A Palavra: 2021

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Uma certeza revigorante

Podemos e devemos orar sobre nossas expectativas para o Ano Novo. Entretanto, devemos compreender que os pensamentos de Deus são mais elevados que os nossos, e que seus planos são perfeitos


Pr. Cleber Montes Moreira

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”
(Salmos 23:4)

O Ano Novo é sempre um momento de expectativas: sonhos que desejamos realizar, promessas e compromissos que firmamos, metas que estabelecemos etc. É certo que não alcançamos tudo que almejamos, mas nossa esperança se renova a cada ciclo e, quase sempre, tudo o que não realizamos no ano anterior se torna, mais uma vez, parte de uma nova “lista de desejos”.

Após um ano tão difícil, podemos até nos contentar com um 2022 um pouco melhor — e, considerando a realidade atual, esse não é um pedido injusto. Podemos e devemos orar para que o Senhor transforme nossa realidade. Entretanto, devemos compreender que os pensamentos de Deus são mais elevados que os nossos, e que seus planos são perfeitos, mesmo que nossos olhos queiram nos convencer do contrário. Sim, as circunstâncias laboram para nos fazer desacreditar, porém “andamos por fé, e não por vista” (2 Coríntios 5:7).

Não há nenhuma promessa de que aqueles que são de Deus serão guardados de todos os males, de que não adoecerão, de que não lidarão com apertos e aflições e serão bem-sucedidos (segundo o conceito secular) em tudo neste novo ano. Aquela ideia de que os salvos são imunes ao sofrimento, imbatíveis e vitoriosos sobre todas as coisas tem origem num falso evangelho. O próprio Jesus ensinou que “no mundo tereis aflições” (João 16:33) e, sinceramente, não podemos esperar outra coisa de um mundo que nos odeia porque não somos dele: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (João 17:14).

O próximo ano é uma incógnita (não para Deus), porém, se ele se apresentar como um vale de sombra e de morte, devemos ter em mente que o Pastor está conosco, e que não precisamos temer porque a sua vara e seu cajado nos consolam. Ele é quem nos guia por pastos verdejantes e nos leva a águas mansas, quem faz transbordar nosso cálice e nos inunda de bondade e misericórdia.

Eu não sei como será o ano novo, mas uma certeza tenho — uma certeza revigorante: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Salmos 23:1). E você será feliz, se puder dizer o mesmo. Pense nisso!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Se isto não for amor…

O Natal é a manifestação daquele que veio para oferecer sua vida na cruz, para salvar alguém como você e eu — e somos totalmente indignos de seu amor!



Pr. Cleber Montes Moreira

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.”
(Romanos 5:8)

Há uma antiga canção que diz que Jesus “deixou o esplendor de sua glória sabendo o seu destino aqui”. De fato o rei deixou a glória de seu palácio, trocou seu trono pela manjedoura, seu cetro pela cruz, se fez servo dos servos e andou maltrapido por este mundo. De rodeado de anjos cantando em seu louvor, foi estar “só e ferido no Gólgota para dar sua vida por mim”. Quão grandioso e insondável seu gesto: Ele se humilhou, se fez um de nós para alcançar o mais miserável dos homens. Como posso chamar este sentimento e disposição? A mesma velha canção responde: “Se isto não for amor o céu não é real, não há estrelas no céu, as andorinhas não voam mais. Se isto não for amor o oceano secou, tudo perde o valor se isto não for amor”.

O Natal é, sem dúvidas, a prova de que Deus nos ama. Seu amor é incondicional e sacrificial. Embora não possamos dizer tudo sobre este maravilhoso amor, sabemos que “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13). Mais ainda: Alguém até poderia morrer por um “justo”, por alguém “bom”, mas Jesus se entregou pelos “fracos” e “ímpios”; Ele provou “seu amor para conosco”, sem que merecêssemos, “sendo nós ainda pecadores”, portanto, seus inimigos. Sim, Ele ofereceu sua vida na cruz para salvar alguém como você e eu — e somos totalmente indignos de seu favor! (Romanos 5:6-8). Se isto não for amor o Natal não faz sentido, não há motivos para celebrações, não há perdão nem salvação, não há razão para termos esperança.

Que o entendimento sobre o verdadeiro sentido do Natal seja transformador: que a experiência do grande amor de Deus molde sua mente, seus sentimentos e ações, e te encha da paz e da esperança que só têm aqueles em cujos corações Cristo reina.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Deus está conosco

No Natal celebramos o “Deus conosco”, aquele que se fez homem para oferecer salvação, e por meio dela introduzir cada pecador arrependido na comunhão eterna com Ele



Pr. Cleber Montes Moreira

“Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.”
(Mateus 1:23)

Deus veio aos homens em forma de homem, andou entre os homens, foi tentado como homem, sentiu as dores comuns aos homens, experimentou todas as sensações possíveis aos homens, foi rejeitado e traído por homens, e como homem enfrentou a solidão e a morte. O divino se fez homem, totalmente homem. O Messias é o Emanuel, conforme profetizado por Isaías (Isaías 7:14), e todo o sentido do Natal pode ser resumindo em apenas uma frase: Deus está conosco!

Há muitos deuses no mundo, distantes, insensíveis, intocáveis, mudos, surdos, cegos, sem tato, indiferentes, impotentes… (Salmo 115). Deuses criados, fruto da imaginação humana, e até humanos feitos deuses, sem glória, sem poder, vencidos pela morte. Há deuses que recebem flores e oferendas em seus jazigos. Deuses que não se comunicam, que não respondem orações, que não enxugam lágrimas, que não curam feridas, que não estendem mãos poderosas, que não restauram, que não produzem esperança, que não podem oferecer a paz que excede todo entendimento (Filipenses 4:7; João 14:27), que não salvam… Eles não podem dizer “Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa”, ou “Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou”. Não podem pegar uma defunta pela mão e dizer “Menina, a ti te digo, levanta-te”. Não podem comer com publicanos e pecadores. Não podem sentir compaixão por uma viúva que acaba de perder seu filho e confortá-la dizendo “Não chores”, nem tocar no esquife do morto e ordenar: “Jovem, a ti te digo: Levanta-te”. Eles não podem chorar por um amigo. Não podem nada, são apenas deuses inúteis (Lucas 5:24; Mateus 9:22; Marcos 5:41; Marcos 2:16; Lucas 7:13,14; João 11:35).

O Deus que celebramos no Natal é o Deus criador, que sustenta e governa todas as coisas. É o Deus presente — o Emanuel, o Deus conosco —, que por amor incondicional veio ao mundo, suportou a afronta e a cruz, e levantou-se da sepultura para oferecer salvação, e por meio dela introduzir cada pecador arrependido na comunhão eterna com Ele. João previu: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus” (Apocalipse 21:3).

O Natal é isso, é “Deus conosco”, é vida com Deus, agora e para sempre. Você vive o verdadeiro Natal? Pense nisso!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Cristo: o real e o imaginário

A admiração e o afeto demonstrado pelo menino de Belém, rodeado de animais e outras peças de cenários natalinos, contrastam com a realidade encontrada pelo Salvador ao vir ao mundo, e revelam a distância entre o Cristo imaginário e o real


Pr. Cleber Montes Moreira

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”
(João 1:11)

Encantada com a beleza do presépio montado na pracinha da cidade, referindo-se ao bebezinho na manjedoura, Aninha exclamou: “Que fofinho!” A admiração e o afeto demonstrado pelo menino de Belém, rodeado de animais e outras peças de cenários natalinos, contrastam com a realidade encontrada pelo Salvador ao vir ao mundo, e revelam a distância entre o Cristo imaginário e o real. Em vez de recepção calorosa, João descreve, numa das notas mais tristes da Bíblia, a atitude dos judeus em relação a Jesus: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Sim, o Salvador foi rejeitado por seu próprio povo; aqueles que aguardavam aquele de quem as Escrituras falavam, foram os que o rejeitaram. As profecias de Isaías se cumpriram com exatidão: “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum (Isaías 53:3 — grifo do autor).

Israel esperava um outro cristo, diferente do prometido. O mundo adora outro cristo, um cristo imaginário, condescendente, subserviente, projetado para atender as expectativas de pecadores não arrependidos. Um cristo que, segundo as ‘teologias’ modernas, pode ser pobre, favelado, refugiado, preto, mulher, transexual, ou qualquer outra coisa porque é moldável; um cristo “fofinho”, “acolhedor”, inofensivo, complacente…este cristo é festejado, porém o Cristo, o verdadeiro, continua sendo rejeitado, inclusive esquecido de certas celebrações natalinas.

