“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.” (Gálatas 5:16)
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A teoria mais aceita pelos etimologistas aponta que a palavra “carnaval” deriva do latim tardio carnelevarium ou carnem levare, expressão que significa literalmente “retirar a carne” ou “abster-se da carne”. O termo passou a ser usado na Idade Média para designar o período imediatamente anterior à Quarta-feira de Cinzas, marcando o último momento de liberdade alimentar e festiva antes da Quaresma — os quarenta dias de jejum e penitência que antecedem a celebração da Páscoa no calendário litúrgico ocidental, conforme o calendário gregoriano.
Contudo, o que historicamente significava “abstenção da carne” transformou-se, na prática, em exaltação da carnalidade. O que deveria anteceder um período de reflexão e contrição tornou-se uma celebração do excesso. A transição é emblemática: da ideia de renúncia, passou-se à apologia dos impulsos mais baixos da natureza humana, onde o prazer imediato sobrepõe-se à sobriedade do espírito.
O Carnaval pode ser definido como uma festa de inversão social e subversão temporária da ordem estabelecida. As hierarquias são simbolicamente suspensas, papéis são trocados e limites são relativizados. A rua torna-se palco, o corpo torna-se vitrine e a transgressão passa a ser celebrada como liberdade. Em vez de contenção, há incentivo à permissividade: nudez, sensualização explícita, banalização do sexo, infidelidade, consumo de álcool e drogas, e o estímulo a paixões desordenadas. O que a Escritura chama de “obras da carne” — “adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias…” (Gálatas 5:19-21) — é frequentemente promovido como entretenimento legítimo. A consequência não é apenas momentânea: famílias feridas, crianças expostas precocemente à erotização, gravidez indesejada, abortos, lares destruídos e consciências cauterizadas são os frutos amargos dessa cultura.
Em muitos desfiles e blocos, pais levam seus filhos para assistir e absorver tudo o que ali se apresenta. Entretanto, a Palavra de Deus é clara quanto à responsabilidade espiritual dos pais: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22:6). Também lemos: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Ao expor deliberadamente os filhos a ambientes de sensualidade e relativização moral, muitos acabam contribuindo para a formação de uma consciência moldada pela permissividade, não pela verdade. A omissão no ensino do caminho do Senhor não é neutra; ela produz consequências espirituais sérias, e cada pai prestará contas diante de Deus pela liderança exercida no lar.
Além disso, grande parte das festividades carnavalescas incorpora elementos e símbolos de religiões de matriz africana, exaltando entidades ligadas a essas crenças. Também se observam enredos comprometidos com ideologias contrárias aos princípios bíblicos, bem como manifestações de cunho político-partidário. Não se trata, portanto, de uma celebração neutra. Muitas vezes, os conteúdos apresentados confrontam valores fundamentais da cosmovisão cristã. Por essa razão, este não é um ambiente apropriado para quem deseja viver de modo coerente com o Evangelho. A tentativa de justificar a participação sob o argumento de “evangelizar no meio da folia” exige discernimento sério: o testemunho cristão não pode ser confundido com conivência. A Escritura orienta: “E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as” (Ef 5:11). O verdadeiro discípulo não busca ocasiões para satisfazer a carne sob pretexto espiritual, mas guarda o coração e a consciência diante de Deus.
A chamada “festa da carne” contrasta frontalmente com a espiritualidade bíblica. Paulo ensina: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais as coisas que quereis” (Gl 5:17). Em seguida, ele distingue claramente as obras da carne do fruto do Espírito. O fruto do Espírito — sempre no singular, porque procede de uma mesma fonte — é “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5:22). Quem anda no Espírito não dá ocasião aos impulsos pecaminosos, mas busca conformar-se ao padrão de santidade estabelecido pelo próprio Deus, pois está escrito: “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1:16).
Talvez alguém diga: “Eu não vou ao Carnaval, mas gosto de acompanhar pela TV”. Ora, aquilo que atrai nosso olhar penetra mentes e corações. Um verdadeiro cristão não colocaria diante de seus olhos aquilo que diz repudiar, nem levaria para dentro de casa o que contamina a pureza do lar. O salmista escreveu: “Não porei coisa maligna diante dos meus olhos. Eu odeio a obra daqueles que se desviam; não me contaminará” (Sl 101:3 — BKJV). O cuidado com os olhos é, em última análise, o cuidado com a alma.
Como crente, você tem alimentado sua carne ou seu espírito? Tem se deleitado no que agrada a Deus ou no que O entristece? Sua vida evidencia as obras da carne ou o fruto do Espírito? Você tem protegido sua família espiritualmente ou a tem deixado vulnerável às influências deste mundo? Seu testemunho é luz em meio às trevas ou se dilui na multidão? O chamado bíblico não é à conformidade com a cultura, mas à transformação pela renovação do entendimento (Romanos 12:2).
Oração:
Pai Santo, reconhecemos que nossa natureza é inclinada à carne, mas Te agradecemos porque, em Cristo, nos deste o Teu Espírito para vivermos em santidade. Guarda nossos olhos, nosso coração e nossa casa. Dá-nos discernimento para rejeitar o que Te desagrada e coragem para permanecer firmes em meio a uma geração que se afasta da verdade. Que nossa vida reflita o fruto do Teu Espírito e glorifique o Teu nome. Oramos confiados nos méritos de Jesus. Amém.
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