conforme a semelhança do Criador (Gênesis 1:26).

A marca da besta — o “novo pensamento” moldado pela Nova Ordem Mundial — tem sido implantada com sucesso com a ajuda da grande mídia e dos sistemas políticos em geral. Quem ousa discordar corre o risco do “cancelamento”.

Em tempos de confusão e relativismo moral, devemos estar ancorados na imutável e inabalável Palavra de Deus. O que a Bíblia chama de pecado, é pecado, ponto final, independentemente do que a sociedade chame. O discurso moderno sobre amor e tolerância é, na realidade, a nova religião mundial que dá ao pecador a falsa sensação de estar bem com Deus, quando, na verdade, está caminhando para a eternidade sem Ele.

O sábio afirma que “melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto” (Provérbios 27:5). Alguns diriam que é mais fácil amar do que repreender, ou “não julgueis”; mas que amor é esse que não aponta o erro, que não adverte do perigo, que não busca desviar alguém do caminho da morte? Eis aqui a estratégia bem-sucedida de Satanás: nada é pior do que o “amor” da religião moderna, pois é permissivo, complacente e enganoso ao ocultar a verdade e ao mesmo tempo aplacar consciências. Pense nisso!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

O diabo ainda teme nossas orações

As orações silenciosas e “inoportunas” de Isabel Vaughan-Spruce é um recado para todos nós: precisamos orar mais, com mais fervor, colocando diante do Eterno as questões de nosso tempo, nossas indignações e sede de justiça

Isabel Vaughan-Spruce
Isabel Vaughan-Spruce - Foto: ADF UK
Pr. Cleber Montes Moreira

“A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.”
(Tiago 5:16)

Isabel Vaughan-Spruce, voluntária do grupo de oração ‘40 Days for Life’, dedicado a orações pró-vida foi presa por orar em frente a uma clínica de aborto na cidade de Birmingham, no Reino Unido. Ao ser indagada pelo policial sobre o que estava fazendo ali, ela respondeu: “Fisicamente, só estou parada aqui.” Perguntada se estava protestando, prontamente negou: “Não. Não estou protestando”. O agente prosseguiu: “Você está orando?” Sua resposta foi: “Posso estar orando em minha mente”. Logo após, ela recebeu ordem de prisão com base numa lei sobre “comportamento antissocial”. O fato, noticiado em vários canais cristãos, foi destaque em postagem de Ivan Kleber, jornalista e correspondente internacional em Londres, no Twitter1.

Não foi um protesto, não foram palavras de ordem, não foram cartazes com frases de condenação ao aborto, mas as orações silenciosas de uma mulher solitária que constituíram no ato inadequado e de ‘importunação’ digno de sua prisão. Apenas orações em pensamento! E que orações poderosas! — tão poderosas e perturbadoras que têm até leis que as coíba. Mais eficazes que protestos de multidões histéricas. E o incômodo causado por aquela mulher é a prova inconteste de que o diabo ainda teme as orações dos filhos de Deus. Sim, porque “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16).

De fato, quando oramos adequadamente incomodamos muita gente. “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós”, mas porque era justo e suas orações conformadas à vontade de Deus, elas foram ouvidas (Tiago 5:17).

As orações silenciosas e “inoportunas” de Isabel Vaughan-Spruce é um recado para todos nós: precisamos orar mais, com mais fervor, colocando diante do Eterno as questões de nosso tempo, nossas indignações e sede de justiça. Isso é diferente das “noites de vigílias” e orações com artistas gospel, das orações previsíveis, robóticas, repetitivas, insossas, dissociadas da santidade… abomináveis para Deus (Isaías 1:1-15). As orações do justo, ainda que feitas silenciosa e solitariamente, tocam os céus e incomodam o reino das trevas. É assim que os filhos de Deus resistem ao mal. Pense nisso!

