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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

De meninos espirituais a crentes maduros: um chamado ao crescimento bíblico

“Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14)

Família Cristã
Imagem gerada por IA

Pr. Cleber Montes Moreira

Certa ocasião, o saudoso pastor Isaltino Gomes Coelho Filho compartilhou que, em um retiro, fora questionado sobre sua maior frustração após mais de quarenta anos de ministério. Ele respondeu que sua maior tristeza era “ter que preparar mamadeiras para crianças que nunca cresceram espiritualmente”. Acrescentou que grande parte do tempo e das energias de um pastor — e da própria igreja — é consumida no cuidado de pessoas que se recusam a amadurecer na fé.

Essa percepção ecoa no coração de muitos obreiros. Preparam-se estudos, sermões e aconselhamentos; investe-se tempo precioso em oração e dedicação à exposição da Palavra. Contudo, nota-se que poucos absorvem o ensino e menos ainda aplicam o que ouvem. Soma-se a isso a negligência na busca pessoal pelo conhecimento bíblico e uma preferência crônica por um alimento “pronto”, superficial e de fácil digestão.

Em nossos dias, há ainda um agravante: o vasto e perigoso “cardápio” das redes sociais. Multiplicam-se vozes — autodenominados apóstolos, profetas e pregadores midiáticos — que transformam o Evangelho em produto de consumo. Torna-se mais atraente a mensagem que massageia o ego e promete prosperidade imediata do que a pregação fiel que confronta o pecado e convoca à santidade. Paulo já advertia que viria o tempo em que muitos não suportariam a sã doutrina (2 Timóteo 4:3-4). Como no tempo de Jesus, ainda há quem considere “duro” o ensino verdadeiro (João 6:60).

Recentemente, presenciei um evento onde a mensagem era vazia de conteúdo bíblico. O pregador, sem sequer abrir a Bíblia, interpretou um texto projetado de forma isolada, sem qualquer compromisso com o contexto. Eram meras opiniões revestidas de uma falsa autoridade espiritual. O que mais causou espanto, porém, não foi a fragilidade da mensagem, mas os elogios entusiasmados ao final. Aquela reação revelava ouvintes sem discernimento e crentes sem senso crítico, facilmente conduzidos por qualquer novidade religiosa.

O problema não é novo. Ao escrever aos coríntios, o apóstolo Paulo afirmou que não podia falar-lhes como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo (1 Coríntios 3:1-3). Recebiam leite, e não alimento sólido, por incapacidade de digestão espiritual. Aos efésios, ele aponta o alvo de Deus: o crescimento até a medida da estatura completa de Cristo (Efésios 4:13-15). A infantilidade produz instabilidade; a maturidade, firmeza.

A ausência de fundamento torna o crente vulnerável. Sem o exame das Escrituras, a fé se apoia em emoções flutuantes e não na rocha imutável da Palavra. Pais que desconhecem as Letras Sagradas não conseguem instruir seus filhos (Deuteronômio 6:6-7), deixando o lar exposto a ideologias contrárias ao Reino. No contexto da igreja, a imaturidade gera divisões e contendas, abre espaço para heresias e sustenta lideranças despreparadas. Igrejas fortes são edificadas por crentes firmes na doutrina.

Como, então, o rebanho pode cooperar para a alegria de seu pastor? Demonstrando sede genuína pela Verdade, praticando o que aprende e assumindo responsabilidade espiritual. O crente que estuda, ora e serve com fidelidade permite que o ministério pastoral seja exercido com prazer, e não com pesar (Hebreus 13:17).

Cada salvo tem o dever de buscar seu amadurecimento, cultivando um “espírito bereano”. Isso exige vida devocional, compromisso com a Escola Bíblica, assiduidade aos cultos e uma atenção reverente à exposição bíblica. Não devemos consumir qualquer conteúdo apenas por ostentar o selo de “cristão”. Assim como zelamos pela saúde do corpo, devemos zelar pela saúde da alma, buscando alimento sólido e cristocêntrico.

Crescer não é opcional; é evidência de vida. O amadurecimento glorifica a Deus, fortalece o corpo de Cristo e capacita o crente a amparar os mais fracos. Uma igreja madura é o maior testemunho do poder transformador do Evangelho, e também a alegria do pastor fiel.


Oração:

Pai amado, agradecemos pela Tua Palavra, lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho. Concede-nos fome sincera das Escrituras, discernimento para rejeitar o erro e um coração humilde para obedecer à Verdade. Ajuda-nos a crescer na graça e no conhecimento de Cristo, para Tua glória e edificação da Tua igreja. Oramos em nome de Jesus. Amém.

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sexta-feira, 18 de abril de 2025

A Cruz e a Vergonha Desprezada

“Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à direita do trono de Deus.” (Hebreus 12:2 — NAA)

Hebreus 12:2
Imagem gerada por AI

Pr. Cleber Montes Moreira

Após apresentar a famosa galeria dos heróis da fé em Hebreus 11, o autor da carta conclama seus leitores a correrem com perseverança a corrida cristã, inspirados por essa "grande nuvem de testemunhas". Mas, acima de todos os exemplos de fé, ele nos aponta para o maior de todos: Jesus Cristo. O versículo 2 do capítulo 12 nos convida a manter os olhos fixos naquele que é o “Autor e Consumador” da fé.

Destaco que o texto afirma que Jesus “suportou a cruz, sem se importar com a vergonha”. Essa expressão, rica em significado, aparece em outras traduções como “desprezando a afronta” (ACF) ou “desprezando a desonra” (BKJV). O termo grego traduzido aqui como “vergonha” é aischuné (Strong 152), e carrega o sentido de vergonha profunda, desonra, humilhação e ignomínia.

Jesus, mesmo diante de uma morte pública, brutal e considerada extremamente vergonhosa na cultura de sua época — reservada aos criminosos mais vis —, não permitiu que a vergonha da cruz o impedisse de obedecer ao plano do Pai. Ele suportou tudo com os olhos voltados para a alegria futura: a salvação dos que creriam e a glória de estar assentado à direita de Deus. O escárnio dos homens não foi suficiente para fazê-lo recuar. A cruz não era apenas um instrumento de tortura, mas também de humilhação. Ainda assim, Jesus enfrentou tudo com coragem e fidelidade, por amor.

Hoje, no entanto, vivemos dias em que muitos se envergonham de Jesus. Há quem prefira manter sua fé oculta, como se fosse possível seguir a Cristo em segredo. Carregar uma Bíblia, orar em público, agir com valores cristãos em ambientes escolares ou profissionais — tudo isso, para alguns, se tornou motivo de embaraço. Para evitar a vergonha de se identificar com o Salvador, criaram uma versão “socialmente aceitável” de Jesus: sem cruz, sem renúncia, sem confronto com o pecado. Uma religião palatável, mas vazia de poder.

