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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Buscando os Desviados: Salvando Almas da Morte

“Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que converter um pecador do erro do seu caminho, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.” (Tiago 5:19,20)

evangelização
Imagem gerada por AI

Pr. Cleber Montes Moreira

Após abordar temas como a paciência nas provações, a importância da oração e o cuidado com os enfermos, Tiago conclui sua epístola voltando-se à responsabilidade mútua dentro da igreja, com foco especial na restauração daqueles que se desviam da verdade.

Jesus é a verdade (João 14:6). Portanto, desviar-se da verdade é afastar-se dEle. Tal desvio pode ocorrer tanto no abandono da sã doutrina quanto na queda moral. Quem se afasta da Palavra de Deus inevitavelmente também se distancia do padrão de santidade exigido pelo evangelho. O próprio Senhor afirmou: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Conhecer a Deus não é apenas ter informações corretas sobre Ele ou dominar as Escrituras, mas viver em comunhão com Ele por meio de uma fé viva — frutífera e operante.

Infelizmente, não é raro que alguns, dentre nós, se afastem de Deus e da comunhão com a igreja. Uns vacilam na fé e caem em armadilhas; outros são seduzidos pelos encantos deste mundo ou pelos enganos de falsos evangelhos. Há ainda aqueles que caminham conosco, mas nunca nasceram de novo.

Se alguém entre nós se tem desviado da verdade, nossa responsabilidade é conduzi-lo de volta — não com julgamento implacável, mas com amor, firmeza e compaixão. Tiago declara que aquele que fizer “converter um pecador do erro do seu caminho, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados” (v. 20). A restauração dos desviados não é missão exclusiva do pastor ou dos diáconos, mas responsabilidade de todo o corpo de Cristo. E a pergunta que nos confronta é: como temos reagido diante dos que se afastam? Com amor sacrificial ou com indiferença? Com oração e ação ou com descaso? Ou estamos simplesmente ocupados demais?

Uma das coisas que mais me entristecem no contexto da igreja é a facilidade com que desistimos das pessoas. Enquanto nós desistimos, o diabo trabalha; enquanto somos indiferentes, o mundo acolhe; enquanto não buscamos a ovelha desgarrada, o inimigo lhe apresenta convites sedutores; enquanto não nos compadecemos, o lobo voraz está à espreita.

Tenho vivido situações em que peço ajuda a irmãos para trazer de volta alguns que se afastaram. Uma das desculpas mais comuns é: “não tenho tempo”. Mas não ter tempo para “salvar da morte uma alma” é um sintoma trágico da frieza espiritual que tem contaminado a igreja. A falta de empatia revela a ausência de amor genuíno e uma conformidade com a indiferença praticada por um mundo sem Deus.

É claro que não somos nós quem convertemos os pecadores — isso é obra do Espírito Santo. Mas Deus nos chama para sermos instrumentos em Suas mãos. E, se nos recusamos a participar de algo tão importante e urgente, não seríamos nós mesmos os que precisam de conversão? Não seria essa indisposição um sinal de que também estamos desviados da verdade?

Quantos desviados da fé você conhece? Quantos você tem buscado? E se você escolhesse um deles para orar e agir com perseverança, será que Deus não poderia usá-lo como canal de restauração?

Aplicação:

Não ignore aqueles que se afastaram da fé. Em vez de criticá-los ou esquecê-los, seja um instrumento de reconciliação. Ore por eles, vá ao encontro, insista em amor. Você pode ser a pessoa que Deus usará para salvar uma alma da morte espiritual. Faça disso um compromisso: escolha um nome, dobre os joelhos, estenda a mão e persevere em amor.

Oração:

Senhor, dá-me um coração compassivo e sensível aos que se desviaram dos Teus caminhos. Usa-me como instrumento de restauração, com amor, sabedoria e perseverança. Que eu nunca me conforme com a perda de uma alma. Em nome de Jesus, amém.