Em 22 de dezembro de 2022


1  https://twitter.com/lordivan22/status/1606056433014886400 (acessado em 22 de dezembro de 2022)

sábado, 3 de dezembro de 2022

Os deuses Morrem

Os deuses morrem, e os sepulcros comprovam isso…

Já que estamos em dias de Copa do Mundo, republico um texto atualizado sobre a morte do maior jogador da história da Argentina e lenda do futebol mundial, Diego Armando Maradona, que morreu na quarta-feira, dia 25 de novembro de 2020, aos 60 anos.
Maradona
Foto de Juan Pablo Mascanfroni em Unsplash

Atualizado em 03 de dezembro de 2022

Pr. Cleber Montes Moreira

O Jornal francês “L’Eequipe” publicou no dia 26 de novembro de 2020: “Deus está morto”1. Os deuses morrem, inclusive os “imortais”. Quando morre um deus, morre também a alegria, a fé e a esperança de seus fiéis. Esta verdade ganhou destaque na publicação do Jornal Extra, intitulada: “Igreja Maradoniana convoca ‘culto’ para se despedir de Maradona.”2 Já o Metrópolis grafou: “Fiéis de luto”3 — sim, fiéis de luto pela morte de seu deus.

Maradona era um deus. De fato, com a sua morte ele conseguiu algo que só um ser divino poderia realizar: contrariando as leis naturais ele anulou, ainda que apenas pelo período de seu funeral, o perigo mortal que fez com que o governo argentino adotasse as regras mais rígidas possíveis para o enfrentamento do coronavírus. Tanto que os jornais da época exibiram imagens de pessoas aglomeradas, algumas de máscaras, outras sem, ao redor da Casa Rosada onde as autoridades esperavam cerca de um milhão de pessoas — talvez bem mais — para o velório de seu ídolo.

O craque argentino está certamente entre os dois ou três maiores jogadores de futebol da história. Com a bola um gênio, sem ela um ser falho, um pecador, um mortal… Para a morte não há reis, príncipes, nem deuses.

Os deuses morrem. Morrem porque são deuses, feitos assim pelos homens. Como seres criados, os deuses são à semelhança de seu criador. “Aos homens está ordenado morrerem uma vez,” e também aos deuses, “vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27). Sim, também os deuses terão que prestar contas a Deus, àquele “que tem, ele só, a imortalidade”, “ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus”, diante do qual todo joelho se dobrará (1 Timóteo 1:17; 6:16; Romanos 14:11; Filipenses 2:10).

Os deuses morrem, e os sepulcros comprovam isso, mas Deus é eterno. Quem adora um deus um dia estará de luto, ou, se partir antes, perdido eternamente, mas os que adoram ao Senhor não serão confundidos, nem envergonhados, pois Ele é eterno.

Se o teu “deus está morto”, saiba que “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hebreus 13:8); Ele “é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5:20). Pense nisso!


1 https://www.lequipe.fr/abonnement/kiosque/le-journal/ab2ba183-ce7b-4c28-882d-006475cc446d (em 26 de novembro de 2020)

2  https://extra.globo.com/noticias/page-not-found/igreja-maradoniana-convoca-culto-para-se-despedir-de-maradona-24764748.html (em 25 de novembro de 2020).

3 https://www.metropoles.com/esportes/futebol/fieis-de-luto-reveja-historia-da-igreja-de-maradona-da-argentina (em 25 de novembro de 2020)

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Pastor ressignifica a Bíblia em vídeos sobre a homossexualidade

Pastor e diretor de seminário de denominação histórica ressignifica a Bíblia em série de vídeos sobre a homossexualidade

bíblia gay
Foto: reprodução
Notícia comentada / Opinião

Pr. Cleber Montes Moreira

“Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.
” (1 Pedro 1:25)

Um pastor, professor e diretor de um Seminário Teológico de uma denominação evangélica histórica, publicou uma série de vídeos com a intenção de apresentar a homossexualidade como sendo normal e aceitável à luz das Escrituras. Em suas publicações, no Facebook e no YouTube, o dito teólogo disponibilizou diversos títulos sobre o tema para o aconselhamento de famílias, nos quais trata o assunto sob sua ótica interpretativa.1 Em especial, no vídeo intitulado “Bíblia e homossexualidade”2, ao lado de uma terapeuta, o líder religioso destaca uma série de textos bíblicos que considera mal interpretados e sobre os quais lança “luz” para melhor entendimento dos internautas, sempre em oposição à interpretação bíblica tradicional e ao que ensina a própria denominação da qual ele faz parte.

Recente, outro pastor, da mesma denominação, relatou em seu perfil no Facebook sua experiência em realizar um “casamento homoafetivo”3. Um dos versos bíblicos citados no final da postagem é este: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Romanos 13:8).