Contudo, os verdadeiros heróis da fé, como os mencionados em Hebreus 11, não se envergonharam de Deus. Pelo contrário, enfrentaram zombarias, perseguições e até a morte, certos de que havia uma pátria superior à sua espera. Da mesma forma, Jesus, nosso modelo perfeito, desprezou a vergonha da cruz e completou sua missão com fidelidade.

Segui-lo implica também não nos envergonharmos Dele. Somos desafiados a viver nossa fé de modo público, sincero e destemido, mesmo que isso nos custe zombarias ou rejeição. O mundo pode considerar a mensagem da cruz uma loucura, mas para nós, é o poder de Deus (1 Coríntios 1:18).

Aplicação:

Você tem vivido sua fé de maneira visível ou tem agido como um “cristão oculto”? Tem se envergonhado de Cristo ou declarado com ousadia a sua identidade n’Ele? Lembre-se: se o nosso Salvador não se envergonhou da cruz, também não devemos nos envergonhar Dele diante dos homens.

Oração:

Querido Pai Celestial, obrigado por Jesus, autor e consumador da fé, suportar a cruz por amor a mim. Dá-me coragem para expressar minha fé de forma pública, sem jamais me envergonhar do evangelho, mesmo diante dos obstáculos, rejeições e pressões do mundo. Que eu possa seguir o exemplo do Salvador com ousadia, considerando qualquer humilhação como nada em comparação com a alegria de te servir e com a esperança que nos está prometida. Em nome de Jesus, amém.

domingo, 8 de dezembro de 2024

Guerra espiritual: A fé que vence o mundo

A Vitória dos Filhos de Deus sobre o Maligno

Fé e tentação
Imagem gerada por AI

Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?”
(1 João 5:4,5)

O mundo apresenta-se como um ambiente hostil para o cristão, trabalhando contra ele e sua fé, sendo governado pelo maligno (1 João 5:19). A vida do cristão no mundo é marcada por lutas incessantes. A guerra espiritual a que nos referimos não é uma batalha repleta de pirotecnias ou fantasiosa, mas sim uma luta real entre o reino da luz e as trevas. Essa guerra é travada principalmente pelo domínio das mentes, onde se formam as convicções e os valores que regem a vida. Infelizmente, muitos estão desatentos a essa realidade.

Somos bombardeados diariamente por ideologias nefastas que buscam abalar os pilares da sociedade. Enfrentamos a imposição de novos valores que contrariam o Evangelho e servem aos propósitos de Satanás de distanciar os homens de Deus. Diante dessa realidade, ou nos conformamos ou reagimos, militando na fé; nesta guerra, não há neutralidade: ou vencemos o mundo ou somos vencidos.

No texto, João nos oferece lições valiosas:

“Porque todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo.” Aprendemos que, para vencer o mundo, é necessário ser nascido de Deus. O homem natural não possui força em si mesmo, pois sua natureza é inclinada para o mal; ele é nascido da carne. Para vencer o mundo, é preciso tornar-se uma nova criatura. Está escrito: “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito… os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8:5,8).

“E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” A fé emerge na mente pelo conhecimento e experiência da Palavra de Deus; é essa Palavra que transforma nosso pensamento e, consequentemente, nos molda ao evangelho, reorganiza nossos valores e nos faz ver todas as coisas sob a perspectiva de Cristo (Romanos 12:2). Por isso, Paulo afirma: “Nós temos a mente de Cristo” (1 Coríntios 2:16).

“Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” João reafirma o que declarou anteriormente: a vitória que vence o mundo é a fé. Pela fé, nos unimos a Jesus Cristo, participando de Sua vitória sobre o mundo. Isso é evidenciado em 1 João 4:4: “Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.” Isso está alinhado com João 16:33: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo”.

O mundo é um campo de batalha entre o bem e o sistema dominado pelo diabo. Todos os dias, enfrentamos lutas terríveis: na sala de aula de uma universidade, ao acessar mídias pelo celular ou computador, ao assistir à TV, quando “amigos” tentam nos influenciar para o mal, quando poderes tirânicos tentam nos silenciar e amedrontar, quando buscam perverter nossas crianças e quando, de todas as formas, tentam nos fazer aderir a uma nova ordem de valores contrários ao padrão estabelecido por Deus. De fato, somente o novo homem, pela fé e pelo poder de Jesus Cristo, pode vencer essa guerra.

Como temos reagido às provocações para pecar? Temos sucumbido? Temos vencido algumas batalhas e perdido outras? Quando falhamos, nosso coração se alegra ou entristece? Temos vencido ou sido vencidos?

“Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos” (Hebreus 12:3).

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Em tempos de confusão, um amigo para confiar

Diante de um cenário de insegurança e incertezas, há alguém em quem podemos confiar?

Jesus com mão estendida
Imagem: Freepik
Pr. Cleber Montes Moreira

“Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei.”
(Hebreus 13:5)

Na jornada da vida, enfrentamos desafios e adversidades. Muitas vezes, nos sentimos sem força, impotentes, solitários e com o coração cheio de incertezas. É justamente nessa hora que mais precisamos de um amigo fiel. Mas onde o encontraremos? Um amigo sempre presente, amoroso e confiável?

Há amigos que falham conosco, que nos decepcionam e nos abandonam quando mais precisamos. Entretanto, a Bíblia nos apresenta um amigo verdadeiro, que está conosco em todos os momentos, perfeitamente humano e perfeitamente divino, que nos conhece profundamente.

O escritor aos Hebreus, ao orientar seus leitores sobre o modo como deveriam viver, apresenta um comportamento que se opõe ao costume secular, onde o amor e a amizade sincera têm se tornado cada vez mais raros: praticar o amor fraternal (v. 1); ser hospitaleiro (v. 2); lembrar dos presos (v. 3); ser fiel ao cônjuge e às pessoas em geral (v. 4); viver sem avareza, contentando-se com o que têm (v. 5). Aqueles que são chamados a viver segundo esses valores têm uma firme promessa do amigo que não falha: “Não te deixarei, nem te desampararei.”

Se você se sente solitário, saiba que Jesus também se sentiu assim. Mas Ele buscou o Pai em oração e, com seu exemplo, nos ensina a fazer o mesmo, a fim de encontrarmos força e consolo em Sua presença. Aos discípulos, aos quais enviou para proclamar o evangelho e fazer novos discípulos, Ele deu uma garantia: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20). Temos, portanto, a certeza de que aqueles que servem a Cristo jamais andarão sozinhos.

