A Palavra

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

“Eu sou a igreja”?

Aquele que se considera “igreja” fora do Corpo de Cristo é como a brasa longe do fogo, logo seu brilho extinguirá

carvão
Imagem: Pixabay

Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.” (1 Coríntios 12:12)

Li um texto que trata sobre alguns bordões muito usados no meio evangélico, e que contrariam ensinos bíblicos sobre a igreja. Um deles é: “eu sou a igreja”. Infelizmente este é um pensamento que tem encontrado abrigo em mentes desprovidas do conhecimento da verdade. Onde a luz da Palavra de Deus não chega, há obscuridade. Há até uma canção gospel cuja letra diz, repetidamente: “sou igreja”. Aliás, devemos ter muito cuidado com aquilo que cantamos, pois muitas canções, mais que desprovidas de conteúdo bíblico, são verdadeiras heresias.

No capítulo 12 de sua primeira carta aos Coríntios, Paulo apresenta a igreja como um Corpo. Tal como o corpo humano, a igreja é um ‘organismo’ vivo, dinâmico, formado por vários membros, cada um com sua função, contribuindo para o bem-estar do todo. Aliás, o bem-estar coletivo, a edificação dos irmãos, é o motivo pelo qual Deus concedeu à igreja a diversidade de dons: quando cada membro realiza aquilo para que foi criado, o corpo inteiro é beneficiado, tem saúde e realiza suas funções de modo natural.

O apóstolo ainda nos mostra que todos os membros, aqueles “que reputamos serem menos honrosos no corpo”, ou os que pensamos ser “mais nobres”, têm papéis importantes e que não deve haver divisão no corpo, mas que “tenham os membros igual cuidado uns dos outros” (vs. 23-25). Dessa forma, todos recebem e contribuem para a vida em comum e o crescimento do todo.

No corpo o “olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós” (v.21). Na prática isso seria como uma amputação. 

Quando um órgão ou membro do corpo humano é amputado, ele perde não apenas a capacidade de realizar a função para a qual ele existe, mas a própria vida. Da mesma forma, quem se considera “igreja” fora do Corpo de Cristo — porque membro não é igreja — não tem vida em si mesmo. Pense nisso!

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

A maior manifestação pela liberdade

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” (Filipenses 3:20)

Bandeira
Imagem: Unsplash

Atualizado em 07 de setembro de 2022

Pr. Cleber Montes Moreira

Neste dia em que comemoramos os 200 anos de independência do Brasil, patriotas saíram às ruas para se manifestarem em favor da liberdade e outros direitos constitucionais ameaçados pelo caos institucional instaurado no país. Trata-se de uma luta justa de um povo de maioria conservadora que, independente de confissão religiosa, cor da pele, sexo, condição econômica etc., é contra o aborto, a ideologia de gênero, a descriminalização das drogas, a corrupção e tantos outros males que assolam a nação; um povo que sonha com um Brasil melhor. Como cristãos estamos entre aqueles que nutrem este anseio legítimo — é natural e salutar que tenhamos esperanças para este mundo, que sejamos agentes de transformação social a partir da nossa fé em Cristo, e que empreendamos ações neste sentido sempre norteados pelos valores do evangelho. Afinal, ainda estamos no mundo, aqui estão nossos filhos e netos, e temos compromisso com as futuras gerações. Entretanto, nossa esperança eterna está na pátria de além, “donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo”, onde não haverá mais lágrimas, nem pranto, nem dor, nem enfermidades, nem fome, nem opressão, nem governos corruptos, nem morte… onde a justiça será plena, e onde nossa luz será o próprio Deus (Apocalipse 22:5; 21:4).

Não obstante a necessidade e legitimidade das lutas de nossa gente e das manifestações deste dia, tenhamos em mente que a verdadeira liberdade não se dá a partir de um “grito de independência”, não se alcança com uma manifestação popular, um sistema de governo, nem é garantida por uma constituição terrena, mas pelo conhecimento e relacionamento com Cristo, a Verdade que liberta: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará […]. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:32;36). Os que creem no Salvador são “feitos filhos de Deus” (João 1:12) e passam a ser “a nação santa, o povo adquirido” (1 Pedro 2:9): o salvo, portanto, é cidadão do reino dos céus, um reino de pessoas verdadeiramente livres. Por isso, a maior manifestação pela liberdade — plena e eterna — é a proclamação da mensagem que liberta o pecador e o conduz a Cristo, a saber, o evangelho, “poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16). Pense nisso!

domingo, 14 de agosto de 2022

Plantadores de árvores

Como pais somos chamados a sermos ‘construtores do futuro’, a plantarmos árvores que deem “sombra para as futuras gerações, protegendo-as do calor causticante dos valores anticristãos em um mundo anticristão”

Pai
Imagem: Unsplash
“Criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.” (Efésios 6:4b)

Pr. Cleber Montes Moreira

John MacArthur em seu livro “Pais Sábios, Filhos Brilhantes” nos lembra um provérbio chinês que diz: “Uma geração planta as árvores e a outra desfruta a sombra”. Depois ele afirma que “nossa geração vive à sombra de muitas árvores que foram plantadas pelos nossos ancestrais”, e faz a seguinte aplicação: “Em termos espirituais, desfrutamos a sombra dos padrões éticos de nossos pais e avós, de suas percepções sobre certo e errado, de seu senso de moral e dever e, acima de tudo, de seu comprometimento espiritual.”

Creio que nossa geração não tem plantado muitas árvores, e que as futuras gerações, se nada for feito, padecerão num deserto árido. Parece-me que alguns se dedicam ao plantio de espécies que, como eucaliptos, secam os mananciais: árvores do egoísmo, do individualismo, da incredulidade, do apego aos prazeres, da inversão de valores… Vivemos num tempo de crescente sequidão espiritual.

Muitos pais não ensinam mais aos filhos os valores da Palavra de Deus, e tantos outros não dão o exemplo adequado. Isso sem falar que geralmente, na escala de prioridades, a família, especialmente os filhos, muitas vezes perdem para o trabalho, os amigos, os vícios e outros interesses. Os filhos criados neste contexto, embora não necessariamente, tenderão a repetir os erros de seus pais; e são eles quem ocuparão os espaços e cargos na sociedade. E, o que será de uma nação cujos filhos são criados sem a “doutrina e admoestação do Senhor”? Se a situação já não é boa, o futuro é incerto.

Como pais somos chamados a sermos ‘construtores do futuro’, a plantarmos árvores que deem “sombra para as futuras gerações, protegendo-as do calor causticante dos valores anticristãos em um mundo anticristão”1, e nossa melhor ferramenta é a Bíblia. Utilizando dela podemos criar nossos filhos na “doutrina e admoestação do Senhor”. Esta missão não pode ser transferida nem terceirizada, ela é nossa, e nos foi dada pelo próprio Deus.

Se quisermos um futuro melhor para nossos filhos, bem como para nossa nação e o mundo, devemos considerar a exortação paulina, bem como o que Deus ordenou ao povo de Israel por meio de Moisés: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Deuteronômio 6:5-9). Que assim façamos!


1 John MacArthur