Entre muitas diferenças entre o cristo imaginário e o real, destaco aquela que está na sequência do texto de João: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (João 1:12). Isso, nenhum cristo “fofinho” pode fazer, porque “em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12). Pense nisso!

terça-feira, 12 de outubro de 2021

A nossa capacidade vem de Deus

Embora Paulo fosse reconhecedor da importância de seu trabalho, em vez de se ensoberbecer ele prefere declarar que “a nossa capacidade vem de Deus”

Bíblia
Foto: Cleber Montes Moreira
Pr. Cleber Montes Moreira

“…mas a nossa capacidade vem de Deus.”
(2 Coríntios 3:5)

Eu era um adolescente, mas nunca me esqueci da cena protagonizada por um homem que no Dia do Pastor resolveu homenageá-lo com uma composição própria. Após cantar sua música, com a cabeça erguida, virou-se para o auditório e disse: “Irmãos, eu sei que eu canto muito bem!”. Era como se ele tivesse dito: “Olha o que eu posso fazer”; “Vejam do que eu sou capaz”; “Eu tenho muito talento”. Os presentes, espantados com tamanha vanglória, não conseguiam ocultar sua perplexidade.

Possivelmente pesava contra Paulo a acusação de que ele era um gabarola. Por isso se fez necessária a sua defesa perante a igreja de Corinto. Ele não era como os falsos mestres que careciam de cartas de recomendação, pois contava com uma carta viva, lida por todos homens, a saber, os próprios coríntios. Por isso o apóstolo declara: “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (2 Coríntios 3:3), e nisso residia o louvor de seu serviço — os frutos produzidos testemunhavam a seu favor, esse era o seu “cartão de visita”. Embora fosse reconhecedor da importância de seu trabalho, em vez de se ensoberbecer ele prefere declarar que “a nossa capacidade vem de Deus”.

Aquele que pensa de si mais do que convém, que faz propaganda de suas virtudes, é como um herói dos quadrinhos: ele é herói apenas no imaginário. O problema é que muitos que se dizem cristãos agem assim, e por isso praticam um cristianismo descolado de Cristo, egocentrado, que só é possível na ficção.

Não há problema em reconhecer as próprias virtudes, desde que isso não se transforme em presunção. Por isso, como servo de Cristo, procure sempre fazer o seu melhor — e o seu trabalho falará por si mesmo —, mas seja humilde e repita todos os dias: a minha capacidade vem de Deus!

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Fé e provisão

Precisamos confiar que quem está em missão jamais ficará desamparado, pois Deus mesmo é quem supre, em tudo, aqueles que trabalham para Ele



Pr. Cleber Montes Moreira

“E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto; mas que calçassem alparcas, e que não vestissem duas túnicas.
” (Marcos 6:8,9)

Conheço um pastor que teve sua bagagem trocada durante uma viagem missionária. Ao chegar na residência onde ficou hospedado, percebeu que a mala de roupas que transportava, apesar de igual, não era a sua. Ao abri-la, encontrou apenas roupas femininas; não havia nada que pudesse usar durante as duas semanas que passaria ali. Em outra cidade distante, uma irmã encontrou em sua mala meias masculinas, camisas, calças, cuecas, pijamas, sapatos e outras coisas que lhe eram completamente inúteis. Era como se eles não tivessem se preparado para aqueles dias, nem levado coisa alguma, entretanto, durante sua estadia nada lhes faltou. Os irmãos locais supriram, amorosamente, todas as suas necessidades, inclusive comprando roupas apropriadas para eles. As malas? Elas só foram destrocadas dias depois.

Quando Jesus enviou seus discípulos para pregar e curar, lhes ordenou “que nada levassem para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro; que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas” (Marcos 6:8,9). Eram coisas necessárias, extremamente necessárias, que fariam parte da bagagem de qualquer evangelista, mas que eles não deveriam levar. Hoje, talvez alguém perguntasse: “Senhor, como faremos sem pão, sem dinheiro e com poucas roupas?” Os discípulos, porém, nada indagaram; foram pela fé. Noutra ocasião, Ele lhes perguntou: “Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada” (Lucas 22:35). Realmente eles tiveram tudo enquanto cumpriam a missão, porque Aquele que os enviou já havia preparado toda provisão.

Devemos confiar que quem está em missão jamais ficará desamparado, pois Deus mesmo é quem supre, em tudo, aqueles que trabalham para Ele. Paulo experimentou isso, várias vezes: “Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade…”; “Folgo, porém, com a vinda de Estéfanas, de Fortunato e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte me faltava”; “Mas bastante tenho recebido, e tenho abundância. Cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus” (2 Coríntios 11:9; 16:17; Filipenses 4:18).

Estamos preparados para uma viagem sem bagagem? Ou seja, para servirmos sem preocupações? Estamos certos de que Aquele que nos envia é o nosso provedor? A lição aqui não é sobre irresponsabilidade, mas sobre fé. Pense nisso!

sábado, 9 de outubro de 2021

Porque se sujar não faz bem

O mundo quer nos fazer aceitar que “se sujar faz bem”, que os desvios do padrão estabelecido por Deus são alternativas boas e divertidas, e que podemos aproveitar a vida sem preocupação com “regras ou padrões”


Pr. Cleber Montes Moreira

“Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.”
(Isaías 1:18)

Faz algum tempo que certa marca de lava roupas veiculou em seus comerciais o seguinte slogan: “porque se sujar faz bem”. No site da empresa, lemos que “*** acredita que se sujar faz bem”, e ainda que “sujar faz bem e é recomendável”, e esclarece que esta sujeira é “consequência de os seus filhos saírem para o mundo para se divertir…”1 Nas cenas, após as brincadeiras, as roupas depois de lavadas parecem novinhas. De fato o produto é bom e está entre os mais usados, e promete remover “até as manchas mais difíceis”. Entretanto, a mesma empresa, num outro comercial veiculado em 2017, alusivo a Semana da Criança, resolveu não falar de crianças se sujando em brincadeiras divertidas, nem manchando as roupas com alimentos, mas sobre o direito dos “meninos trocarem fraldas de bonecas”. A propaganda, que fazia apologia à ideologia de gênero, era um convite aos pais para “incentivarem seus filhos a se divertirem sem se preocupar com as cores, regras ou padrões”2.

Diferente da sujeira divertida das crianças, há uma sujidade que não faz bem algum, que não pode ser lavada com sabão, e nem ser limpa pela ação humana, por mais que tentemos. Trata-se do PE-CA-DO!

O mundo quer nos fazer aceitar que “se sujar faz bem”, que os desvios do padrão estabelecido por Deus são alternativas boas e divertidas, e que podemos aproveitar a vida sem preocupação com “regras ou padrões”. Porém, a propaganda para se sujar não apresenta um produto capaz de limpar a alma — não há um ‘Tira Manchas’ potente para remover “até as manchas mais difíceis” causadas pelo pecado.

A Palavra de Deus nos diz que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, e que “por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (Romanos 3:23; 5:12), de modo que toda humanidade está contaminada. E o pecado não é uma recreação, ele é mortífero: “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Na Bíblia, ele é comparado a uma mancha carmesim, uma variação do vermelho a partir do corante extraído do corpo da fêmea da “lagarta escarlate”, o “Coccus ilicis”.

Pela boca do profeta Isaías Deus fala a um povo pecador: “ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Isaías 1:18). Para nós também há uma promessa, um agente purificador eficaz e definitivo, “o sangue de Jesus Cristo” que “nos purifica de todo o pecado” (1 João 1:7). Por isso João Batista disse, a respeito dele: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29).

Não ceda à propaganda para pecar, mas sujeite-se a Cristo para ser salvo e esteja entre aqueles que “lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7:14). Pense nisso!


1 https://www.omo.com/br/se-sujar-faz-bem/aprender-brincando/porque-se-sujar-faz-bem.html

2 https://www.youtube.com/watch?v=CKqCidMktkY
Leia mais em: https://www.semprefamilia.com.br/blogs/blog-da-vida/propaganda-do-sabao-omo-embarca-na-ideologia-de-genero-e-e-intensamente-criticada/

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Pés que vão, joelhos que se dobram, e mãos que seguram as cordas

A obra missionária é feita pelos pés que vão, pelos joelhos que se dobram e, igualmente importante, pelas mãos que seguram as cordas



Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus.”
(1 Tessalonicenses 2:9)

Ao falar sobre “trabalho e fadiga”1 e “trabalhando dia e noite”2, Paulo nos indica duas coisas: primeiro que ele e Silas trabalhavam arduamente, até a exaustão, e em segundo que provavelmente o apóstolo tivesse que conciliar o trabalho missionário com o trabalho secular, o que requeria uma jornada dupla. Em Atos 18:1-4, encontramos que em Corinto ele se juntou a Aquila e sua esposa Priscila no ofício de fazer tendas, e nos “sábados disputava na sinagoga, e convencia a judeus e gregos” (v.4). Daí surgiu a expressão moderna “fazedor de tendas”, utilizada para se referir ao missionário que, a exemplo dele, trabalha para se sustentar ao mesmo tempo em que cumpre o seu ministério. Para muitos, este é um excelente modelo, entretanto, pondero: se o ministério de Paulo foi tão expressivo, como teria sido se ele pudesse viver exclusivamente para anunciar o evangelho? Entendo que as igrejas, e mesmos as juntas missionárias, devem repensar o modo como querem alcançar o mundo, provendo sustento integral e digno para seus missionários, considerando o precioso tempo a ser investido na obra, entendendo que qualquer outra atividade exercida pelo obreiro seja apenas estratégia para estabelecer pontes com o contexto local e não fonte essencial de sustento.