O mundo não é, definitivamente, um lugar seguro. Os caminhos da política nos trazem insegurança, a violência nos amedronta, o caos moral nos perturba, as leis já não funcionam, nossos direitos não são respeitados e já não sabemos em quem depositar nossa confiança. No entanto, mesmo diante de um cenário de incertezas, é tranquilizador saber que podemos confiar plenamente em Jesus.

Ao escrever aos cristãos dispersos por causa da perseguição, Pedro os conforta e encoraja com estas palavras: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:7). Ao abandonarmos nossas preocupações e ansiedades diante do Salvador com confiança, descansamos e experimentamos a verdadeira paz que excede o entendimento humano. O relacionamento íntimo com Cristo é uma experiência sem igual, que todos deveriam buscar.

Que o nome de Jesus seja exaltado e que Seu amor seja conhecido por todos. Ele é o amigo fiel, que entregou sua vida por nós e que nunca nos deixa nem desampara. Pense nisso!


quinta-feira, 13 de julho de 2023

Quando Deus nos leva a um lugar de provação

Fé prática: a obediência como fundamento essencial na experiência cristã

Pessoa aflita
Imagem: Freepik
Pr. Cleber Montes Moreira

“E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egípcios; e temeu o povo ao Senhor, e creu no Senhor e em Moisés, seu servo.” (Êxodo 14:31 — leia todo o capítulo)

O lugar onde o povo de Israel acampou, diante de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom, foi escolhido pelo próprio Deus; foi Ele quem os conduziu até ali. Se Deus nos leva a algum lugar ou situação, é porque tem um propósito, ainda que esse lugar seja de provação. Aqui, esse propósito é a Sua glorificação (vs 1-4).

Quando olhamos as circunstâncias adversas com nossos próprios olhos, somos tomados pelo medo, passamos a reclamar, a atribuir culpa e até nos vitimizamos (vs. 10, 11, 12). Mas quando vemos com os olhos da fé, agimos com serenidade e confiamos que Deus está no controle da situação. E a razão dessa confiança está em que, se estamos onde o Senhor nos levou, é Ele quem peleja por nós (vs. 13, 14).

Diante do contexto vivido por Israel, há algo que precisamos considerar: Deus cala os murmurantes. O final do verso 14 é extraordinário: “e vós vos calareis.”

O episódio nos ensina que a ação correta diante das adversidades é a obediência irrestrita às orientações de Deus. A ordem dada parecia impossível: “Dize aos filhos de Israel que marchem” (v. 15). Marchar para onde, se atrás estava o inimigo e à frente o mar? Não importa o quão ilógico ou impossível pareça, quando Deus nos manda fazer algo, é exatamente isso que devemos fazer. Precisamos crer que, apesar de nossas percepções, obedecer a Deus é a atitude mais sensata. No caso dos filhos de Israel, era a única atitude que os conduziria ao livramento.

Quando obedecemos ao Senhor, Ele permanece conosco. O texto nos diz: “E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou, e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles. E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era trevas para aqueles, e para estes clareava a noite; de maneira que em toda a noite não se aproximou um do outro” (vs. 19, 20). Como ficaremos desorientados se temos a presença protetora de Deus? Porque obedeceram, o mar se abriu, passaram com seus pés secos, mas os egípcios pereceram.

“E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egípcios; e temeu o povo ao Senhor, e creu no Senhor e em Moisés, seu servo” (v. 31). Deus deu ao povo uma nova história para contar e uma nova história para viver. Ele pode fazer o mesmo por nós. Pense nisso!

quarta-feira, 12 de julho de 2023

O princípio norteador da vida cristã

O contraste entre a inutilidade da vã esperança e a confiança que dá sentido à vida

Escada para o céu
Imagem: Freepik
Pr. Cleber Montes Moreira

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Coríntios 15:19)

Quando Paulo escreve aos coríntios para combater o falso ensino de que não havia ressurreição dos mortos, ele menciona algo que considero um princípio norteador da vida.

No verso 19, o termo grego traduzido por “esperamos” significa esperar “num sentido religioso, aguardar a salvação com alegria e completa confiança”. Tal esperança é impossível para aqueles que não creem na ressurreição, porque, se assim fosse, o próprio Senhor não teria ressuscitado (vs. 12, 13). Podemos, então, concluir que aqueles que assim criam estavam num estado desolador — eram “miseráveis”; dignos de comiseração. Descrição apropriada da condição daqueles que eram enredados por aquele falso ensino.

O cristão que não crê na ressurreição conserva uma vã “esperança”, porque “se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (vs. 13, 14).

A vã esperança conduz a uma vã militância e ao padecimento inútil. A vida cristã enfrenta oposição do mundo, e tanto no passado quanto no presente, os salvos são odiados, zombados, perseguidos e mortos. Que virtude teria padecer tais coisas sem ter a certeza da ressurreição? A fé seria como qualquer paixão secular: há pessoas morrendo por uma religião, por uma ideologia, por um amor não correspondido, por uma paixão esportiva etc.

A vida cristã é de abnegação. O chamado do Senhor é claro: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24). Aquele que carrega uma cruz sabe bem para onde está caminhando… mas isso não teria sentido se não houvesse a ressurreição. Os salvos tomariam sua cruz em vão; trabalhando e sofrendo nesse mundo, suportando aflições por causa de uma fé infundada, como vítimas de uma terrível ilusão.

A nossa fé (esperança) determina o modo como vivemos, e este é o princípio norteador da vida que vejo no escrito de Paulo. Convicções erradas levam às práticas erradas, mas a fé genuína nos leva a uma viva esperança e a um viver condizente com essa mesma esperança — uma esperança que não está restrita à vida terrena.

A verdadeira fé não está alicerçada em uma esperança temporal, mas na eternidade. Não nos movemos por expectativas terrenas, mas pelas promessas daquele que venceu a morte e por meio de quem também venceremos este último inimigo: “E, quando isso que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isso que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (v. 54).

Se realmente cremos que “Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder”, a nossa vida tem sentido: nosso testemunho, nossas lutas, toda oposição, as privações e aflições que sofremos não são em vão; tudo suportamos porque somos movidos pela esperança que está firmada em Cristo. Pense nisso!

segunda-feira, 17 de abril de 2023

A fé que nos move segundo o coração de Deus

A verdadeira fé nos move segundo o coração de Deus

Bíblia
Imagem: Unsplash
Pr. Cleber Montes Moreira

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.”
(Hebreus 11:1)

Se você perguntar aos seus conhecidos se eles têm fé, acredito que todos responderão afirmativamente. A questão é: onde ou em quem eles colocam sua fé? Muitos têm fé nos mortos e acreditam que eles podem influenciar ou interceder pelos vivos, e alguns oram a eles. Outros têm fé em um ídolo moldado por mãos humanas, e se ajoelham e suplicam a eles em oração. Há aqueles que têm fé numa tradição religiosa e acreditam que, por manterem a religião de seus pais ou avós, estão fazendo a coisa certa. Há também aqueles que preferem acreditar em sua própria capacidade. Há quem tenha “fé na fé”, como se a fé tivesse algum poder mágico; por isso, há quem afirme que “o importante é ter fé”. E até os ateus têm fé, a fé na doutrina ateísta.