Um outro conhecido pregador, pastor de uma grande igreja filiada à mesma denominação, se tornou alvo de críticas por afirmar que a Bíblia é insuficiente, e que precisa ser atualizada, para em seguida, defender a recepção de pessoas LGBTQIA+ nas igrejas.4 Vários outros líderes, alinhados à Teologia Progressista, sempre sob o mesmo argumento do “amor”, têm defendido a mesma pauta de “inclusão” nas redes sociais, em eventos, livros, revistas para EBDs, a partir dos púlpitos, das salas de seminários etc.

Quando a Igreja Batista do Pinheiro, de Maceió (AL), foi desligada da Convenção Batista Brasileira por receber em sua membresia pessoas LGBTQIA+, seu pastor, Wellington Santos, ao se manifestar publicamente sobre a decisão da igreja, explicou: “O que a Igreja Batista do Pinheiro fez revela que, mesmo não tendo todas as respostas para a questão da homossexualidade na Bíblia ou na doutrina histórica, decidimos seguir o caminho do amor. O que afirmamos é que cremos no amor e na misericórdia divina”. Observem que tal afirmação coloca de lado a Bíblia como suficiente e como normativa para a vida cristã, e em lugar dela se estabelece a fé no “amor e na misericórdia divina” como critério. Ora, sendo o “amor” e a “misericórdia” atributos de Deus revelados nas Escrituras, há nesta afirmação explícita relativização da Palavra que tem valor apenas quando serve a determinados propósitos: Ela é evocada para validar certas práticas, mas rejeitada quando denuncia estas mesmas práticas como pecaminosas; é usada para declarar o “amor” e a “misericórdia divina”, mas descartada quando o assunto é juízo e condenação. Assim negam seus ensinos e princípios norteadores para a conduta humana.

Os adeptos do chamado “cristianismo progressista”, ao escolherem “seguir o caminho do amor”, rejeitam a Palavra que nos ensina que permanecer no amor de Deus é guardar os Seus mandamentos, é obedecer, e que, portanto, a comunhão com o Senhor implica certas condições, bem como desencadeia o ódio do mundo (João 15:9,10, 18-20). Permanecer neste amor é estar ligado à Videira Verdadeira e, por meio dela, ter comunhão com Deus e uns com os outros. Na Videira há vida, fora dela só há morte! Assim, aquele que não permanece no amor, ou seja, na Videira que é Cristo, em cujo coração não está a Sua Palavra e, por conseguinte, é desobediente, “será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem” (João 15:6).

Ardilosamente os falsos mestres, não podendo suportar a Palavra de Deus, atentam contra ela; trabalham engenhosamente para ressignificá-la. Mais fácil que negar deliberadamente a verdade é mentir dizendo algumas verdades — verdades convenientes, e/ou meias verdades —, e nisso alguns “homens de Deus” se tornaram especialistas. Para a mente natural, nada melhor que encontrar na Escritura reinterpretada, desidratada da justiça e salpicada de “amor”, justificativas para a vida pecaminosa. Isto é um incentivo — “bíblico” — para “aproveitar a vida” e estar em paz com Deus.

O texto bíblico inicial traz uma revelação atemporal: “a palavra do Senhor permanece para sempre.” E mais: “E esta é a palavra que nos foi evangelizada” no início. Em outras palavras, a Palavra não mudou, e não mudará. Todo esforço para reinterpretá-la como estratégia para autorizar práticas pecaminosas e aplacar as consciências dos pecadores é inútil, pois a Bíblia continua a mesma, e ela declara qual é o “salário do pecado”: a morte! (Romanos 6:23). Ao omitir esta verdade, a “religião do amor” se faz estrada larga e aprazível que conduz multidões ao inferno: “porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” (Mateus 7:13). Pense nisso!


1 https://www.youtube.com/channel/UCYuDkw5zhufz69xJHmYZpFg/videos (acessado em 01 de julho de 2022)

2 https://youtu.be/hnMTYe8tzWg
https://www.facebook.com/whitson.darocha/posts/pfbid02Mj3httQVXZSnu1c3L6YiCsshbBHWYhwrKz6wE82nDLnaxBoMGqVdfc6KxVamUVDvl (links acessados em 28 de junho de 2022)

3 https://www.facebook.com/Dercinei/posts/pfbid02WC4Cz5hDUgtqY7fPzZruN6u7oKSspznfSpPfEyrvBYT69nbBipDDNPMPTAgzARh7l (link acessado em 28 de junho de 2022)