William Carey disse: “A Índia é uma mina de ouro. Eu vou descer e cavar, mas vocês, devem segurar as cordas.” Existem muitas minas de ouro espalhadas pelo mundo, mas que não são alcançadas porque muitos não querem “segurar as cordas”. A obra missionária é feita pelos pés que vão, pelos joelhos que se dobram e, igualmente importante, pelas mãos que seguram as cordas. Afinal, “digno é o obreiro do seu salário” (1 Timóteo 5:18), e o modelo bíblico que Paulo nos apresenta, embora tivesse que exercer ofício secular para se sustentar, é este: “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Coríntios 9:14 se possível, leia o contexto). Dar aos obreiros esta condição é responsabilidade das igrejas. Pensemos nisso!

1Grego kopos: trabalho árduo.

2Grego mochthos: trabalho cansativo, labuta, penúria.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Reconhecimento e motivação

O reconhecimento de que fomos salvos quando caídos às margens do caminho deve ser a nossa motivação para praticarmos a empatia, não apenas como uma virtude religiosa, ou fruto de um padrão moral elevado…


Pr. Cleber Montes Moreira

“E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.”
(Lucas 10:31,32)

Primeiro um sacerdote, depois um levita. Ambos passaram por um homem espancado por salteadores, caído à beira do caminho. A disposição, a mesma: vendo o ferido, atravessaram para o outro lado, e passaram longe dele (Lucas 10:31).

A apatia é prática comum numa sociedade afastada de Deus, em que impera o amor egoísta (2 Timóteo 3:2). Ela está presente quando alguém busca primeiro os seus próprios interesses, encolhe as mãos, nega atendimento, deixa de prestar socorro, ou mesmo quando pratica ou faz vista grossa para a corrupção, dentre outras coisas. Alguém que age assim é incapaz de pensar: “E se fosse eu naquela situação?”

No mundo há muitos “sacerdotes” e “levitas” como aqueles que mudaram de direção para evitar o homem ferido — mesmo aqueles que teoricamente deveriam estar mais sensíveis ao sofrimento alheio, quando movidos por certos interesses, ou praticantes de uma fé hipócrita ou falsa moralidade, acabam fazendo da indiferença o seu estilo de vida.

O maior exemplo de empatia que temos é o de um homem rejeitado pelo seu povo (Isaías 53:3; João 1:11). Aquele que sofreu na pele o nosso desprezo, foi justamente quem, por amor, “verdadeiramente tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si…”, que “foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades…”; Ele assumiu a nossa culpa e “foi oprimido e afligido” em nosso lugar (Isaías 53:4,5,7). Não “passou de largo”, mas veio em nosso socorro mesmo sem merecermos a sua ajuda — porque Deus provou “o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

O reconhecimento de que fomos salvos quando caídos às margens do caminho — aquele homem da parábola somos nós — deve ser a nossa motivação para praticarmos a empatia não apenas como uma virtude religiosa, ou fruto de um padrão moral elevado, mas como consequência de Cristo vivendo em nós. Pense nisso!

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Prazer que dá força para não pecar

O evangelho faz exatamente isso: nosso prazer nele mortifica os prazeres da nossa carne, de modo que passamos a andar em espírito e não segundo nossas paixões



Pr. Cleber Montes Moreira

“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.”
(Salmos 1:2)


Marcelo trabalhou até tarde naquela sexta-feira. Após fechar o escritório — ele foi o último a sair —, já a caminho de casa, ao parar num semáforo, estando com o vidro a meia altura, foi abordado por uma jovem que lhe ofereceu um panfleto de um site de acompanhantes. Sorrindo, ele retirou do bolso da camisa um folheto dobrado que gentilmente entregou à moça. Nele, um verso da Bíblia que diz: “Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” A mulher que aparentava uns 20 anos, com ar encabulado, segurando o impresso, saiu sem dizer nada.

Ao educadamente recusar a propaganda, Marcelo estava dizendo que o seu prazer estava na Palavra de Deus; nos seus ensinos que, entesourados no coração, lhe sustentavam para não pecar (Salmos 119:11). O evangelho faz exatamente isso: nosso prazer nele mortifica os prazeres da nossa carne, de modo que passamos a andar em espírito e não segundo nossas paixões. Dwight Moody escreveu na capa de sua Bíblia: “Ou este livro me afasta do pecado ou o pecado me afastará deste livro” — de fato temos aqui uma regra elementar: o pecado nos afasta da Bíblia, e a Bíblia nos afasta do pecado! Só pode resistir às tentações aquele cujo prazer está na “lei do Senhor”, e cujo entendimento é renovado diariamente pela meditação no Livro Sagrado (Romanos 12:1,2). Paulo afirmou: “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Romanos 8:13) — o pecado mata, mas a Palavra Santa vivifica.

Que esta seja a nossa constante oração: “Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela tenho prazer” (Salmos 119:35). Só assim teremos força para dizer “não” ao convite para pecar. Pense nisso!

domingo, 3 de outubro de 2021

Ilhas de integridade

A vida cristã é uma pregação altissonante sobre o amor e a justiça divina, que por se contrapor ao padrão vigente incomoda aqueles que estão obstinados no pecado; é a mensagem que o mundo precisa, mas que muitos rejeitam


Pr. Cleber Montes Moreira

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente… Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor… Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.”
(Gênesis 6:5,8,9)


Num artigo sobre política o autor afirmou que os evangélicos “gostam de se colocar numa espécie de ‘ilha’, indicando que não se misturam com ‘as coisas do mundo’”. O articulista teceu críticas aos cristãos por causa de sua posição em relação a certos temas como família, ideologia de gênero, educação sexual para crianças nas escolas, política etc. Segundo ele (sem citar fontes ou nomes), certos pesquisadores descrevem o comportamento dos cristãos conservadores “como um ‘insulamento moral’, já que essas pessoas se consideram uma ilha moral numa sociedade devastada”.

A geração antediluviana estava corrompida, e por isso Deus a destruiu. Entretanto, a declaração de que a “maldade do homem se multiplicara”, e que toda a “imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” não se aplicava a certo homem e sua família: Noé não “seguia o fluxo”, mas “andava com Deus” — em meio ao caos moral havia uma ‘ilha de integridade’, um farol da justiça, alguém que não se rendeu ao “politicamente correto” de seu tempo, e que jamais negociou seus valores. Vivendo entre desventurados, ele foi um bem-aventurado, porque não andou segundo o conselho dos ímpios, nem se deteve no caminho dos pecadores, nem se assentou na roda dos escarnecedores (Salmos 1:1). Segundo o escritor aos Hebreus ele “foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hebreus 11:7), e Pedro o chamou “pregoeiro da justiça” (2 Pedro 2:5).

Assim como no tempo de Noé, também a nossa sociedade está afastada de Deus, em derrocada. Quem não se amolda a “nova moralidade” é visto como um “corpo estranho” e passa a ser ridicularizado ou combatido — na realidade, os salvos são vistos, pejorativamente, como “ilhas de resistência moral”. A verdade é que, embora no mundo, vivem como cidadãos do reino eterno (Filipenses 2:15).

A vida cristã é uma pregação altissonante sobre o amor e a justiça divina, que por se contrapor ao padrão vigente incomoda aqueles que estão obstinados no pecado; é a mensagem que o mundo precisa, mas que muitos rejeitam; e a acusação que proferem contra nós nada mais é que uma declaração de nossa integridade em Cristo, porque ‘andamos com Deus’. Pense nisso!

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

A apostasia dos últimos dias

Pessoas há procuram contentamento temporal num evangelho desprovido da cruz, que não lhes exige nada: nenhuma mudança, nenhum comprometimento com a missão, nenhum envolvimento com o Senhor…


Pr. Cleber Montes Moreira

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios.” (1 Timóteo 4:1 — grifo do autor)

Paulo não se referia a pessoas alheias à vida da igreja, mas àqueles que em sua realidade se desviariam pelo caminho do engano. Observem o que ele diz em 2 Timóteo 4:3,4: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”. Não é novidade que pessoas estejam buscando um evangelho que lhes traga comodidade, benefícios e satisfação neste mundo.

Em nenhum outro tempo houve tantos falsos mestres, constituídos nas igrejas, segundo a conveniência do povo, para pregar aquilo que agrada a plateia. Essa gente levou para os templos a filosofia, a palavra de autoajuda, o evangelho fácil e conveniente, os sermões politicamente corretos, os louvores antropocêntricos, o entretenimento, a “arte”… A sã doutrina foi substituída pela inteligência emocional, a dependência da ação de convencimento do Espírito Santo por recursos neurolinguísticos e outras estratégias humanas, o treinamento e a edificação dos crentes na Palavra pela teologia do coaching.