Mas o que a Bíblia diz sobre a fé e como ela funciona? O escritor aos Hebreus nos deu a melhor definição de fé, que é “o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem” (Hebreus 11:1).

A fé não é um mero assentimento intelectual, conhecimento e aceitação dos fatos. Até os demônios creem e estremecem (Tiago 2:19), mas eles não vivem para agradar a Deus e não entrarão no descanso eterno, sendo jogados no inferno. A fé não é crer como eles creem. É uma experiência real com Deus que molda nosso ser, determina nossos valores e a maneira como vivemos. A verdadeira fé, portanto, leva a uma vida segundo o padrão de Deus, distinguindo-nos daqueles que vivem em conformidade com o mundo.

Os heróis da fé, cujos nomes estão registrados em Hebreus 11, foram pessoas que creram em Deus e trabalharam para Ele. Pela fé, Abel ofereceu a Deus um sacrifício agradável. Noé preparou uma arca. Enoque foi transladado porque andou com Deus. Abraão obedeceu, saiu de sua terra e do meio de seus parentes, indo para um lugar que ele não sabia. Sara recebeu a virtude de conceber e deu à luz na velhice. Tantos outros viveram pela fé e deixaram suas obras como testemunho disso. Eles “venceram reinos”, “apagaram a força do fogo”, “escaparam do fio da espada”, “da fraqueza tiraram força”, “puseram exércitos em fuga”, e outros experimentaram escárnio, açoites, cadeias, prisões e morte. Eles fizeram tudo pela confiança no Todo-Poderoso.

E quanto à nossa fé? Que dirão sobre nós em relação ao modo como temos vivido e obedecido a Deus? Que marca deixaremos?

A fé não se trata apenas da fé salvadora, mas da fé que nos move. Conforme Tiago 2:26, “assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”. Aqueles cujas vidas são fundamentadas no “firme fundamento das coisas que se esperam” e que creem no que os olhos carnais não podem ver devem viver motivados por essa mesma esperança.

A certeza do salvo é o seu fundamento firme, pois é colocada em Cristo. Eles não são movidos por suas emoções, não confiam em tradições humanas e não constroem suas vidas sobre qualquer terreno que não seja Cristo e seus ensinamentos. São como o “homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha” (Mateus 7:24-25).

Sobre os heróis da fé, o escritor bíblico nos diz: “E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa” (v. 39). Essa afirmação pode ser melhor compreendida à luz do versículo 13, onde lemos: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.” Muitos, cuja fé em Cristo é apenas para esta vida, estão vivendo movidos pela esperança em coisas terrenas. No entanto, aqueles que possuem uma fé genuína sabem que a maior das promessas, aquela que só podemos enxergar com “os olhos da fé”, é a que verdadeiramente nos move segundo o coração de Deus. Pense nisso!


sábado, 8 de abril de 2023

Jesus, a nossa garantia

Os filhos de Deus têm a garantia de que a morte não é o fim, porque o Senhor Jesus a venceu e vivo está

Túmulo vazio
Imagem: Unsplash

Pr. Cleber Moreira

“Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder.” (1 Coríntios 6:14)

A ressurreição do Senhor Jesus é o evento central do Cristianismo, porque esse fato nos dá a garantia de que servimos a um Deus vivo e todo-poderoso. Sua ressurreição é a garantia da nossa própria ressurreição. O apóstolo Paulo escreveu: “Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder” (1 Coríntios 6:14). Essa é a nossa esperança, a certeza de que um dia também ressuscitaremos em corpos glorificados e estaremos para sempre com o Senhor.

Todos os esforços para negar o túmulo vazio foram inúteis. Sua ressurreição é um fato histórico inegável que nos traz a confiança de que Ele cumprirá Sua promessa de voltar e levar consigo os Seus para a eternidade. Sua palavra é animadora: “Voltarei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (João 14:3).

Deus nos criou para a vida. Embora a morte seja uma realidade para todos por causa do pecado, em Cristo somos novas criaturas à semelhança do Criador. Nele, temos vida aqui na terra e na eternidade. Porque Cristo ressuscitou, podemos ter certeza de que também ressuscitaremos.

A Bíblia nos lembra de que há tempo para nascer e tempo para morrer (Eclesiastes 3:2). Embora nossos corpos voltem ao pó — “porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gênesis 3:19; Eclesiastes 12:7) —, temos a garantia de que a morte não é o fim, porque ela foi vencida. Não precisamos temer, porque Cristo morreu e ressuscitou. Ele é a esperança que temos para além do túmulo.

“Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos e foi feito as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20). Como nos faz entender Andrew Robert Fausset, Jesus é “o penhor ou garantia, que toda a colheita da ressurreição virá, de modo que nossa fé não seja vã, nem nossa esperança limitada a esta vida”. Por isso, temos a convicção inabalável de que Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará pelo Seu poder.

Somente em Jesus podemos ter a certeza de uma vida além do túmulo. Que essa certeza seja avivada em nossos corações, nos revigore e nos dê paz.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Primeiro o coração

Todos os que são convocados por Deus devem, impreterivelmente, experimentar a abnegação e fazer do chamado a sua prioridade, colocando nele seus corações

Imagem de JamesDeMers por Pixabay

Pr. Cleber Montes Moreira

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.” (Gênesis 12:1)

Quando alguém é chamado para sair de sua terra e exercer o ministério pastoral ou missionário noutro lugar, ao fazer as malas, qual a primeira coisa que deve colocar nela? O coração. Assim creio. Penso que foi isso que Abrão fez. Ele não deixaria o seu lugar, seus parentes e amigos, não romperia com vínculos afetivos tão fortes se não colocasse, antes de tudo, o seu coração no projeto de Deus. Aquele que vai, mas deixa parte de si, não está apto para servir. O “ide” requer fé e amor à causa.

Quando Paulo foi chamado, a partir do encontro com o Senhor ele desprezou o judaísmo, do qual era extremamente zeloso, colocou o seu coração no evangelho, derramou a sua vida por ele, e se tornou num modelo missionário. Ele declarou que as coisas que antes considerava tão importantes, agora, pelo conhecimento e amor a Cristo eram como escória (Filipenses 3:7,8). Sua experiência é como a do negociante que buscava boas pérolas, que ao encontrar “uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a” (Mateus 13:46). Em Cristo reordenamos nossos valores.