4 https://noticias.gospelmais.com.br/biblia-insuficiente-ed-rene-kivitz-homossexuais-141238.html
https://gospelminas.com/rene-kivitz-diz-que-a-biblia-e-insuficiente-e-defende-atualizacao-para-acolher-homossexualidade (links acessados em 01 de julho de 2022)

sábado, 25 de junho de 2022

A Caixinha

Para ser aceito na sociedade da Nova Ordem Mundial, você precisa pensar fora da “caixinha” e se livrar das amarras do moralismo arcaico que impede o progresso

Caixinha
Imagem: Unsplash
Pr. Cleber Montes Moreira

Texto Atualizado

“E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas…” (Leia Apocalipse 13:16-18)

Nestes dias tão conturbados querem nos proibir de pensar: autoridades constituídas, líderes religiosos, influenciadores e especialistas midiáticos, dentre outras forças, algumas “ocultas”, querem proibir qualquer pensamento e/ou expressão antagônica ao “novo moralismo” que tentam nos impor. Não é sem motivo que alguns se apresentam como “editores da sociedade”. Quem ousa desafiar tal proibição é “intolerante”, “hipócrita”, “fariseu”, “preconceituoso”, “racista”, “fascista”, “misógino”, “xenofóbico”, “negacionista” etc. Palavras de ordem em defesa da desordem que querem instaurar.

Para ser aceito na sociedade da Nova Ordem Mundial, você precisa pensar fora da “caixinha”. Esta “caixinha” pode ser a Bíblia, uma tradição familiar, os “bons costumes”, ou qualquer sistema considerado conservador. Você precisa se livrar das amarras do moralismo arcaico que impede o progresso. Mas cuidado, não saia por aí pensando por conta própria, isso é perigoso. Junte-se àqueles que te ajudarão neste novo processo de aprendizagem do ‘pensamento’. Por isso, ao sair da velha “caixa” você deverá entrar naquela que comporta outros valores — isso porque ninguém pensa fora da caixa, apenas escolhe a sua. Para ser livre e sentir-se acolhido você deverá vestir a camisa da ideologia e se juntar aos novos companheiros de militância. Nesta nova “caixinha” vigora uma cartilha na qual você aprende que todos que ousam pensar diferente são inimigos, e você deve enfrentá-los com suas novas armas. Se, por exemplo, aqueles que permanecem na velha “caixa”, sob os mesmos velhos e falsos argumentos, se manifestarem contra o aborto, acuse-os de “radicais” e “violentos”. E se a mulher a abortar — ainda que sob o grito de terceiros: “meu corpo minhas regras” — for uma menina de apenas 11 anos, engravidada por um namoradinho de 13 anos, e o bebê já for de 27 semanas, diga que é para proteger a vida dela. E mesmo que o procedimento seja um risco para a gestante e uma sentença de morte contra um inocente e indefeso, descarte a razão: você não tem autoridade, nem foi programado para raciocinar. Aos questionadores moralistas explique que você não está defendendo o aborto, mas que neste caso ele é necessário, que não se trata de feticídio, pois o feto, mesmo em condições de sobreviver fora do útero, ainda não tem consciência — ele não é como um ovo de tartaruga; é apenas um ‘parasita’. Denuncie os médicos que se recusarem a aplicar a solução letal no pequeno ‘amontoado de células’; diga que deveriam ser enquadrados por uma nova lei, a do “não exercício legal da profissão”, e exalte aqueles que cumprirem o seu dever em “defesa da vida” — mesmo que nenhuma vida precisasse ser sacrificada. Se disserem que “Deus é contra a matança de inocentes”, fundamente sua contra-argumentação no novo evangelho, fale sobre a “lei do amor”, cite os teólogos progressistas e discorra sobre os sagrados “direitos reprodutivos das mulheres”. Se insistirem, diga que servem a um deus intransigente, impiedoso, assassino… Se defenderem a família, acuse-os de “defensores da moral e dos bons costumes” — uma outra expressão para “caretas”, “antiquados”, “falsos moralistas” etc. Afinal, o culto a moloque não pode ser interrompido por um bando de histéricos. E se você odiá-los, não se preocupe, esse é o “ódio do bem”.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Igreja Menonita dos EUA aprova resolução permitindo que pastores celebrem uniões homoafetivas

Aquele que trabalha para revisar ou ressignificar as Escrituras para autorizar o pecado, além de encaminhar almas para o inferno, coloca-se debaixo de terrível condenação