As pessoas estão cheias de muita coisa, mas vazias de Deus. Elas procuram contentamento temporal num evangelho desprovido da cruz, que não lhes exige nada: nenhuma mudança, nenhum comprometimento com a missão, nenhum envolvimento com o Senhor… podem até estar vivendo a experiência de um falso avivamento. Em muitos casos, esta espiritualidade enganosa é regada por campanhas bem elaboradas, inclusive de oração, por uma atmosfera emocional favorável e pelo engajamento dos membros em algum propósito alheio à missão da igreja.

Este é um tempo em que evangélicos sem o evangelho elegem ídolos para si, que membros de igrejas são atraídos por malabaristas da palavra, que pessoas sem apetite pela verdade saem em busca de alguma novidade, e que muitos se preocupam com o que Deus pode fazer por suas vidas, e não em servir e ter contentamento no Senhor em toda e qualquer circunstância. Querem o melhor de Deus, e não o próprio Deus. Fato é que há igrejas — se é que tais instituições fazem jus ao nome — que nunca precisaram tanto de arrependimento (Apocalipse 3:19). Pense nisso!

terça-feira, 7 de setembro de 2021

A maior manifestação pela liberdade

A verdadeira liberdade não se dá a partir de um “grito de independência”, não se alcança com uma manifestação popular, um sistema de governo, nem é garantida por uma constituição terrena

 
Pr. Cleber Montes Moreira

“Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20 — ARIB)


Hoje, Dia da Independência do Brasil, muitos saíram às ruas para se manifestarem em favor da liberdade e outros direitos constitucionais ameaçados pelo caos institucional instaurado no país. Trata-se de uma luta justa, de um povo de maioria conservadora que sonha com um Brasil melhor. Como cristãos, nutrimos este sonho legítimo — é natural e salutar que tenhamos esperanças para este mundo, que sejamos agentes de transformação social a partir da nossa fé em Cristo, e que empreendamos ações neste sentido sempre norteados pelos valores do evangelho. Afinal, ainda estamos no mundo, aqui estão nossos filhos e netos, e temos compromisso com as futuras gerações. Entretanto, nossa esperança eterna está na pátria de além, “donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo”, onde não haverá mais lágrimas, nem pranto, nem dor, nem enfermidades, nem fome, nem opressão, nem governos tirânicos, nem morte… onde a justiça será plena, e onde nossa luz será o próprio Deus (Apocalipse 22:5; 21:4).

Não obstante a necessidade e legitimidade das manifestações deste dia, tenhamos em mente que a verdadeira liberdade não se dá a partir de um “grito de independência”, não se alcança com uma manifestação popular, um sistema de governo, nem é garantida por uma constituição terrena, mas pelo conhecimento e relacionamento com Cristo, a Verdade que liberta: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará […]. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:32;36). Os que creem no Salvador são “feitos filhos de Deus” (João 1:12) e passam a ser “a nação santa, o povo adquirido” (1 Pedro 2:9): o salvo, portanto, é cidadão do reino dos céus, um reino de pessoas livres. Por isso, a maior manifestação pela liberdade — plena e eterna — é a proclamação da mensagem que liberta o pecador e o conduz a Cristo, a saber, o evangelho, “poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16).

sábado, 4 de setembro de 2021

Porque apoio as manifestações do dia 07 de setembro


Por Cleber Montes Moreira

01. Porque o artigo 5° no inciso XVI da Constituição Federal nos garante o Direito a Livre Manifestação: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.”

02. Porque o momento atual, em que há abusos e cerceamento de direitos, requer que o povo se manifeste por uma ação efetiva em favor da manutenção da democracia.

03. Porque diante da escalada da corrupção, da impunidade, dos desmandos, da violação de direitos, da interferência entre poderes, e outras anormalidades que levam ao caos institucional, o silêncio é crime ainda pior, uma vez que “quem cala consente”.

04. Porque o silêncio conivente hoje, resultará em silêncio imposto no futuro.

05. Porque os objetivos destas manifestações estão acima de ideologias político-partidárias, uma vez que o que se pretende é o respeito e a garantia de direitos universais.

06. Porque entendo que os cristãos não podem ficar indiferentes e/ou alheios ao cenário político atual, mas devem, como bons cidadãos, defender os valores basilares da sociedade, denunciar o erro e pelejar pela paz.

07. Porque não quero para o Brasil a mesma realidade de outros povos que, debaixo de poderes tirânicos, vivem sem liberdade e na pobreza.

08. Porque estas manifestações não são, como muitos querem fazer crer, sobre defender um “homem”, mas sim sobre o direito constitucional daqueles que pelo voto elegeram uma proposta de governo e querem vê-la implementada.

9. Porque são manifestações de gente pacífica e ordeira.

10. Porque numa democracia o “poder emana do povo”; povo que elege seus representantes e que tem o direito de se expressar, reivindicar, e ser ouvido.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Vamos brincar de igreja?

Cuidado com aqueles que “tendo aparência de piedade”, na prática negam o evangelho, porque são “inimigos da cruz de Cristo”


Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas.” (Filipenses 3:18,19)

 

— Vamos brincar de igreja? — Pedrinho propôs a Gustavo.

— Sim, vamos!

Então os dois reuniram algumas miniaturas de personagens de várias brincadeiras e arrumaram as peças sobre o tapete do quarto, formando o que entendiam ser um auditório. Emborcaram uma caixa para servir de púlpito, sobre a qual colocaram um homenzinho. Até uma bateria e um violão de brinquedo usaram para compor o cenário de um templo religioso. Ajeitaram tudo conforme sua imaginação infantil.

— Eu serei o pastor. E você?

— Serei o ministro de música! — Gustavo respondeu animado.

— O que devo pregar?

— Sei lá. Pregue o que as pessoas gostam de ouvir.

— Então podemos pedir dinheiro, como aquele apóstolo da TV. Que acha?

— Mas isso não é o que as pessoas gostam, é o que você queria que elas te dessem.

— É… então vamos dizer que curamos suas doenças, que oferecemos ajuda para resolver seus problemas. Depois disso a gente pede dinheiro, que é para manter o Ministério.

— Certo. Boa ideia.

— E você, vai cantar? Você é o ministro de música, tem de cantar.

— A gente pode cantar algumas músicas do CD que a mamãe estava ouvindo ontem. Como é mesmo aquela que fala do mel?

— Sabor de Mel, você não lembra?!

— Ah, é isso! Você consegue cantar um pedacinho? É para eu lembrar…

— “Tem sabor de mel, tem sabor de mel. A minha vitória…” Não lembro mais. Melhor cantar outra.

— Como é aquela que diz “Deus já preparou um pódio para sua vitória… A vitória chegou, a vitória chegou”?

— Não sei. Melhor cantar uma música de criança.

— Podemos cantar aquela daquele vídeo no YouTube: “Atirei o Pau no Gato”.

— Mas essa não é de crente.

— É sim. Eles cantaram no culto.

— É mesmo?!

— Sim! Foi numa igreja lá em Belo Horizonte.

— Está bem. A gente canta essa mesma. Ela é fácil.

Enquanto Pedrinho e Gustavo brincavam no quarto, na sala o pai assistia à televisão. O programa sensacionalista mostrava imagens flagradas de um helicóptero em um heliponto de um megatemplo em São Paulo sendo abastecido com malas cheias de dinheiro doado por fiéis.

Embora o diálogo aqui apresentado seja fictício, o caso do helicóptero (e o da música “Atirei o Pau no Gato”) é verídico. Há muita gente brincando de igreja, de ser pastor, de ser apóstolo, de ser adorador, de ser crente… Gente que aprende a imitar a tonalidade de voz de certos pregadores famosos, que aluga espaços pequenos nos bairros, ou mesmo grandes salões, que se envereda pelo mundo da música gospel, e das mazelas…

Recordo de uma declaração dada por uma pessoa no Facebook: “Meu sonho é ser uma cantora gospel famosa. Eu sei que vou conseguir. Deus vai me dar a vitória!” Observem que o ideal da pessoa é alcançar fama, não é servir a Deus. Essas ambições florescem regadas ao som de mensagens e canções triunfalistas que exaltam o homem:

Acredite, é hora de vencer
Essa força vem
De dentro de você
Você pode
Até tocar o céu se crer (…)
Nossos sonhos
A gente é quem constrói (…)
 Tantos recordes
Você pode quebrar
As barreiras
Você pode ultrapassar
E vencer (…)
Deus dá asas, faz teu voo (…)

 

Veja o que diz outra canção:

Tudo que ligarmos aqui
Lá no céu ligado será.
Deus, eu ligo aqui agora
Minha casa, minha empresa,
A fartura em minha mesa,
Meu carro importado,
Casamento abençoado,
Só pra Te glorificar.