William Carey amou intensamente a Índia — O senhor o convocara para servir ali. Diante da recusa de sua esposa em acompanhá-lo, disse resoluto: “Se eu possuísse o mundo inteiro, daria alegremente tudo pelo privilégio de levar-te e os nossos filhos comigo; mas o sentido do meu dever sobrepuja todas as outras considerações. Não posso voltar atrás sem incorrer em culpa a minha alma”. Coube ao Dr. Thomas, companheiro de viagem de Carey, conversar com Dorothy e convencê-la a partir.

Todos os que são convocados por Deus precisam experimentar a abnegação e fazer do chamado a sua prioridade, colocando nele seus corações. Nenhum ministério dividido será bem-sucedido. Na verdade essa é a causa de frustrações e infelicidade de muitos obreiros. O sucesso ministerial não está, como muitos pensam, nos números, no tamanho da igreja, no status alcançado, mas na obediência. Paulo foi enfático: “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2 Timóteo 2:4) — um coração indeciso estará sempre propenso à infidelidade.

A esposa de Ló olhou para trás — estaria lá o seu coração? Fato é que ela não pôde agradar a Deus. Apegar-se àquilo que não é do propósito do Senhor nos torna estáticos, nos inabilita (Lucas 12:34). “Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lucas 9:62). Em outras palavras, ninguém que trabalha para Deus se move por interesses pessoais.

“O coração na obra, e a obra no coração.” Para cumprir o chamado não há meio termo. Pense nisso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Derramando a sua vida na igreja

É significativo que Jesus tenha amado e entregue a sua vida pela igreja. Como poderia o salvo desprezar isso?

igreja
Imagem: Unsplash
Pr. Cleber Montes Moreira

“… como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.” (Efésios 5:25)

Ao ser inquirido sobre seu ministério e a razão porque não escolheu fazer outra coisa em vez de pastorear, John Fullerton MacArthur respondeu com uma belíssima declaração de amor pela igreja: “Existem várias razões pelas quais eu amo a igreja, não apenas como pastor, mas como cristão. Se eu não estiver na Grace Church, se estiver em outro lugar na América, encontrarei uma igreja no Dia do Senhor. E se eu não estou pregando, o que é uma coisa rara, vou encontrar uma igreja onde eu possa simplesmente ir e estar. Eu quero estar em uma igreja. Eu amo a igreja.” Ele ainda relatou: “Uma vez me pediram para ser presidente de outra instituição e eu disse: ‘Não posso fazer isso porque tenho que pastorear uma igreja. Eu quero estar em uma igreja. Eu tenho que fazer parte do que Jesus está edificando.’ Posso acompanhar algumas outras coisas que ajudam a igreja e fortalecem a igreja, como a faculdade ou o que quer que seja, mas tenho que derramar minha vida na igreja.”1

Infelizmente, o vínculo com a igreja local está cada vez mais enfraquecido, principalmente neste tempo em que muitos se acomodaram às lives, e já não consideram a importância das reuniões presenciais. Preferem a conexão à comunhão. Além disso, nossa geração é movida por interesses egoístas e, se a igreja não tem muito a oferecer, há quem busque por melhores serviços. Outros se afastam da igreja por causa de desentendimentos, discordância com a liderança, regras rígidas, apego ao mundo etc. Há os que se transformaram em “cristãos autônomos”: para eles é possível pertencer à igreja de Cristo sem seguir as diretrizes bíblicas, sem vínculo com os irmãos, sem reuniões cúlticas, assembleias, ou cooperação de qualquer natureza com uma comunidade local. Alguns passaram a odiar, a criticar e a laborar contra a igreja, inclusive se esforçando para convencerem outros a se tornarem como eles. Se dedicam a ensinar que a igreja é uma “instituição desnecessária”.

Na Bíblia encontramos cartas às igrejas de várias localidades, como prova de sua importância e do cuidado de Deus para com elas. Paulo declarou que pesavam diariamente sobre ele a preocupação com todas as igrejas (2 Coríntios 11:28). Elas não eram perfeitas, algumas tinham problemas sérios — por isso mesmo foram alvo do zelo dos apóstolos que lhes escreveram —, mas todas eram a representação local da igreja do Senhor, aquela que Ele amou e a si mesmo se entregou por ela. Sim, é significativo que Jesus tenha amado e entregue sua vida pela igreja!

Como poderia um salvo se desinteressar, ou mesmo odiar e trabalhar contra a igreja que o Senhor instituiu, tanto ama e virá buscar?

Não apenas ministros dedicados, mas todo crente deve amar, honrar, servir e defender a igreja — ela é a sua família na fé! A exemplo do Senhor, e de outros servos fiéis, ele desejará derramar a sua vida nela. Pense nisso!


1 https://www.gty.org/library/sermons-library/POR-TMU88/por-que-devemos-amar-a-igreja

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Que é o evangelho?

Tal pergunta poderia render um estudo, um sermão, várias palestras, ou até um livro com muitas páginas, um best-seller


Pr. Cleber Montes Moreira

“Cristo morreu por nossos pecados.” (1 Coríntios 15:3)

Durante um encontro alguém me perguntou: “Para você, o que é o evangelho?”. A pergunta partiu de um membro de igreja, e as expectativas do rapaz, certamente, estavam além de minha sucinta resposta: “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16). Isso é o evangelho — é uma notícia extraordinária! —, mas não é tudo sobre ele.

Tal pergunta poderia render um estudo, um sermão, várias palestras, ou até um livro com muitas páginas, um best-seller. Paulo, porém, sintetizou: “Cristo morreu por nossos pecados.”

Certa vez alguém perguntou a C. H. Spurgeon se ele poderia dizer resumidamente em que se baseava a sua fé. Ele respondeu: “Direi em apenas quatro palavras: Cristo morreu por mim.”

Esta notícia é poderosa, é sobre o maior gesto de amor que transformou a história (antes e depois de Cristo), a ação misericordiosa do Altíssimo que traz esperança para todo pecador que se arrepende, a alegria dos salvos, o motivo pelo qual todos deveriam dar graças incessantemente. Afinal, Ele morreu em nosso lugar, “foi ferido por causa das nossas transgressões”, riscou “a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”, nos justificou e nos pôs em paz com Deus (Isaías 53:5; Colossenses 2:14; Romanos 5:1).