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domingo, 22 de janeiro de 2023

Ele é a nossa prioridade

Ser discípulo não é ter encontros ou momentos com o Senhor Jesus, mas é andar com ele, viver nele e para ele para que em tudo ele seja glorificado

homem
Imagem: Pixabay
Pr. Cleber Montes Moreira

“E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai. Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos.”
(Mateus 8:21,22)

A expressão “e outro de seus discípulos” pode indicar alguém não estranho, talvez um discípulo sem firmeza, inconstante, casual, que tenha andado com Jesus por algum tempo sem, todavia, ter assumido com ele um compromisso real.

Entre o povo de Deus há muita gente oscilante, que diz seguir a Jesus, porém sem perseverança na carreira da fé. São pessoas que se contentam com uma vida medíocre, e permanecem a certa distância do Senhor. Sobre sua relação com a igreja, como dizia um saudoso amigo, “fazem pro gasto”. Pensam que indo aos cultos de vez em quando, especialmente aos domingos a noite, que entregando uma oferta, ou que tendo praticado alguma caridade isso já basta. Com este comportamento eles revelam a prática de um falso cristianismo, não centrado em Cristo, que não coloca o reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar (Mateus 6:33), mas que prioriza interesses humanos — um cristianismo antropocêntrico e egoísta. Na prática funciona assim: “Primeiro eu. A minha vida com Cristo, levo como puder.”

Sobre a frase “permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai”, há duas possibilidades que devemos considerar: A primeira é que aquele homem quisesse ficar em casa até seu pai falecer, o que significava adiar indefinidamente o compromisso de seguir o Mestre. Entre os judeus a obrigação com os pais idosos perdurava até seu falecimento, e se eles estivessem doentes e prestes a falecer o filho era isento de qualquer outra responsabilidade. Sepultar o pai era um dever considerado sagrado. A segunda hipótese é que seu pai tinha falecido, ou estando doente e na iminência de morrer, ele precisasse dar atenção à família e cuidar do funeral. É provável que a resposta dada tenha relação com a primeira situação, o que é aceito pela maioria dos intérpretes, e que suas palavras tenham este sentido: “Eu quero seguir-te, mas não posso enquanto meu pai viver”. Isso talvez revele desinteresse por um relacionamento mais próximo com o Salvador. Se assim for, cuidar do pai era uma ótima desculpa.

A resposta do Senhor, “deixa os mortos sepultar os seus mortos” (v.22), não trata de um ensino contrário ao cuidado com a família. Ao contrário, a Bíblia nos diz que “se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel” (1 Timóteo 5:8). Assim sendo, podemos compreender que Jesus orientou ao homem colocar em ordem suas prioridades, salientando que nenhuma coisa, ou responsabilidade, deveria impedi-lo do principal. Este entendimento parece estar em harmonia com Lucas 14:26: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” O verbo traduzido por “aborrecer” ou “odiar” trata de uma “escolha moral, elevando um valor sobre o outro”1; é colocar em segundo plano diante de algo prioritário, indicando que nem as relações familiares, nem a própria vida devem estar acima de nosso relacionamento com Cristo. E não nos esqueçamos da promessa que diz: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna” (Mateus 19:29).

Em nossa cultura, o esperar para sepultar o pai pode ter muitos correspondentes: os estudos, o emprego, a administração de algum negócio, amigos, família, sonhos, hobbies etc. Seja o que for, qualquer coisa que alguém coloque acima do compromisso com Deus torna-se o seu deus. Certamente esta é a razão de muitos crentes inconstantes e/ou casuais — embaraçados com suas prioridades não podem andar com o Mestre.

Ser discípulo não é ter encontros ou momentos com o Senhor Jesus, mas é andar com ele, viver nele e para ele para que em tudo ele seja glorificado. Isso requer que ele seja a nossa prioridade. Pense nisso!


1 Grego miseó: odiar. https://bibliaportugues.com/greek/3404.htm

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