 

O mercado religioso é muito atraente. Nele há excelentes artigos de consumo, propícios à venda e lucrativos: músicas, palestras, cursos e treinamentos diversos, amuletos e um sem número de objetos, orações, correntes, “trabalhos” para trazer o amor de volta, para arranjar emprego, exorcismos, curas e todo tipo de serviço que alguém possa querer da parte de Deus. Certamente, os espertos, que gostam de brincar de igreja, sempre têm uma solução para o cliente. Se não tiverem, inventam; e criatividade é o que não falta. Pode ser um portal por onde o fiel possa passar, simbolizando a abertura de portas de emprego e outras oportunidades. Pode ser uma capa para dar proteção. Pode ser um manto. Pode ser um anel simbolizando alguma aliança com Deus. Pode até mesmo ser um “contrato” com Deus assinado pelo próprio Jesus Cristo. Que tal tocar num manto consagrado em Israel, na “arca da aliança”, ou na camisa suja de sangue de um certo apóstolo? Que tal um lencinho com o suor curativo? Há também rosas, águas e até vassouras ungidas, cada produto para um propósito específico. Você também pode comprar um “terreno” no céu e receber uma escritura simbólica.

Neste mercado lucrativo, muitos brigam por um lugar ao sol. Já viu a variedade de nomes de igrejas que estão por aí, e outras que vão surgindo? Quem não quer trabalhar como sócio, acaba abrindo o próprio negócio.

O tema é “conversa pra mais de metro”, é inesgotável a tal criatividade dos falsários da Palavra. Há sempre uma ideia nova. O circo não pode parar, a brincadeira tem de continuar: a roda da economia da “gospelândia” precisa girar!

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

É verdade que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”?

Nossos atos, incluindo nossos pecados, testemunham sobre nós, sobre quem somos e qual é nossa condição diante de Deus. Não dá pra dissociar o que somos de nossas convicções e práticas

 

Pr. Cleber Montes Moreira

“O Senhor prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma.” (Salmos 11:5)


“Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Certamente você já ouviu esta frase, ou a leu num livro, revista, ou em algum site ou postagem nas redes sociais. “Há algo errado com esta afirmação?” — você, talvez, pergunte. Não. De fato Deus ama o pecador; ama “de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). O seu amor é prático, sacrificial, comprovado na cruz. Aliás, não há amor maior que este (João 15:13), amor que leva um justo, Jesus Cristo, a morrer em lugar de pecadores (Romanos 5:7,8). Também é verdade que Deus odeia o pecado. “Mas, então, qual é o problema com a frase?” Eu respondo: Você lembra porque o primeiro casal foi expulso do Jardim do Éden? Lembra porque o homem se escondeu de Deus e sentiu vergonha de Sua presença? Lembra porque a fadiga, dores, sofrimentos e a morte passaram a fazer parte da realidade humana? Lembra porque a terra produz cardos e espinhos?1 Você sabe porque Deus enviou um dilúvio e destruiu a todos, poupando apenas a família de Noé?2 Sabe porque Deus varreu as cidades de Sodoma e Gomorra com o furor de sua ira?3 A resposta é uma só: Por causa do PE-CA-DO! Deus declara em Sua Palavra que “a alma que pecar, essa morrerá”, que “o salário do pecado é a morte”, e que os pecadores — os que não se arrependerem, que não passarem pelo novo nascimento — ficarão de fora da Cidade Santa, na eternidade, o que consiste na separação eterna de Deus, condição esta que a Bíblia chama de “segunda morte” (Ezequiel 18:4; Romanos 6:23; Apocalipse 21:8; 22:15).

O problema não está exatamente na frase, mas nos modos e intenções de seu uso. Embora ela seja verdadeira no que declara sobre amor de Deus pelo pecador, e seu ódio pelo pecado, ela tem sido proferida, muitas vezes, e mesmo que inconscientemente, como propaganda da Doutrina Universalista e da Teologia Inclusiva. A primeira entende que Deus ama tanto o pecador que, no final, salvará a todos, a despeito de qualquer coisa, e a segunda compreende o “amor” como doutrina única, não havendo, da parte de Deus, nenhuma outra exigência para que o homem seja salvo. É uma forma de atenuar a ira divina, o seu perfeito juízo e a condenação eterna dos pecadores; de invalidar a cruz e proclamar um “evangelho” que cria uma atmosfera favorável ao homem obstinado no erro, que recusa a obra do Espírito Santo em sua vida, sugerindo que a pessoa pode viver como quiser, na prática do pecado, seja ele qual for, e mesmo assim estar em paz com Deus. Os pregadores universalistas e inclusivos negam que “os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus”, omitindo a verdade e cooperando com o diabo para alargar o caminho da perdição (Salmos 9:17 — veja Mateus 25.31-46).

O Universalismo anuncia que um Deus bom, amorável, jamais enviaria pessoas para o inferno. Aliás, “o inferno não existe” — ensinam eles. A Teologia Inclusiva, por sua vez, conclui que para alguém ser salvo basta “praticar o amor”. Parece-me que afirmar que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador” satisfaz as duas escolas, e deixa o perdido bem confortável enquanto, iludido, caminha para a eternidade sem Cristo.

Nossos atos, incluindo nossos pecados, testemunham sobre nós, sobre quem somos e qual é nossa condição diante de Deus. Daí João Batista exortar aos fariseus e saduceus, hipócritas: “produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8).

Não dá pra dissociar o que somos de nossas convicções e práticas: um é o andar do salvo, outro é o andar do perdido, e cada um frutifica segundo sua natureza (Gálatas 5:19-25); não dá pra separar o ato pecaminoso daquele que o pratica, de modo que ninguém pode viver como quer e escapar das consequências do pecado, mesmo que praticando alguma religião.

Lembre-se que Deus “ao culpado não tem por inocente”, que “os ímpios não subsistirão no juízo”, que “os transgressores e os pecadores serão juntamente destruídos; e os que deixarem o Senhor serão consumidos”, e que “não entrará nela (na Cidade Santa4) coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Salmos 1:5; Isaías 1:28; Êxodo 34:7; Apocalipse 21:27). Tenha em mente que Deus não condena o pecador por ódio ou vingança, mas porque Ele é santo e justo, e que seu amor não é sinônimo de complacência; Ele não dá licença para pecar. Pense nisso!


1 Gênesis 3

2 Gênesis 6-7

3 Gênesis 13:13; Gênesis 19:24,25; 2 Pedro 2:6; Lucas 17:26-30

4 Apocalipse 21:27, adendo explicativo

domingo, 1 de agosto de 2021

Triste ou Feliz?

“O mais feliz dos felizes é aquele que faz os outros felizes.” (Alexandre Dumas)


Pr. Cleber Montes Moreira

“O que despreza ao seu próximo peca, mas o que se compadece dos humildes é bem-aventurado.” (Provérbios 14:21)

Meu filho Jônatas, quando com pouco mais de dois anos, como a maioria das crianças, conseguia perceber coisas que nós adultos nem sempre percebemos. Ele sabia bem quando as pessoas mais próximas mudavam de humor. Daí ele perguntava: “Você está triste?”; ou “Você está feliz?” Se cometia alguma pequena travessura e sabia, pelo meu semblante, que havia desagradado, perguntava: “Você está triste?”. Se fazia algo que agradava, a pergunta era: “Você está feliz?”. Lembro-me que certo dia minha esposa chegou da escola em que leciona cansada, sentindo-se mal, deitou-se e ele, aproximando-se calmamente, fez a pergunta: “Mamãe, você está triste?”

Quanta diferença faria se as pessoas perguntassem umas às outras mais vezes: “Você está triste?”, ou “Você está feliz?”. Certamente que tal preocupação seria recebida como uma demonstração de afeto.

Triste ou feliz? Você se importa? Se realmente amamos, precisamos perguntar sempre! Alexandre Dumas afirmou: “O mais feliz dos felizes é aquele que faz os outros felizes.”

Ele tomou nosso lugar

Sob falsa acusação, um homem inocente foi preso, humilhado, condenado e morto em lugar dos verdadeiros culpados…


Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito.” (1 Pedro 3:18)

Uma acusação injusta levou Lawrence McKinney a passar 31 anos preso por um crime que não cometeu. Em 1978, Lawrence tinha 22 anos e foi condenado a 110 anos de prisão pelo Tribunal de Justiça da cidade de Shelby, no Tennesse, acusado de estupro. Décadas depois, o outro homem que havia sido condenado juntamente com Lawrence, procurou a organização The Innocence Project, que se dedica a revisar casos de presos condenados injustamente, e corroborou as alegações de Lawrence de que ele era inocente. Com a análise de DNA colhido nas provas do crime, foi comprovada a inocência do homem que havia sido privado da liberdade durante mais de três décadas, e ele foi solto.

Notícias de pessoas presas e até condenadas injustamente, surgem com certa frequência na mídia; gente que sofre por um crime que não cometeu, enquanto o verdadeiro culpado, na maioria das vezes, está solto.