“Cristo morreu por nossos pecados” — Nunca uma tão grande notícia foi dada com tão poucas palavras! Pense nisso.

domingo, 3 de outubro de 2021

Ilhas de integridade

A vida cristã é uma pregação altissonante sobre o amor e a justiça divina, que por se contrapor ao padrão vigente incomoda aqueles que estão obstinados no pecado; é a mensagem que o mundo precisa, mas que muitos rejeitam


Pr. Cleber Montes Moreira

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente… Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor… Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.”
(Gênesis 6:5,8,9)


Num artigo sobre política o autor afirmou que os evangélicos “gostam de se colocar numa espécie de ‘ilha’, indicando que não se misturam com ‘as coisas do mundo’”. O articulista teceu críticas aos cristãos por causa de sua posição em relação a certos temas como família, ideologia de gênero, educação sexual para crianças nas escolas, política etc. Segundo ele (sem citar fontes ou nomes), certos pesquisadores descrevem o comportamento dos cristãos conservadores “como um ‘insulamento moral’, já que essas pessoas se consideram uma ilha moral numa sociedade devastada”.

A geração antediluviana estava corrompida, e por isso Deus a destruiu. Entretanto, a declaração de que a “maldade do homem se multiplicara”, e que toda a “imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” não se aplicava a certo homem e sua família: Noé não “seguia o fluxo”, mas “andava com Deus” — em meio ao caos moral havia uma ‘ilha de integridade’, um farol da justiça, alguém que não se rendeu ao “politicamente correto” de seu tempo, e que jamais negociou seus valores. Vivendo entre desventurados, ele foi um bem-aventurado, porque não andou segundo o conselho dos ímpios, nem se deteve no caminho dos pecadores, nem se assentou na roda dos escarnecedores (Salmos 1:1). Segundo o escritor aos Hebreus ele “foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hebreus 11:7), e Pedro o chamou “pregoeiro da justiça” (2 Pedro 2:5).

Assim como no tempo de Noé, também a nossa sociedade está afastada de Deus, em derrocada. Quem não se amolda a “nova moralidade” é visto como um “corpo estranho” e passa a ser ridicularizado ou combatido — na realidade, os salvos são vistos, pejorativamente, como “ilhas de resistência moral”. A verdade é que, embora no mundo, vivem como cidadãos do reino eterno (Filipenses 2:15).

A vida cristã é uma pregação altissonante sobre o amor e a justiça divina, que por se contrapor ao padrão vigente incomoda aqueles que estão obstinados no pecado; é a mensagem que o mundo precisa, mas que muitos rejeitam; e a acusação que proferem contra nós nada mais é que uma declaração de nossa integridade em Cristo, porque ‘andamos com Deus’. Pense nisso!

terça-feira, 30 de março de 2021

Quem diz que não há Deus é néscio

A pessoa verdadeiramente sábia não apenas crê no Criador, mas se relaciona com Ele; a fé é experiencial


Pr. Cleber Montes Moreira

“Disse o néscio no seu coração: Não há Deus.” (Salmos 14:1)

Um amigo meu, pastor, foi apresentado a um médico ateu num restaurante. Após cumprimentá-lo, disse: “Eu admiro muito os ateus”. O médico, curioso, perguntou: “Por quê?”. Meu amigo respondeu: “Para alguém refutar a existência de Deus terá que apresentar excelentes argumentos, e laborar contra a lógica para provar que sua crença no ateísmo é baseada em fundamentos sólidos e irrefutáveis, o que acaba sendo impossível. Muitos que percorreram este caminho acabaram por crer na existência do Criador. Mas, para nós que confessamos crer em Deus, é muito mais fácil, pois que está diante de nós todo universo, imenso, perfeito, complexo e maravilhoso, como evidência incontestável de que um ser supremo teve de planejar cada detalhe para que tudo estivesse em seu devido lugar, de modo ordenado e harmonioso, e cada corpo obedecesse às leis que Ele mesmo criou, assim como cada instrumento numa grande orquestra executa a música não por acidente, mas sob a batuta do maestro.”

Aquele que não sabe ler de quem são as digitais na criação, jamais se contentará com as respostas que encontrar: sempre haverá alguma pergunta cuja resposta provocará uma outra, e assim sucessivamente, porque para uma teoria o próximo ponto será sempre de interrogação. Uma teoria, como o próprio nome diz, é apenas teoria, mas fato é algo que não se pode contestar.

Deus não precisa ser provado. Ele existe, e isso é um fato. Só o néscio pode dizer que não há Deus — porque é néscio, ainda que se julgue competente. A pessoa verdadeiramente sábia não apenas crê no Criador, mas se relaciona com Ele (a fé é experiencial). O irlandês Clive Staples Lewis, autor de “As Crônicas de Nárnia”, que foi ateu por cerca de 30 anos, um dia escreveu: “Eu descobri em mim mesmo desejos que nada nesta terra podem satisfazer; a única explicação lógica é que eu fui feito para um outro mundo.”

“O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um vasto oceano. O arranjo maravilhoso e a harmonia do universo não poderiam senão sair de um ser onisciente e onipotente.” (Isaac Newton)

quinta-feira, 25 de março de 2021

Quando as aflições são bênçãos

Tenhamos sempre em mente que as aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração


Pr. Cleber Montes Moreira


“Eu disse: Guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a boca com um freio, enquanto o ímpio estiver diante de mim… Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lágrimas.”
(Salmos 39:1,12 – Leia todo o salmo)


O salmista está abatido. Seus pensamentos estão carregados, talvez de questionamentos e dúvidas acerca de Deus e outras coisas que, se exteriorizadas, podem escandalizar.

Na estrada da vida há declives. Ninguém está imune às tristezas, e nem à depressão. Diante de situações adversas, de sofrimentos extremos, de dolorosas provações, não é incomum que pessoas questionem o silêncio, a ação, ou a permissão de Deus quando suas expectativas são frustradas. Pode parecer que Ele tarda em socorrer, que não ouve as súplicas, que está ausente quando o pior acontece. “Onde Deus estava?”, “Por que Ele permitiu que isso acontecesse?”, “Por que não mandou o livramento?”, perguntam. Isso é de nossa humanidade, é fraqueza nossa.

Davi propôs em seu coração colocar um freio em sua boca, de não dizer nada diante dos ímpios. Mattew Henri diz que “devemos nos lembrar que eles vigiam as nossas palavras e as modificam, se puderem, para nossa desvantagem.” De fato, toda palavra impensada, precipitada e inconsequente que dissermos, e até nossos lamentos poderão ser usados contra nós. Por isso, em certos momentos, o silêncio é preciosíssimo, ainda que agrave a nossa dor (v. 2).

Há hora de calar, e hora de falar. O salmista, quando falou, falou com Deus. Enquanto orava percebeu sua fragilidade, também viu que a força e a glória humana não passa de vaidade. Ele entendeu as consequências de suas iniquidades, suplicou por alívio, e colocou sua esperança no Senhor. Percebeu que não é Deus quem nos lança em sofrimento, que se ausenta e nos abandona, mas que é o pecado que como a traça nos corrói e faz de nossa vida um sopro (v. 11). As aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração. Pense nisso!