LGBT
Imagem: Unsplash
Notícia comentada

Por Cleber Montes Moreira

Em sessão Especial da Assembleia de Delegados da Igreja Menonita dos EUA (MC EUA), de 27 a 30 de maio, foi aprovada, com placar apertado (267 sim, 212 não e 9 abstenções), uma resolução que aposenta as diretrizes para recepção de membros que antes proibiam os pastores de realizarem “casamentos” de pessoas do mesmo sexo.1 O documento intitulado “Uma Resolução para Arrependimento e Transformação”2, conclama a igreja ao “arrependimento pelos danos causados às pessoas LGBTQs”, bem como pede uma inclusão mais ampla dessas pessoas. Em seu primeiro parágrafo, lemos:

As políticas atuais da Igreja Menonita dos EUA violentam as pessoas LGBTQIA ao não afirmar suas identidades plenas concedidas por Deus e ao restringir sua participação plena na vida, ministérios e rituais da igreja em geral. A rejeição das pessoas LGBTQIA pelo MC USA silenciou e negou os chamados do ministério, dilacerou famílias, forçou os pais a escolher entre sua igreja e seus filhos e fez com que muitas pessoas LGBTQIA deixassem a igreja. Em alguns casos, a rejeição por parte de sua comunidade religiosa é um fator que faz com que as pessoas LGBTQIA se automutilem ou até cometam suicídio.

E, mais adiante:

Excluir as pessoas LGBTQIA da igreja é uma rejeição do prazer alegre de Deus na diversidade da criação e uma negação da imagem e do sopro divinos que animam toda a humanidade. Isso contraria o chamado e ministério de Jesus que, como “a imagem visível do invisível Deus” e aquele por meio de quem “Deus reconciliou tudo consigo mesmo”, oferece hospitalidade radical àqueles tradicionalmente desprezados e rejeitados pelas instituições religiosas e ensina que o amor é o cumprimento da lei. É uma negação da obra do Santo do Espírito que capacita os cristãos LGBTQIA a dar e receber todos os dons do Corpo de Cristo.

Na resolução ainda ficou definido o entendimento de “violência contra a comunidade LGBT” como “quando as ações de indivíduos, instituições ou estruturas de poder, intencionalmente ou não, ferem, danificam ou destroem o valor de um indivíduo ou grupo.”

Para esclarecimento, o documento revogado, intitulado “Diretrizes de Membros”, aprovado em 2001, era uma “resolução organizacional” que impactava diretamente a política da igreja, e que proibia a celebração de uniões homoafetivas, definia o termo casamento como a união entre um homem e uma mulher, e os relacionamentos homossexuais, extraconjugais e pré-maritais como atos pecaminosos.3

Dias antes da sessão especial revogar as “Diretrizes de Membros”, o Diretor Executivo da Igreja Menonita dos EUA, Glen Guyton, publicou um artigo afirmando que isso não forçaria as igrejas filiadas a realizarem “casamentos” homoafetivos ou terem um clero abertamente gay. “As congregações têm a autoridade final para contratar e demitir seus pastores como bem entenderem […]. As conferências têm ampla latitude na determinação de membros e credenciamento”, escreveu.

Embora notícias como esta sejam cada vez mais corriqueiras, e muitas igrejas e denominações estejam mudando seus documentos de fé, o que não dá para mudar é a Bíblia. Nela o padrão de Deus para o exercício da sexualidade humana é o relacionamento entre um homem e uma mulher no ambiente do casamento. Qualquer prática sexual fora deste padrão, heterossexual e monogâmico, é pecaminosa. O próprio Cristo reafirmou o que foi estabelecido desde o princípio: “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne” (Marcos 10:6-8; Gênesis 2:23,24).

Tenhamos em mente que no mundo tudo passa, mas “a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pedro 1:25). Aquele que trabalha para revisar ou ressignificar as Escrituras para autorizar o pecado, além de encaminhar almas para o inferno, coloca-se debaixo de terrível condenação. Creio que o princípio exposto em Apocalipse vale para toda a Bíblia: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro” (Apocalipse 22:18,19).


1 https://www.mennoniteusa.org/news/mc-usa-delegate-assembly-widens-the-circle-for-lgbtq-people-and-those-with-disabilities/ (acessado em 08 de junho de 2022)
2 https://www.mennoniteusa.org/wp-content/uploads/2021/10/A-Resolution-for-Repentance-and-Transformation-Rev-2.0.pdf
3  https://mennoniteusa.org/wp-content/uploads/2015/03/MembershipGuidelines_2013_July.pdf

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