Há mais de dois mil anos, sob falsa acusação (Marcos 14:57), Jesus foi preso, humilhado, condenado e morto numa cruz. Ele foi levado à pena capital, injustamente, em lugar de quem é, verdadeiramente, culpado: eu e você! Sim, aquela cruz era nossa e não de Cristo. Mas, por amor, Ele tomou nosso lugar. Por sua morte, nossa culpa foi perdoada e, embora pecadores, fomos, pelo seu sangue, justificados diante de Deus. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus…” (Romanos 8:1).

quarta-feira, 28 de julho de 2021

32º Aniversário de Consagração ao Ministério Pastoral: 1989 - 2021

“Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.” (Atos 20:24)

pastor cleber

Pr. Cleber Montes Moreira

Hoje completo 32 anos de consagração ao ministério pastoral. Daquela sexta-feira, dia 28 de julho de 1989, guardo doces lembranças: O nervosismo durante o concílio. O então pequeno templo da Igreja Batista Boa Fortuna lotado, e muita gente do lado de fora. Pastores presentes, dentre os quais alguns já foram chamados à presença de Deus, professores, colegas de seminário, familiares, amigos, gente que evangelizei e discipulei — porque já tinha um coração de pastor mesmo antes de assim ser intitulado.

Do exercício do pastoreio, das experiências acumuladas, a certeza de que poderia ter feito melhor, que muitas coisas teria feito diferente, mas certo de que fui sincero em tudo, e que a vida é de aprendizado e, portanto, ainda cometerei erros, mas sempre na intenção de acertar e fazer o melhor. Saber que “ninguém é perfeito” não é desculpa, mas motivação para buscar melhorar, sempre. De fato, a gente vai melhorando na medida que Deus trabalha em nós — todos somos um canteiro de obras — mesmo sabendo que quanto mais a mente evolui, o corpo já não pode acompanhar com o mesmo dinamismo (risos).

Dentre algumas coisas que aprendi, faço alguns destaques — apenas alguns — que podem consistir em conselhos para os mais jovens:

- O pastor deve amar a Cristo com amor sacrificial.
- Quem ama a Cristo sacrificialmente, assim também amará as ovelhas.
- Nem todos na igreja são ovelhas, há também lobos. Trate ovelhas como ovelhas, e lobos como lobos.
- Seja grato, sempre! Aprecie a gratidão, mas não espere recebê-la de todos.
- Não espere receber apoio e compreensão de todos. A natureza do ministério pastoral não é compreendida por todos que te cercam.
- Procure aprender logo o que significa “posso todos as coisas naquele que me fortalece”.
- Faça o seu trabalho, não se encante com “fórmulas mágicas”, o crescimento é Deus quem dá.
- Procure ser criativo, mas saiba que a pólvora já foi descoberta e a roda inventada.
- Embora todos sejamos influenciados, seu principal modelo não deve ser um padrão humano, um “pastor de sucesso”, porque todos falhamos, mas Cristo.
- Não sonhe pastorear uma grande igreja. Jesus tinha 12 discípulos. O valor do pastor não é medido pelo tamanho de sua igreja, seja ela grande ou pequena, mas pela qualidade de seu trabalho.
- O ministério pastoral é um projeto divino, e não pessoal.
- Cuidado com os elogios. Nunca se envaideça. “Quanto mais alto, maior o tombo”.
- Seja empático, simples e humilde, como Jesus.
- O gabinete pastoral é útil, mas as ovelhas estão lá fora.
- A família vem antes do ministério.
- Trabalho, descanso, entretenimento… tudo é importante, na medida certa. Nem sempre conseguimos equilibrar estas coisas, mas é preciso seguir tentando.
- Não abra mão de sua privacidade.
- Não faça tudo sozinho. Aprenda a delegar responsabilidades.
- Não assuma compromissos que não possa realizar.
- Agenda cheia não é sinônimo de ministério eficaz.
- Estabeleça um limite entre “contatos” físicos e “envolvimento”. Um abraço pode ser apenas um abraço, ou outra coisa. É importante estar atento para não dar ocasião ao pecado.
- Não “pesque em aquários”. Não espere a recíproca.
- Um pastor amigo me disse certa vez, num momento de crise: “temos muitos colegas, mas poucos amigos”. É fato. Não se decepcione por isso.
- O ministério pastoral é espinhoso, mas nada é mais recompensador. Eu não saberia fazer outra coisa na vida.

terça-feira, 27 de julho de 2021

“Cristo também padeceu…”

Não compreendo como verdadeiro um evangelho que não cause padecimento. Se alguém se identifica com o Senhor, certamente será odiado e perseguido

 
Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito.” (1 Pedro 3:18)

A fé cristã compreende que Cristo padeceu por nós na Cruz, e nós padecemos no mundo por amor e obediência a Cristo.

Um dos objetivos desta carta de Pedro, escrita aos cristãos judeus e gentílicos dispersos por grande parte da Ásia Menor, é o de fortalecer os crentes diante das aflições sofridas por aqueles que se opõem à fé cristã. Pedro escreve para encorajar os cristãos perseguidos e aflitos, para exortá-los a permanecerem firmes em sua fé.

O escritor lembra: Se os cristãos padecem, Cristo também padeceu! Eu não compreendo como verdadeiro um evangelho que não cause padecimento. Se alguém se identifica com o Senhor, logo será odiado e perseguido. Saulo, após sua conversão, padeceria por amor ao Salvador: “…Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (Atos 9:15-16). Quem se identifica como filho de Deus, participa do sofrimento de Cristo. É por causa do Salvador que o mundo nos odeia e aflige.

Paulo, abordando esta mesma realidade, nos traz uma palavra de grande conforto: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18). Quem com Cristo padece, com Cristo será glorificado! Pense nisso!

Faça bem-feito! Sirva com alegria!

“Se lhe pedirem para ser varredor de ruas, varra as ruas como Michelangelo pintava, como Bethoven compunha ou como Shakespeare escrevia.” (Martin Luther King)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

“E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis.” (Colossenses 3:17, 23-24).

Martin Luther King disse: “Se lhe pedirem para ser varredor de ruas, varra as ruas como Michelangelo pintava, como Bethoven compunha ou como Shakespeare escrevia.” Parece-me que a maioria das pessoas não gosta de fazer nada que não gere lucro, que não renda elogios ou não signifique status ou progresso na escalada do sucesso. Por isso, há gente que não quer realizar determinadas tarefas e, se precisa fazê-lo o faz com tristeza e lamento. Há os que negligenciam o trabalho gerando prejuízos para os patrões, passando horas na internet, conversando, ociosas, ou em marcha lenta. Tem gente que cochila no serviço. Daí o trabalho fica malfeito! Na contramão deste comportamento secular, o ensino bíblico é que devemos servir por prazer e dedicação, fazendo tudo de coração, sabendo que a maior recompensa vem do Senhor. Jesus é nosso maior exemplo, pois “o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e, para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:28), ou seja, para fazer exatamente aquilo que muita gente não faz por alegria e entusiasmo: SERVIR!

Você tem sido um bom empregado? Um funcionário exemplar? Tem, como cristão, feito o seu melhor, sabendo que esta atitude consiste num persuasivo testemunho? Se não, é hora de mudar! Não importa se você é um porteiro, um zelador, um advogado, um médico, um professor… Faça sempre bem-feito, sirva àqueles que dependem de seu serviço da melhor forma possível, sabendo que por meio de seu trabalho Deus é glorificado!

quarta-feira, 21 de julho de 2021

“Eita mulherão”

Mulherão é a mãe, a filha, a esposa, a amiga, a companheira, a mulher íntegra, a trabalhadora, a que cuida com zelo de sua família, a que em seu lar cultiva os valores cristãos, a que é exemplo de fé e obediência a Deus


Pr. Cleber Montes Moreira

“O seu valor muito excede ao de rubis.” (Provérbios 31:10)

Certo jovem, ao ver uma mulher linda e atraente passar, soltou um grito: “Eita mulherão!” Obviamente se referia ao corpo escultural; à forma e não à essência; à beleza física e não ao caráter. Mulherão, é sinônimo de seios fartos, de lábios carnudos, de glúteos volumosos, pernas torneadas etc. O padrão é o das dançarinas dos programas de palco, das que aparecem nas capas de revistas e, até das que se oferecem em anúncios como “acompanhantes”. Neste sentido, mulherão é a concepção formada por uma mente doentia, sensualista, desconectada de valores mais elevados; é um entendimento equivocado, vulgar, do que significa ser mulher.