Em abril de 2019

sexta-feira, 19 de março de 2021

Não creio…

“Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há.” (Deuteronômio 4:39)


Pr. Cleber Montes Moreira

Não creio no deus dos que dizendo pregar o evangelho, porém, servindo ao próprio ventre, com suas sutilezas enganam os incautos.

Não creio no deus daqueles que se dizendo fiéis ao evangelho, mas descrentes de seu poder, usam de subterfúgios para convencerem os infiéis.

Não creio no deus dos que pregam o amor, mas fazem acepção de pessoas.

Não creio no deus dos que, subindo aos montes para ver a sua glória, desejam construir lá cabanas para si.

Não creio no deus dos soberbos “espiritualizados”, cheios de “poder” e desprovidos da humildade característica do Salvador.

Não creio no deus dos mestres, sábios aos próprios olhos, que instruem aos outros sem, todavia, praticarem o que ensinam.

Não creio no deus dos que ocultam o verdadeiro Cristo enquanto exaltam a si mesmos.

Não creio no deus dos que servem a Mamon; dos que priorizam as riquezas em detrimento do reino eterno.

Não creio no deus dos que pregam um amor que subjuga a verdade.

Não creio no deus daqueles que, iludidos por um “evangelho social”, pregam uma justiça temporal e deixam de ensinar sobre a justiça divina, da qual devemos ter fome e sede.

Não creio no deus dos que apresentam uma verdade mentirosa, destoante dos princípios ensinados nas Escrituras; “verdade” que engana, aprisiona e mata.

Não creio no deus dos malabaristas da palavra, encantadores de (in)fiéis, que atraem para si aqueles que, não suportando a sã doutrina, se desviam da verdade em busca de quem lhes afague o ego.

Não creio no deus daqueles que tendo aparência de piedade, na prática negam sua eficácia.

Não creio no deus daqueles que, declarando falar em nome do Eterno, proclamam aos homens a sua própria palavra.

Não creio no deus dos mercadores da fé.

Não creio no deus daqueles que, ostentando espiritualidade, encobrem seu ateísmo.

Não creio no deus presente nos louvores antropocêntricos.

Não creio no deus das “igrejas” mundanizadas.

Não creio no deus das “igrejas” que dialogam com o mundo, sempre dispostas a negociarem princípios basilares da fé cristã.

Não creio no deus da religião sem Deus.

Não creio no deus da fé institucionalizada.

Não creio no deus daqueles que ressignificam as Escrituras.

Não creio no deus dos que pregam um outro evangelho.

Não creio num deus mutável (nem mutante).

Não creio num deus criado pelos homens, à sua imagem e semelhança, falho, impotente, sujeito às paixões, subserviente, pronto a atender aos comandos de seu criador.

Não creio num deus que não ama.

Não creio num deus que não se relaciona seu povo.

Não creio num deus que não disciplina seus filhos.

Não creio num deus que não julga.

Não creio no deus da Teologia Universalista.

Não creio num deus que dispensa a reverência e o temor dos fiéis.

Não creio num deus que não exija dos salvos a santificação.

Não creio em nenhum deus além do Deus eterno, Soberano, perante quem todos os deuses serão aniquilados, e diante de quem todos dobrarão seus joelhos naquele grande dia.

 

Em março de 2019

segunda-feira, 8 de março de 2021

Confia e espera

Ainda que não compreendamos, o tempo de Deus é o tempo certo, e Seu agir é perfeito; tudo o que precisamos é confiar e esperar

 

“Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.” (Eclesiastes 3:11)

Pr. Cleber Montes Moreira

Embora a Bíblia nos ensine que há tempo para tudo, e que Deus é soberano em suas ações, muitas vezes murmuramos enquanto aguardamos por alguma resposta às nossas orações. Vivemos sob a influência de uma sociedade imediatista, que quer tudo para ontem. A facilidade do controle remoto para trocar o canal da TV, abrir o portão, acender uma lâmpada e realizar outras tarefas, bem como toda comodidade que temos neste tempo de avanços tecnológicos, nos fez mal-acostumados. Esses dias meu filho estava “judiando” (como ele mesmo disse) do controle remoto: é que as pilhas estavam fracas e ele já demorava para obedecer aos comandos. Em relação a Deus muitos querem a mesma prontidão, como se fosse possível apertar uma tecla e o Poderoso responder prontamente.

Jairo era um homem importante. Ele era o líder da sinagora. Quando sua filha única, de doze anos, estava muito doente, ele foi buscar socorro em Jesus. Não sabemos o quanto ele conhecia sobre o Senhor, mas certamente o bastante para confiar que Ele seria capaz de curá-la. O relato bíblico diz que “prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa” (Lucas 8:41).

Enquanto iam, rodeados por uma multidão, Jairo teve de esperar, pois “uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada, chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue. E disse Jesus: Quem é que me tocou?” (Lucas 8:43-45). Enquanto isso acontecia, “chegou um dos príncipes da sinagoga, dizendo: A tua filha já está morta, não incomodes o Mestre” (Lucas 8:49). Aquele ‘atraso’ poderia ter deixado Jairo angustiado, decepcionado, com raiva… mas, ele confiou. Jesus lhe disse: “Não temas; crê somente, e será salva” (Lucas 8:50), e assim aconteceu: apesar da desconfiança dos que estavam na casa, e das risadas dos incrédulos, Jesus “pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: Levanta-te, menina. E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou” (Lucas 8:54,55).

O pedido de Jairo foi atendido, não no tempo que ele imaginava, mas no tempo de Deus, para a honra e glória de Deus e alegria de todos. Ainda que não compreendamos, o tempo de Deus é o tempo certo, e Seu agir é perfeito. Quem não tem fé se desespera, mas quem nele confia espera, mesmo quando aos olhos naturais tudo parece perdido.

Confia e espera, pois “bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lamentações 3:25,26).

sexta-feira, 5 de março de 2021

Billy Graham e Charles Templeton

“Pai, pela fé eu aceito este livro como Tua Palavra! Pela fé vou além das minhas dúvidas; eu creio que esta seja a Tua Palavra inspirada!”

Billy Graham
Billy Graham
Pr. Cleber Montes Moreira

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.” (Hebreus 11:1)

“E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.” (1 Coríntios 2:4,5)

Em 1949, antes de pregar num grande evento numa tenda em Los Angeles, Billy Graham mergulhou em dúvidas que afligiam sua alma. Algumas semanas antes, ele participara de uma conferência no Centro de Retiros Forest Home, na Califórnia, com diversos teólogos da época, dentre eles o seu então melhor amigo Charles Templeton, que defendia no Seminário Teológico de Princeton (Princeton Theological Seminary) seu estudo histórico e literário da Bíblia contrário a inspiração e inerrância das Escrituras.