Na Bíblia temos vários exemplos de mulheres que merecem admiração, mulheres valorosas, exemplares, mulheres de fé e verdadeiras servas. Cada uma pode ser considerada, verdadeiramente, um mulherão: DÉBORA, escolhida para ser juíza; certa SUNAMITA, que pediu ao marido que construísse um quarto a mais em sua casa para hospedar o profeta Eliseu. ESTER, que se tornou rainha e foi instrumento divino para salvar seu povo da destruição. RUTE, nora de NOEMI, era mulher honesta e trabalhadora. ANA, mulher de oração, mãe do profeta Samuel. ABIGAIL, “mulher de bom entendimento e formosa”, que livrou sua família (1 Samuel 25:3). A anônima VIÚVA POBRE, cuja liberalidade tornou-se exemplo a ser seguido. MARIA DE BETÂNIA, que encontrou tempo para ouvir o Mestre, deixando por algum momento seus afazeres. A SAMARITANA, pecadora arrependida que se tornou missionária entre o seu povo. MARIA, mãe de Jesus, que em vez de exaltar-se, reconheceu sua condição de serva (Lucas 1:48). DORCAS, discípula cheia de “boas obras” (Atos 9:36). LÍDIA, que abriu sua casa para a pregação do evangelho. LÓIDE e EUNICE, que transmitiram ao jovem Timóteo os valores da “fé não fingida” (2 Timóteo 1:5). Mulheres virtuosas, como a descrita pelo sábio (Provérbios 31:10-31). São tantas em destaque nas Sagradas Escrituras, verdadeiras heroínas. Cada uma delas pode ser considerada, literalmente, um mulherão!

Mulherão é a mãe, a filha, a esposa, a amiga, a companheira, a mulher íntegra, a trabalhadora, a que cuida com zelo de sua família, a que em seu lar cultiva os valores cristãos, a que é exemplo de fé e obediência a Deus. Qualquer outra concepção do que seja um “mulherão” será fruto de devaneio.

O exemplo de Liang Yaoyi

O menino que sonhava ser médico para salvar vidas, teve seu ideal realizado, só que de uma forma diferente. Seu gesto altruísta é um exemplo a ser seguido


Pr. Cleber Montes Moreira

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” (João 15:12)


Em 2014 uma foto foi destaque em todo o mundo: uma maca no corredor de um hospital, ao redor, médicos e enfermeiros que se inclinaram, com profundo respeito, diante da atitude heroica de um paciente. A pessoa na maca era Liang Yaoyi, natural da cidade chinesa de ShenZhen. Ele surpreendeu a todos, ao tomar uma decisão inesperada para alguém de apenas 11 anos. Sofrendo de um câncer no cérebro e já em estágio terminal, o garoto optou, ainda em vida, por doar seus rins e fígado à pessoas que estivessem precisando, pois ele gostaria, segundo suas próprias palavras, de “continuar vivendo de uma outra forma”.

O desejo do pequeno herói foi prontamente atendido e, oito horas depois da doação, seus rins e fígado salvaram a vida de outras duas pessoas. Seu corpo foi doado a uma escola de medicina, também como parte do seu pedido. Liang, que sonhava ser médico, para salvar vidas, teve seu ideal realizado, só que de uma forma diferente.

Num tempo de egoísmo exacerbado, o gesto altruísta de Liang Yaoyi é um exemplo a ser seguido.

Paulo, escrevendo aos Efésios, disse sobre como devemos viver: “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Efésios 5:2). Portanto, a exemplo do Salvador, devemos demonstrar a todos um amor puro e altruísta. Você está preparado?

sábado, 10 de julho de 2021

A generosidade nada retém

Quem oferta movido pelo amor-próprio sempre retém algo, mas quem ama verdadeiramente é generoso; dá sem avaliar os custos e ainda acha que deu pouco


Pr. Cleber Montes Moreira

“Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé… possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos” (Atos 4:36,37)

A igreja em Atos nos dá um belo exemplo do que é a generosidade. O texto bíblico nos faz perceber que a atitude daqueles irmãos era o motivo pelo qual não havia entre eles gente necessitada: “Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” (Atos 4:34,35). Dentre irmãos tão generosos, um mereceu menção honrosa por parte do escritor bíblico: “Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé (que, traduzido, é Filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos” (Atos 4:36,37). Lucas também registra que “um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos” (Atos 5:1,2).

Certa ocasião, durante um culto missionário, alguém se levantou perante o auditório, foi à frente e preencheu, à vista de todos, um cheque com valor elevado e o entregou como oferta. Entretanto, poucos dias depois aquele cheque foi devolvido pelo banco: estava sem fundos. A “oferta” foi entregue para promoção pessoal — aquele gesto não foi motivado por amor aos perdidos; aquele coração não ardia por missões, mas por glória pessoal. Outros, porém, não tendo muito, de coração ofertam generosamente porque, antes de tudo quanto entregam, entregaram a si mesmos. Uns são como Barnabé, outros como Ananias e Safira; uns ofertam porque amam a Deus e ao próximo, outros porque amam a si mesmos, e Deus a todos conhece.

Quem oferta movido pelo amor-próprio sempre retém algo, mas quem ama verdadeiramente é generoso; dá sem avaliar os custos e ainda acha que deu pouco. Pense nisso!

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Burger King e a agenda ideológica

Se você prefere ser indiferente ou “politicamente correto” diante da proliferação de ideologias nefastas, você é um desertor e inimigo da cruz de Cristo, e coopera para entregar nas mãos do diabo as futuras gerações

 
Pr. Cleber Montes Moreira

“E não sede conformados com este mundo…” (Romanos 12:2)

O comercial do Burger King veiculado em junho de 2021, utilizando crianças para a promoção da agenda LGBT, gerou muitas polêmicas nas redes sociais e produziu postagens diversas, tanto em apoio como manifestações de repúdio. Dentre algumas afirmações proferidas pelos defensores da campanha, lemos que “a liberdade de expressão é direito constitucional”, que “os direitos dos LGBTs devem ser respeitados” e que “é preciso dar voz às minorias”. Outro argumento proferido por quem evita embates, inclusive evangélicos, tem por base uma interpretação equivocada, ou conveniente, de Efésios 6:12, onde lemos: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Aqueles, porém, que alegam que nossa luta é de natureza espiritual e, portanto, não devemos guerrear contra pessoas e empresas que promovem a agenda LGBT, se esquecem que este combate se manifesta no plano físico. Aliás, o diabo usa pessoas e trabalha nas esferas da política e da educação, dentre outras, e opera em todas as áreas da sociedade, inclusive religiosa. Embora “não temos que lutar contra a carne e o sengue”, são pessoas que formulam pensamentos, que disseminam e/ou financiam a promoção de ideologias, que militam como soldados nesta guerra e que precisam ser enfrentadas.

O comercial em questão (bem como outros) não serve apenas para divulgar uma marca ou produto, mas para promover uma agenda. Trata-se de um esforço bem articulado para desconstrução do padrão vigente e implementação de uma “Nova Ordem”, o que exige, necessariamente, a ‘modificação do modo de pensar’ coletivo, tendo a grande mídia como aliada. Afinal, por que, dentre outras coisas, uma rede de Fast Food deveria falar de sexualidade, e não de hambúrgueres? Por que bancos, em vez de divulgarem seus serviços resolvem promover o “orgulho LGBT”? Por que operadoras de telefonia, em vez de anunciarem suas ofertas e as vantagens de seus planos, resolvem lacrar? Por que um ministro do STF decide determinar que passe a constar na Declaração de Nascido Vivo o campo ‘parturiente’ no lugar de ‘pai’ e ‘mãe’? Por que um grupo gay vai à justiça para exigir que a seleção brasileira de futebol passe a usar camisa com o número 24? Por que governos estão determinando cotas para gays? A propaganda ideológica se torna cada vez mais explícita e agressiva (veja o vídeo no final deste artigo). Quando alguma minoria quer a todo custo impor seu padrão à maioria, já não é sobre direitos e liberdade que estamos tratando.

O que muitos ainda não enxergam é que estas campanhas publicitárias que temos visto (e são muitas as empresas “comprometidas”) fazem parte de algo bem maior. Ceder a isso, achar “bonitinho” ou alegar “direitos de liberdade” e de “expressão” em defesa destes expedientes é fechar os olhos para as artimanhas da militância ideológica e dizer: “Tudo bem se isso entrar em minha casa e seduzir meus filhos”, ou “Tudo bem que queiram demolir as colunas basilares da sociedade”, ou ainda “Tudo bem se cercearem a minha liberdade e criminalizarem a minha fé” (o que já está em curso). Se você pensa assim, prefere ser indiferente ou “politicamente correto” que se engajar numa batalha contra a proliferação desta ideologia nefasta, você é um desertor e inimigo da cruz de Cristo, e coopera para entregar nas mãos do diabo as futuras gerações. Se você se diz cristão, mas se conforma com o “novo padrão”, não é a Cristo que você segue, nem sua vida é pautada pelo evangelho. Pense nisso!


quarta-feira, 7 de julho de 2021

Um coração igual ao Teu

Um coração que tem prazer em Deus não irá querer o que Deus não quer, não irá amar o que Deus odeia, não guardará sentimentos que Deus reprova, nem desejará praticar coisas que possam entristecê-lo


Pr. Cleber Montes Moreira

“Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.” (Salmos 37:4)

Segundo o Dicionário Priberan, deleite é “prazer suave e prolongado (moral ou físico).” É também, segundo outras fontes, excesso de satisfação, contentamento, prazer, gozo, delícia etc. O que o texto bíblico sugere é que tenhamos alegria abundante, prazer em excesso, sem moderação, no Senhor. Esta satisfação em Deus deve ser de tal maneira que nossos corações anseiem fazer tudo que lhe seja agradável; deve ser sinônimo de uma entrega irrestrita de nossos caminhos a Ele. Nesta condição, toda a nossa vontade estará submissa à Sua santa vontade. Assim sendo, Ele atenderá os desejos de nossos corações, pois estes serão segundo os Seus próprios desejos.