Perturbado, certa noite Billy pegou sua Bíblia e caminhou sozinho pelas montanhas de San Bernardino, ao redor do Forest Home. Ao ver um velho tronco de árvore ao lado do caminho, colocou sobre ele sua Bíblia aberta e começou a orar:

“Ó Deus! Há muitas coisas neste livro que não entendo. Existem muitos problemas para os quais não tenho solução. Existem muitas contradições aparentes. Existem algumas áreas que não parecem se correlacionar com a ciência moderna. Não posso responder a algumas das questões filosóficas e psicológicas que Templeton e outros estão levantando.”

Depois caiu de joelhos, e continuou:

“Pai, pela fé eu aceito este livro como Tua Palavra! Pela fé vou além das minhas dúvidas; eu creio que esta seja a Tua Palavra inspirada!”

Após sua oração Graham sentiu o Espírito de Deus inundando sua alma. Quando se dirigiu ao público do Forest Home na noite seguinte, era como se fosse um novo homem. Havia uma confiança, um senso de autoridade em sua pregação que era totalmente nova e poderosa.

Ambos eram estudiosos da Palavra e evangelistas muito conhecidos. Um buscou entender a Bíblia por critérios humanos, o outro dobrou seus joelhos. Billy Graham tornou-se no homem que conhecemos, já Charles Templeton trocou a fé cristã pelo ateísmo1 (1 Coríntios 2:14).


1  Com informações de:
Documentário “Billy Graham O embaixador de Deus”, God’s Ambassador (Original), DVD, 2006, Distribuído no Brasil por Comev.
https://www.ultimato.com.br/conteudo/billy-graham-e-a-ante-sala-da-apostasia (acessado em 29 de maio de 2019)
https://friendsofjustice.blog/2015/08/03/billy-grahams-shadow-chuck-templeton-and-the-crisis-of-american-religion/ (acessado em 29 de maio de 2019)

segunda-feira, 1 de março de 2021

A fé não empodera

Enquanto a fé dos que buscam “andar sobre as águas” tende a produzir autoconfiança, a fé bíblica revela que precisamos do socorro divino, sem o qual estamos perdidos

 

E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mateus 14:29-31)

Pr. Cleber Montes Moreira

Há quem ostente uma fé num deus servil, subserviente ao homem, fé capaz de “mover montanhas”, de dar a quem crê o poder de “mover no sobrenatural”, de decretar curas, milagres e outras realizações; fé que diminui o Criador e empodera a criatura. Porém, esta fé que exalta nosso ego nada mais é que um ‘recurso de autoajuda’, capaz de gerar uma sensação agradável de poder e segurança que obscurece o entendimento de nossa dependência de Deus, e por isso nos leva ao naufrágio.

É certo que Pedro foi ousado ao fazer tal pedido. É certo que ele caminhou, ainda que por pouco tempo, sobre o mar, desafiando leis naturais. É certo que sua atitude pode merecer alguma admiração, mesmo tendo origem numa dúvida: “se és tu” — ele desafiou Jesus para que provasse ser Ele mesmo, e não um fantasma ou outro ser (v. 26). Mas, é também certo que ele teve que suplicar por socorro para não se afogar, motivo pelo qual concluo que nossa fé não é aferida quando andamos sobre as águas, mas quando clamamos por Cristo e seguramos em sua mão salvadora, sempre estendida para nos ajudar.

A tendência de quem anda sobre as águas é confiar em si mesmo, por isso Jesus não permitiu que Pedro fosse longe, e logo o fez perceber a sua impotência diante de forças tão ameaçadoras. E nisso há um ensino contra a soberba: Ninguém pode ir encontrar com Cristo caminhando sobre as águas, para que não se glorie em si mesmo; é o Senhor que vem a nós, com sua graça e misericórdia, trazendo Salvação; é ele quem estende sua mão para nos erguer da miséria do pecado. Assim, a fé salvadora não é aquela que nos faz sentir acima das circunstâncias, que nos empodera, mas a que nos leva a buscar e confiar somente em Jesus, nossa única esperança. Pense nisso!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Portanto, não temeremos…

Quando a terra se abalar, quando o seu chão desabar, em quem você buscará socorro?

tsunami
Imagem: Pixabay
Pr. Cleber Montes Moreira

“Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.” (Salmos 46:2,3)

Em 1755, um terremoto seguido de um tsunami devastou Lisboa, causando a morte de cerca de 100 mil pessoas. No dia 26 de dezembro de 2004, um terremoto de 9.2 graus na Escala Richter provocou uma série de tsunamis que devastaram países banhados pelo Oceano Índico, principalmente a Indonésia, provocando mais de 230 mil mortes e deixando cerca de 40 mil desaparecidos. O terremoto no Haiti, em 2010, matou mais de 250 mil pessoas. O ciclone da Índia, em 1970, foi o pior registrado na história, causando, segundo estimativas, 500 mil mortes. O maior desastre natural ocorreu em 1931, na China, com a inundação do rio Huang He (Amarelo), durante os meses de julho e novembro, e matou cerca de 4 milhões de pessoas.

A fúria da natureza é impressionante, e atesta a nossa impotência. Quem sou eu diante de um terremoto de grande magnitude, um tsunami, ou um ciclone? Eventos mais brandos têm ceifado vidas. Um sobrevivente de um tsunami na Indonésia, em 2018, narrando sua experiência, disse: “Tentei me segurar em qualquer coisa para sobreviver”. E quando não há nada em que se segurar?

O salmista fala de eventos de grandeza imensurável, verdadeiros cataclismos, para expressar sua dependência e confiança naquele que tem poder para guardá-lo. Ele se sente seguro, “ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza”, ainda que as estruturas do universo sejam afetadas, pois sua confiança está naquele que é “o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1).

Na vida, muitos acontecimentos podem ser comparados aos eventos mencionados pelo salmista. É durante as adversidades que demonstramos onde está nossa fé: ou nos apoiamos em nossa própria força, que nada é, ou tentamos nos agarrar em alguma “tábua de salvação”, seja alguma crença, religião, ou outra coisa, ou, então, confiamos em Deus, sabendo que “o Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (vs. 7,11).

Quando a terra se abalar, quando o seu chão desabar, em quem você buscará socorro?

Aqueles que confiam em Deus, somente eles, diante de qualquer situação, podem dizer com segurança: “Portanto, não temeremos…”. Pense nisso.


Quando nos cercar o mal,
Ao rugir o temporal,
Em Jesus é confiar,
Nunca poderá falhar.
(O Segredo do Viver, hino 330 do Cantor Cristão)

2020-06-20


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