Um coração que tem prazer em Deus não irá querer o que Deus não quer, não irá amar o que Deus odeia, não guardará sentimentos que Deus reprova, nem desejará praticar coisas que possam entristecê-lo. Quem se deleita no Senhor será e viverá segundo o Senhor; “herdará a terra” e se deleitará na “abundância de paz”; quem não vive assim perecerá. Os desejos do coração do homem dizem quem ele é e indicam qual a sua condição espiritual.

Que cada um de nós ore com perseverança, a cada dia, suplicando: “Dá-me, oh Deus, um coração igual ao Teu.”

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Eu sei em quem tenho crido

“Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia.” (2 Timóteo 1:12)

Oração
Imagem: unsplash
Pr. Cleber Montes Moreira


Deus amado e bendito,
Deus de conforto e esperança,
Que ouve as preces dos aflitos
Que rogam com fé e perseverança,
Na confiança de que “aquele que pede, recebe”,
De que “o que busca, encontra”,
De que “ao que bate se lhe abre”,
E em Ti descansa,
Responda as orações de teus filhos
E dai-lhes alívio.

Que nas tempestades conheçam a bonança,
Que nas enfermidades recebam a cura,
Que nas lutas revigorem a força
E nas agruras se deleitem com a doçura
Da bem-aventurança de confiar em Ti.

Que creiam, mesmo que não haja motivos,
Que prossigam quando tentados a desistir,
Que ao inimigo não deem ouvidos,
Mas persistam em te ouvir
Mesmo quando o silêncio for a Tua voz.

Que esperem quando não houver esperança,
Ainda que “tudo pareça perdido”,
Que a “loucura da fé” lhes traga a segurança
De quem não se engana e diz:
— Eu sei em quem tenho crido!


 
Itaperuna, 18 de maio de 2017

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Jesus e os pastores de galinhas

Ao contrário das galinhas, atraídas pelo milho, os salvos encontram satisfação não nas ofertas que contemplam suas necessidades e anseios temporais, e sim no Pão que desceu do Céu e dá vida ao mundo

Imagem de Kerstin Riemer por Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira

“Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.” (João 6:26)

Numa igreja por onde passei havia uma irmã muito consagrada ao Senhor cujo filho gostava de brincar de ser pastor. Ele apanhava uma vasilha cheia de milho, ia para o quintal e dava a voz de comando. Assim que as galinhas se reuniam, lançava os grãos e começava a pregar. Em sua imaginação infantil, cada uma era um membro de sua igreja, com nome e função. Enquanto havia milho, havia plateia, no entanto, tão logo o alimento, motivo único da presença das aves, deixava de ser oferecido, elas se dispersavam, e o “pastor” não tinha mais para quem pregar. Esta brincadeira se repetia com certa frequência, e os galináceos sempre se comportavam do mesmo modo: embora algumas palavras lhes fossem dirigidas, sua atenção e interesse estavam no milho, e não no que o menino dizia.

Em muitos terreiros religiosos de nossos dias ocorre o mesmo: alguém que brinca de pastor atrai galinhas interesseiras com ofertas que contemplam as expectativas da plateia, e não os propósitos de Deus manifestos em sua Palavra. Para ter audiência, tem de ter milho, e se ele acabar, as galinhas se dispersam e vão ciscar noutros locais em busca de outros alimentos. Isso é de sua natureza, não pode ser mudado.

João registra que uma grande multidão seguia a Jesus por uma motivação equivocada (João 6:2). Em dado momento, essa gente estava faminta e, então, o Filho de Deus operou mais um de seus milagres: Ele multiplicou cinco pães e dois peixinhos, com os quais alimentou quase cinco mil pessoas, e ainda sobraram doze cestos cheios de alimento. O resultado foi que, ao verem o milagre realizado, disseram uns aos outros: “Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” (João 6:14). Havia interesse em sinais, havia interesse nos milagres, havia interesse nos pães e peixes, e — para as galinhas — eram estas maravilhas as evidências que identificavam o profeta que viria ao mundo. Porém, para a decepção dessa gente, mais adiante Jesus dirá qual é sua grande oferta à humanidade e por qual motivo cada um deve ir até Ele. Foi por causa de seu sermão, considerado muito duro, que o Senhor foi abandonado por aqueles cujas esperanças foram frustradas (João 6:60).

Galinha pensa e age como galinha. Os salvos, porém, não são como galinhas atraídas pelo milho, pois sabem que o que verdadeiramente satisfaz o ser humano não são as ofertas que contemplam suas necessidades e anseios temporais, e sim o Pão que desceu do Céu e dá vida ao mundo. Aqueles que esperam em Cristo apenas para esta vida são os mais miseráveis de todos (1 Coríntios 15:19), e os que pregam um evangelho de benefícios terrenos são falsários da Palavra.

Jesus não é como os pastores de galinhas, no seu redil só há ovelhas. Pense nisso!

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Andar como Ele andou

Jesus não é como uma celebridade morta, cuja casa torna-se ponto turístico e objetos ficam expostos em museus para apreciação de seus admiradores

Pr. Cleber Montes Moreira

Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.” (1 João 2:6)


Certa ocasião recebi, por e-mail, um convite para participar de uma excursão pela Terra Santa. O apelo era: “Venha andar por onde Jesus andou”. Muitas pessoas têm verdadeira paixão por conhecer as terras e os caminhos trilhados por Jesus. De fato, deve ser emocionante conhecer lugares que fazem parte das narrativas bíblicas sobre o Senhor: A pequena Belém, o Rio Jordão, o Monte das Oliveiras, a estrada de Jericó, a vila de Betânia, o Jardim do Getsêmani, o que sobrou do templo de Jerusalém, o monte onde o Salvador foi crucificado, o lugar onde foi sepultado etc. Entretanto, não posso deixar de afirmar que mais importante que andar por onde Jesus andou é andar como Ele andou! Jesus não é como uma celebridade morta, cuja casa torna-se ponto turístico e objetos ficam expostos em museus para apreciação de seus admiradores. Jesus também não é como um líder religioso qualquer, cuja terra vira lugar de peregrinação e idolatria. Jesus é Deus, Senhor e Salvador, e espera que nos tornemos seus seguidores, andando como Ele andou, amando, exercendo a misericórdia, pregando o evangelho do reino, sendo Sal e Luz do mundo. Ele quer mais do que admiradores, quer verdadeiros discípulos. 

domingo, 13 de junho de 2021

Amar como Jesus amou

O amor de Cristo deve nos inspirar a amar. Ele não amou apenas com palavras, mas entregou sua própria vida como prova desse amor


Pr. Cleber Montes Moreira

Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar à vida pelos irmãos.” (1 João 3:16)

Conta-se que um soldado de 19 anos, que servia no Iraque, no dia 4 de dezembro de 2007, viu uma granada sendo atirada do alto de um telhado. Manejando a arma de fogo na torre do seu jipe de combate, tentou desviar-se do explosivo que, entretanto, caiu dentro do carro. Ele tinha tempo para saltar para fora e tentar salvar a própria vida, mas, em vez disso, jogou-se sobre a granada, num impressionante ato de amor e coragem que salvou a vida de quatro companheiros.

João nos ensina que Jesus deu a sua vida por amor, para nos salvar. Sim, Ele fez por amor! Podemos dizer que este gesto, como descrito em João 3:16, é a maior declaração de amor já feita em todos os tempos. Deus nos “amou de tal maneira”, ou seja, com um amor que a mente humana jamais será capaz de compreender em toda a sua extensão, assim como diz a letra daquela linda canção:

O amor de Deus é singular,
Ninguém jamais pode explicar;
É bem mais alto que os céus,
E mais profundo que o mar (…)
  
Se os mares todos fossem tinta
E o céu sem fim fosse papel
Se aves todas fossem penas
E os homens todos escrivães
Nem mesmo assim o amor seria
Descrito em seu fulgor
Oh! Maravilha deslumbrante
Deste eternal amor 
 
O amor de Deus tão rico e puro
Ao homem vil salvou
Jamais tem fim é bem seguro
Ao céu de luz eu vou 

 

Este amor tão grandioso nos ensina algo: da mesma forma que Cristo nos amou, devemos amar o próximo. E, como digo sempre, o amor não é um mero sentimento, é atitude! Jesus deu sua vida! Que cada um de nós escolha amar, e amar como Jesus nos amou.